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Ameaça russa no corredor europeu de Suwałki é agora menor que nunca

Veículos militares circulam no corredor de Suwałki, em julho de 2022.
Veículos militares circulam no corredor de Suwałki, em julho de 2022. Direitos de autor Michal Dyjuk/Copyright 2022 The AP. All rights reserved
Direitos de autor Michal Dyjuk/Copyright 2022 The AP. All rights reserved
De  Callum Tennant com Verónica Romano (tradução)
Publicado a Últimas notícias
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Artigo publicado originalmente em inglês

O corredor de Suwałki, que liga a Bielorrússia e o oblast russo de Kaliningrado, era uma das maiores fraquezas da NATO relativamente à Rússia. Eis porque é que a ameaça de Moscovo na região é agora menor que nunca.

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Há um local que preocupa os estrategas militares da NATO mais do que a maioria: o corredor de Suwałki.

Trata-se de uma estreita faixa terrestre, com cerca de 60 quilómetros, na fronteira entre a Polónia e a Lituânia. Vai desde a Bielorrússia, numa ponta, até ao enclave russo de Kaliningrado, na outra. É o único corredor que liga os países bálticos - Estónia, Letónia e Lituânia - aos outros membros da NATO por terra. 

Em caso de conflito com a Rússia, Suwałki poderia ser atingido por fogo desde ambas as pontas. Se as forças russas ou bielorrussas conseguissem fechar o corredor, a Aliança Atlântica não poderia enviar reforços por terra e seria obrigada a recorrer às vias marítima e aérea. 

O perigo está em os membros da NATO não conseguirem enviar reforços para os Estados bálticos por estes meios com a rapidez necessária e em número suficiente para repelir as tropas russas.

Contudo, uma mistura de ações da aliança e de erros de Moscovo reduziu drasticamente este risco.

Agressão russa conduz a um alargamento da NATO

Quando a Rússia lançou a ofensiva em grande escala na Ucrânia, em fevereiro de 2022, provocou ondas de choque nos países vizinhos. A maior guerra no continente europeu desde o final da Segunda Guerra Mundial desencadeou uma reavaliação completa dos pressupostos e das estratégias anteriores.

Depois de seguirem uma política de neutralidade militar durante décadas, a Finlândia e a Suécia pediram para aderir à NATO. Estocolmo continua em lista de espera devido às objeções turcas, mas Helsínquia já faz parte da aliança, o que enfraquece significativamente a ameaça que o corredor de Suwałki representa.

"A adesão da Suécia e da Finlândia cria um 'Mare Nostrum da NATO'. Provavelmente, a Rússia torna-se incapaz de exercer uma verdadeira estratégia anti-acesso ou de negação de área", disse à Euronews Guillaume Lasconjarias, professor da Universidade de Paris-Sorbonne e antigo investigador do Colégio de Defesa da Aliança Atlântica, em Roma.

Dito de uma forma simples, com os membros da NATO a "rodear" a maior parte do mar Báltico, a Rússia seria incapaz de impedir a chegada de reforços ocidentais por via marítima.

A adesão da Finlândia à NATO duplicou a extensão da fronteira da aliança com a Rússia. Nas palavras do próprio Kremlin, a Rússia viu-se obrigada a tomar contramedidas para garantir a sua própria segurança, em termos táticos e estratégicos. 

Esta maior exposição a um país da organização reduz as hipóteses de qualquer ataque russo a outros membros que façam fronteira com o Suwałki.

Fracasso na Ucrânia reduz a capacidade militar russa

Quando Putin ordenou a invasão da Ucrânia no ano passado, acredita-se que o fez confiante de que seria uma operação curta, rápida e bem-sucedida. O think tank Rusi, sediado em Londres, afirma que há documentos russos que mostram que Moscovo tinha um plano de dez dias para tomar o país e matar os seus líderes.

Nos quase 600 dias que decorreram desde o início da guerra, as forças russas não conseguiram dominar alvos importantes como Kiev, foram humilhadas pela contraofensiva ucraniana em Kharkiv e perderam quase 50 mil soldados, de acordo com a primeira análise estatística independente.

Ainda ocupada com a Ucrânia, a Rússia não tem capacidade militar para lançar qualquer incursão no corredor de Suwałki. Sem um resultado bem-sucedido na Ucrânia, é pouco provável que Putin possa ordenar qualquer outra ação militar importante. É ainda menos provável, dado que os países envolvidos no caso do Suwałki são membros da NATO.

Báltico, União Europeia e NATO repensam estratégias de defesa

A invasão da Ucrânia levou a NATO a realizar uma enorme revisão estratégica. A resposta da aliança costumava basear-se em pequenas forças que dissuadiriam a agressão russa, com receio de desencadear o artigo 5º e, portanto, uma resposta coletiva ao ataque.

Mas agora, a organização fala em defender cada centímetro do seu território. Criou quatro novos grupos de combate em quatro países (Bulgária, Hungria, Roménia e Eslováquia), duplicou o número de tropas distribuídas por oito grupos de combate e enviou mais dezenas de navios e centenas de aviões para a parte oriental da aliança.

Elaborou ainda novos planos para chegar e apoiar os países bálticos em caso de invasão e tenciona reforçar a sua presença na região.

Lasconjarias sublinha que os países bálticos fizeram "maiores esforços na mobilização das suas forças e da sua população, com o desenvolvimento da 'defesa total' entre os seus povos (através, por exemplo, da Liga de Defesa da Estónia)".

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As novas iniciativas da União Europeia destinadas a aumentar a mobilidade militar, tais como a construção de uma nova linha férrea trans-Báltica, também permitirão à NATO reposicionar as suas forças mais rapidamente. 

Consequentemente, as hipóteses de Moscovo conseguir manter os Estados Bálticos isolados através do fecho do corredor de Suwałki são reduzidas.

Ironicamente, foi o próprio Kremlin, através da invasão da Ucrânia, que tornou um ataque ao Suwałki tão improvável.

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