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Litígio Polónia-Ucrânia abre crise na política de solidariedade da UE

Os líderes da Ucrânia e da Polónia tinham até há pouco uma relação política muito próxima
Os líderes da Ucrânia e da Polónia tinham até há pouco uma relação política muito próxima Direitos de autor Michal Dyjuk/Copyright 2023 The AP. All rights reserved
Direitos de autor Michal Dyjuk/Copyright 2023 The AP. All rights reserved
De  Christopher PitchersIsabel Marques da Silva
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Outrora o mais firme aliado da Ucrânia na guerra com a Rússia, a Polónia parece estar agora no extremo oposto, depois de ter dito que vai deixar de enviar armas ao governo de Kiev.

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O litígio sobre a entrada de cereais ucranianos isentos de tarifas aduaneiras na Polónia escalou ao ponto de colocar em causa o apoio bilateral e de criar um problema na política de solidariedade da União Europeia (UE).

Mas a Comissão Europeia diz que a crise não afeta a política estabelecida: "A posição da e políticas da UE permanecem inalteradas e traduzem-se num apoio inabalável, firme e inalterado à Ucrânia durante o tempo que for necessário, em todas as áreas, incluindo a assistência militar", disse , quinta-feira, Peter Stano, porta-voz da Comissão Europeia.

A Comissão Europeia levantou, a 15 de setembro, a um embargo temporário de importação dos cereais ucranianos para cinco Estados-membros do leste, na vizinhaça da Ucrânia (Polónia, Hungria, Eslováquia, Roménia e Bulgária).

A medida foi criada para evitar que esses países sofressem concorrência desleal, mas foram, entretanto, dados apoios extraordinários aos agricultores mais afetados e criadas regras mais apertadas para as exportações ucranianas.

A Polónia, bem como Hungria e Eslováquia, não acataram a posição da Comissão Europeia, e a Ucrânia queixou-se na Organização Mundial do Comércio.

Penso que a Comissão fez bem em dar prioridade à nossa capacidade de ajudar a Ucrânia e depois procurar formas de apoiar e resolver os problemas da Polónia.
Sergey Lagodinsky
Eurodeputado, verdes, Alemanha

Quem deve receber mais apoio da UE agora?

A posição polaca está a causar dores de cabeça em Brxuelas, admitiu, à euronews, Sergey Lagodinsky, eurodeputado alemão dos verdes: "A Comissão Europeia tem uma tarefa difícil. Temos de garantir a capacidade de sobrevivência económica da Ucrânia durante esta guerra". 

"Temos de assegurar vias seguras de acesso para escoar os alimentos da Ucrânia para o mundo, por um lado, e, por outro, responder às preocupações dos polacos. Penso que a Comissão fez bem em dar prioridade à nossa capacidade de ajudar a Ucrânia e depois procurar formas de apoiar e resolver os problemas da Polónia", acrescentou.

A Polónia clarificou, entretanto, a sua posição, dizendo que vai terminar o envio dos carregamentos de armas que tinha prometido. Mas muitos estarão a aguardar ansiosamente para ver se, depois disso, a Polónia vai realmente parar de enviar armas.

"A minha posição clara é que isso não vai acontecer. A Polónia sabe muito bem o que está em jogo. A Polónia sabe que é também do interesse direto da Polónia e da Europa que a Ucrânia receba tudo o que precisa, também no que diz respeito a armas", disse, à euronews, Urmas Paet, eurodeputado liberal estónio.

Independentemente do governo de Varsóvia cumprir ou não a sua ameaça, alguns especialistas dizem que os danos já estão feitos e que as relações entre a Polónia e a Ucrânia podem levar anos a reparar.

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