Chefe da diplomacia da UE pede cessar-fogo permanente na guerra Israel-Hamas

O Alto Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Josep Borrell, no fórum anual da União para o Mediterrâneo, segunda-feira, 27 de novembro
O Alto Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Josep Borrell, no fórum anual da União para o Mediterrâneo, segunda-feira, 27 de novembro Direitos de autor ORIOL MIRALLES /ORIOL MIRALLES
De  Mared Gwyn JonesShona Murray
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Artigo publicado originalmente em inglês

A trégua estabelecida entre Israel e o Hamas deve ser prolongada e "evoluir para um cessar-fogo permanente", afirmou o chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, segunda-feira, em Espanh. A tensão entre UE e Israel aumenta com uma polémica diplomática envolvendo três Estados-membros.

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"A pausa deve ser prolongada para que seja sustentável e duradoura, enquanto se procura uma solução política", afirmou Josep Borrell durante uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos países da União para o Mediterrâneo, em Barcelona (Espanha).

"Um cessar-fogo prolongado que permita a libertação de mais reféns e que evolua para um cessar-fogo permanente ligado a um processo político é algo que merece o nosso consenso", explicou aos jornalistas.

Borrell também apresentou a sua visão para uma resolução política do conflito baseada na chamada solução de dois Estados, em que uma Autoridade Palestiniana reforçada assumiria o controlo da Faixa de Gaza, com o apoio da União Europeia.

Borrell disse que, se tal não acontecer, Gaza será um "terreno fértil" para a violência e o extremismo, o que não é do interesse da Europa.

A reunião marcou o início de um fórum, de dois dias, da União do Mediterrâneo, que se centrará no conflito na Faixa de Gaza, com o objetivo de impulsionar os esforços políticos para encontrar uma solução pacífica. Israel não enviou nenhum representante, apesar de ser um dos membros fundadores.

Entretanto, foi concluído um acordo  para prolongar por mais dois dias, até quinta-feira, a trégua de quatro dias, mediada pelo Qatar e outros governos, que começou no dia 25 de novembro, sob o compromisso de libertação de mais reféns.

Por seu lado, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, apelou, segunda-feira, ao prolongamento da pausa nos combates em Gaza para permitir o fluxo de mais ajuda e a libertação de mais reféns civis.

No final de outubro, os líderes da União Europeia fizeram um apelo conjunto a "pausas humanitárias" para aliviar o sofrimento humano em Gaza, não chegando a apelar a um cessar-fogo humanitário, apesar de issoser defendido por alguns Estados-membros.

As declarações feitas por alguns líderes de países da UE, nos últimos dias, provocaram a indignação de Israel e ameaçaram quebrar a posição unida da UE no conflito.

Líderes da UE repreendidos por Israel

Durante a sua visita conjunta à região, na semana passada, os primeiros-ministros espanhol, Pedro Sánchez, e belga, Alexander De Croo, criticaram o governo de Israel pela morte indiscriminada de civis, numa conferência de imprensa, na passagem de Rafah, entre o Egipto e Gaza.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Eli Cohen, condenou o que descreveu como "falsas declarações" de Sánchez e De Croo, afirmando que os seus comentários "apoiam o terrorismo".

Sánchez, cujo governo detém a presidência rotativa do Conselho da UE, disse que Madrid estava aberto a reconhecer unilateralmente o Estado da Palestina, mesmo sem o apoio mais alargado da União Europeia.

No sábado, o Hamas felicitou ambos os líderes pela sua "posição clara e corajosa", o que contribuiu para aumentar a indignação israelita.

O ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, José Manuel Albares, rejeitou as acusações de Israel contra Sánchez e De Croo como sendo "completamente falsas e inaceitáveis", dizendo que o seu governo estava a ponderar a sua resposta.

Já o líder do governo da Irlanda, Leo Varadkar, também foi criticado por Israel, durante o fim de semana, depois de Varadkar ter descrito a refém irlandesa-israelita Emily Hand, de nove anos, como estando "perdida".

"Emily e mais de 30 outras crianças israelitas foram feitas reféns pelo Hamas e Leo Varadkar está a tentar legitimar e normalizar o terror. Que vergonha!", afirmou Eli Cohen na rede social X.

Varadkar divulgou mais tarde uma declaração formal que dizia que Hand tinha sido "raptada", "mantida em cativeiro como refém". "Sempre fui coerente na minha condenação inequívoca do Hamas e da tomada de reféns", disse à emissora nacional irlandesa RTÉ.

Os embaixadores de Espanha, Bélgica e Irlanda foram convocados pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita, num sinal claro de escalada da tensão diplomática.

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"As últimas questões entre Israel, Espanha e Bélgica são puramente bilaterais e não nos compete comentar", afirmou um porta-voz da Comissão Europeia, na segunda-feira.

Borrell "chocado" com os planos de financiamento dos colonatos

Borrell disse estar "chocado" com as notícias de que o governo israelita iria atribuir mais fundos aos colonatos ilegais nos territórios palestinianos ocupados.

"Fiquei chocado ao ver que o governo israelita planeia atribuir mais 43 milhões de dólares para aumentar as atividades dos colonatos e condenei essa decisão", afirmou antes da reunião.

"A violência espalhada pelos colonos extremistas na Cisjordânia, muitas vezes sob a proteção da polícia e do exército israelitas, não torna Israel mais seguro. Os colonatos são o maior risco de segurança de Israel", acrescentou.

Os seus comentários surgiram numa altura em que se espera que o gabinete de guerra de Israel discuta um orçamento de guerra alterado. As propostas apresentadas pelo ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, no sentido de continuar a canalizar fundos para o desenvolvimento dos colonatos, evidenciaram profundas clivagens no gabinete, com alguns ministros a criticarem os planos por desviarem as finanças dos esforços de guerra.

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Um porta-voz da Autoridade Palestiniana também disse, na segunda-feira, que o ministro das finanças israelita, Bezalel Smotrich, estava a planear atribuir fundos no orçamento de 2023 para "consolidar a colonização nos territórios palestinianos".

De acordo com as Nações Unidas, os ataques dos colonos israelitas na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental aumentaram a um ritmo sem precedentes desde o início do conflito, a 7 de outubro.

O ministro da Segurança, Itamar Ben Gvir, anunciou dias depois do ataque do Hamas que o seu governo iria comprar des mil espingardas para os esquadrões de segurança civis nos colonatos da Cisjordânia.

A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, considerada uma das vozes mais pró-israelitas em Bruxelas, juntou-se aos apelos na sexta-feira para que se ponha fim à violência dos colonos.

"A violência inaceitável dos extremistas na Cisjordânia tem de acabar", afirmou durante uma conferência de imprensa, no Canadá.

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