"Estado da União": Macron testou unidade europeia sobre China

Conversa num jardim, na China, entre os presidentes chinês, Xi Jinping, e francês, Emmanuel Macron
Conversa num jardim, na China, entre os presidentes chinês, Xi Jinping, e francês, Emmanuel Macron Direitos de autor Jacques Witt, Pool via AP
De  Efi KoutsokostaIsabel Marques da Silva
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Os argumentos do presidente francês sobre o facto da Europa não dever seguir sempre a posição dos EUA, incluindo sobre a questão da segurança em Taiwan, não agradaram nem ao governo de Washington nem a alguns dos seus homólogos na UE.

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Esta semana foi marcada por uma controvérsia diplomática na sequência da viagem do Presidente francês à China. Emmanuel Macron viajou na companhia da presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen, numa tentativa de mostrar a unidade da União Europeia (UE) em relação ao governo de Pequim, mas alguns comentários que fez à imprensa, no regresso, mostram que talvez não haja total consenso.

Os argumentos de Macron sobre o facto da Europa não dever seguir sempre a posição dos EUA, incluindo sobre a questão da segurança em Taiwan, não agradaram nem ao governo de Washington nem a alguns dos seus homólogos na UE.

Os diplomatas franceses tentaram controlar de danos, mas Macron voltou a dizer, publicamente, que mantinha aquilo que tinha dito aos jornalistas no avião de regresso a Paris.

"A França é a favor do status quo existente em Taiwan. A França apoia a política "Uma só China" na procura de uma solução pacífica. Esta é a posição dos europeus e é uma posição que tem sido sempre compatível com o papel de aliado. Mas é precisamente aqui que eu insisto na importância da autonomia estratégica. Ser aliado não significa ser vassalo. Não é porque somos aliados que fazemos tudo juntos, que já não temos o direito de pensar sozinhos", explicou o presidente francês, numa conferência de imprensa.

Entretanto, a ministra dos Negócios Estrangeiros alemã, Annalena Baerbock , também visitou a China e mostrou-se solidária com Emmanuel Macron, sublinhando que o presidente francês tinha "mais uma vez enfatizado que as políticas da França para a China refletiam as políticas da UE para a China".

Para analisar este tema, a euronews entrevistou Zsuzsa Anna Ferenczy, investigadora no Instituto para a Política de Segurança e Desenvolvimento e autora do livro "Europa, China e os limites do Poder Normativo".

"Não há unidade na UE quando se trata de definir como enfrentar as ameaças que vêm da China, tanto no campo económico, no comércio, como ao nível dos valores políticos, da falta de transparência e governação democrática por parte da China, bem como a ameaça que a China apresenta na sua atitude proativa de desinformação e de usar vários instrumentos para minar a democracia", explicou. 

"Os Estados-membros da UE, quando agem individualmente, - quer seja a França, a Alemanha ou qualquer outro país -, quando preferem lidar diretamente com a China e não apoiam efetivamente a convergência, acabam por prejudicar a UE", acrescentou.

(Veja a entrevista na íntegra em vídeo)

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