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Serão os limites de velocidade uma solução climática que vale a pena?

Estão a ser impostos limites de velocidade mais baixos em algumas autoestradas europeias
Estão a ser impostos limites de velocidade mais baixos em algumas autoestradas europeias Direitos de autor AP Photo/Michael Probst
Direitos de autor AP Photo/Michael Probst
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As autoridades europeias têm vindo a analisar a possibilidade de introduzir limites de velocidade mais baixos nas autoestradas, numa tentativa de reduzir as emissões de carbono, apesar de alguns questionarem se é uma intervenção que vale a pena.

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As autoridades europeias têm vindo a analisar a possibilidade de introduzir limites de velocidade mais baixos nas autoestradas, numa tentativa de reduzir as emissões de carbono, apesar de alguns questionarem se é uma intervenção que vale a pena.

Um limite de velocidade de 100 km/h durante o dia já foi introduzido nas autoestradas dos Países Baixos em 2019. Algumas regiões austríacas também tomaram esta decisão. Mas cientistas austríacos querem levar a medida mais longe, anunciando o seu apoio no início de fevereiro a um limite de velocidade de 100 km/h nas autoestradas como a maneira mais fácil de diminuir o impacto ambiental do setor dos transportes.

Cientistas e ativistas alemães fizeram o mesmo apelo, depois da realização de um estudo em janeiro pela agência ambiental do país ter constatado que um limite de velocidade de 120 km/h poderia reduzir as emissões de trânsito em 2,9%.

O transporte rodoviário representou um quinto das emissões totais de gases de efeito estufa da UE em 2019 e mais de três quartos das emissões gerais de transporte.

"Menos velocidade, menos combustível"

A compreensão da redução de emissões começa com a compreensão da maneira como um motor funciona, diz à Euronews Barbara Laa, investigadora na área dos transportes da Universidade Técnica de Viena.

"A velocidades mais baixas é preciso menos combustível porque há menos resistência do ar",explica. Como a relação entre a velocidade e o consumo de combustível não é linear - se se duplicar a velocidade, mais do que duplicará o consumo de combustível. Velocidades mais altas originam sempre mais emissões.

A Agência Internacional de Energia já tinha apoiado os limites de velocidade, dizendo que estes podem ajudar a reduzir a procura de petróleo.

Barbara Laa realça que uma redução do limite de velocidade diminuiria não só as emissões de carbono, mas também a poluição por nitrogénio, ruído, a poluição por partículas, além de tornar as viagens mais seguras.

A decisão do governo austríaco de impor um limite de velocidade de 100 km/h em certas regiões - baixando dos 130 km/h em todo o país - foi uma tentativa de limpar o ar, diz Laa.

Como o uso de veículos elétricos não resulta em emissões, eles estão isentos do limite de velocidade mais baixo, mas Laa não acha que isso seja uma boa ideia.

"De uma perspetiva energética, temos o mesmo problema nos veículos elétricos, pois quanto mais rápido se conduzir, mais energia é precisa", disse ela. "Se usarmos menos energia, é mais fácil descarbonizar".

"Menos congestionamento"

Giulio Mattioli, investigador na área dos Transportes da Universidade Técnica de Dortmund, disse à Euronews que a questão não é se um limite de velocidade mais baixo reduz as emissões, mas em quanto.

"Se reduzirmos o limite de velocidade, não teremos apenas velocidades mais lentas para muitos veículos, mas também um fluxo mais regular, menos congestionamentos e isso pode realmente aumentar a velocidade média", explicou. Por outro lado, o aumento do tempo de viagem associado a um limite de velocidade mais baixo pode incentivar as pessoas a viajarem de comboio, principalmente em distâncias mais longas. Como tal, é difícil prever o impacto total de um limite de velocidade mais baixo.

Em outubro de 2022, o ministro dos Transportes da Alemanha, Volker Wissing, disse que não seria possível implementar um limite de velocidade no país, pois não havia sinais suficientes. Outros alegaram que as reduções de emissões são pequenas e, portanto, não vale a pena interferir nas liberdades das pessoas de conduzirem a maior velocidade.

2,9% das emissões de trânsito da Alemanha podem parecer um número baixo, mas Mattioli disse que depende de como olhamos para ele. O investigador diz que aqueles que tentam desacreditar a ideia simplesmente precisam encontrar "um denominador que é grande o suficiente" para fazer com que as "reduções de emissões de carbono pareçam irrelevantes".

Com base nos cálculos a que Mattioli teve acesso, as reduções de emissões geradas por um limite de velocidade são "algo como 30-50% da diferença que temos atualmente entre as emissões da Alemanha e as suas metas climáticas para este ano".

Limites de velocidade não serão suficientes

O limite de velocidade de 100 km/h implementado nos Países Baixos em 2019 foi uma tentativa de reduzir a poluição por nitrogénio, para respeitar os requisitos legais para novos projetos de construção. Mas medir o impacto exato da política foi difícil devido à pandemia de Covid-19, explica à Euronews Bert Van Wee, professor de Política de Transportes na Universidade de Tecnologia de Delft. "O efeito da pandemia foi muito mais forte", sublinha.

A implementação adequada de um limite de velocidade também requer uma boa comunicação, defende: "Tem de ficar claro para as pessoas que economizam dinheiro porque os seus veículos consumirão menos combustível, ou eletricidade em caso de veículos elétricos".

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Adaptar a mensagem ao país, cidade ou comunidade em que o limite de velocidade seria implementado também é importante. Alguns preferem mensagens climáticas, enquanto outros podem preferir mensagens de segurança.

"Não podemos pensar que resolveremos o problema das emissões dos transportes apenas através de limites de velocidade, apenas através de veículos elétricos, ou apenas através de melhores transportes públicos", argumentou Mattioli. "Precisamos fazer todas essas coisas de uma só vez e até outras para conseguir reduzir as emissões".

"Se não colocarmos limites de velocidade mais baixos, precisamos ser mais restritivos noutras medidas, porque ainda precisamos chegar a zero [emissões]", conclui Laa.

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