Naftogaz pede fim do gás russo na UE e ajuda para ser grande exportador

O  diretor-geral da empresa estatal Naftogaz, Oleksiy Chernysh, pretende estreitar a cooperação da Ucrânia com a Comissão Europeia
O diretor-geral da empresa estatal Naftogaz, Oleksiy Chernysh, pretende estreitar a cooperação da Ucrânia com a Comissão Europeia Direitos de autor GIAN EHRENZELLER/AP
De  Efi KoutsokostaIsabel Marques da Silva
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O diretor-geral disse à euronews que espera que a Comissão Europeia colabore para que sejam rentabilizadas as instalações subterrâneas de armazenamento de gás da Ucrânia.

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A Naftogaz, que gere o setor do petróleo e gás na Ucrânia, quer que a União Europeia (UE) deixe de usar gás russo, que continua a atravessar este país para chegar a alguns Estados-membros da Europa Central e Ocidental.

Em entrevista à euronews, em Bruxelas, o diretor-geral da empresa estatal, Oleksiy Chernysho, admite que houve um corte drástico face ao período anterior à invasão russa, mas que é preciso encontrar uma solução definitiva.

"Em geral, devemos limitar qualquer rendimento adicional para a Rússia durante a guerra. Por outro lado, devemos compreender que alguns países europeus não podem deixar de usar, imediatamente, este gás. Congratulamo-nos com a iniciativa da UE para reduzir, de forma constante, o consumo de gás russo", disse o diretor-geral.

Questionado sobre se cabe aos Estados-membros europeus serem mais incisisos nessa matéria, Oleksiy Chernysho respondeu "absolutamente".

Apoio da Comissão Europeia

Temos nos nossos armazéns de gás 31 mil milhões de metros cúbicos de capacidade e planeamos utilizá-lo para as necessidades ucranianas, bem como para os países europeus.
Oleksiy Chernysho
Diretor-geral da Naftogaz

Sobre o futuro, o diretor-geral referiu que o objetivo da Ucrânia é tornar-se um importante exportador de eenrgia para o resto da Europa. Mas a prioridade atual é deixar de importar gás e tornar-se auto-suficiente.

"Estamos a planear produzir mais gás. A Naftogaz, enquanto maior empresa de energia da Ucrânia, irá produzir mil milhões de metros cúbicos de gás adicionais. E isso poderá levar a uma situação em que a Ucrânia pode satisfazer as suas próprias necessidades com a produção interna de gás. Este é o nosso principal objetivo", explicou.

Apesar da guerra não dar sinais de terminar em breve, Oleksiy Chernyshov confia que o processo industrial deve continuar. 

"Devemos produzir mais, devemos consumir menos, devemos ser mais eficientes em termos energéticos. E estamos a aproximar-nos dessa meta. A Ucrânia, no que diz respeito à sua energia, pode tornar-se um centro energético para a UE. Temos nos nossos armazéns de gás 31 mil milhões de metros cúbicos de capacidade e planeamos utilizá-lo para as necessidades ucranianas, bem como para os países europeus", afirmou.

A Naftogaz espera que a Comissão Europeia colabore para que sejam rentabilizadas as instalações subterrâneas de armazenamento de gás da Ucrânia, inclusivé ao nivel de medidas segurança, uma vez que em tempos de guerra é difícil para as empresas ucranianas encontrar investidores e seguradoras.

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