Inflação na zona euro subiu para 2,9%

Christine Lagarde, diretora do BCE
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De  Isabel Marques da SilvaAna Lazaro
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A taxa de inflação anual na zona euro deverá ser de 2,9% em dezembro de 2023, face a 2,4% em novembro, de acordo com o Eurostat, o serviço de estatística da União Europeia.

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"Analisando as principais componentes da inflação na área do euro (20 países da UE), espera-se que os produtos alimentares, o álcool e o tabaco registem os valores mais elevados, (6,1%, face a 6,9% em novembro), seguido dos serviços (4%, estável face a novembro), bens industriais não energéticos (2,5%, que compara com 2,9% em novembro) e energia (-6,7%, em comparação com -11,5% em novembro)", anunciou o Eurostat, esta sexta-feira.

Os analistas alertam que as tensões geopolíticas podem complicar ainda mais a situação, como disse à euronews Zsolt Darvas, do centro de estudos Bruegel, em Bruxelas: "A situação de segurança no Médio Oriente é um risco para os preços globais e, em particular, para os preços globais do petróleo e da energia em geral". 

"Até agora, o impacto tem sido limitado, mas uma possível escalada da situação poderá resultar num aumento dos preços do petróleo e dos preços da energia. E isso poderia ter um impacto em todo o mundo, incluindo na Europa e na zona euro. E poderá manter a pressão inflacionista mais elevada durante mais tempo", acrescentou.

BCE não deverá baixar taxa de juro

Este indicador é muito importante para a definição das taxas de juro por parte do Banco Central Europeu. Face à tendência decrescente da inflação registada de outubro para novembro, esperavam-se cortes na taxa em 2024, mas esta nova subida do índice de preços poderá deitar por terra essa esperança.

Os salários reais e o poder de compra dos consumidores estão a aumentar. Isto pode implicar uma pressão da procura e dificultar uma redução duradoura da inflação. É por isso que eu antecipo que o BCE não deverá reduzir a taxa de juro tão cedo
Zsolt Darvas
Analista, Bruegel

A taxa do BCE permanece inalterada desde outubro passado, nos 4%, após aumentos sucessivos que começaram em julho de 2022. A presidente, Christine Lagarde, avisou que manterá o valor necessário para fazer descer a inflação para o seu objetivo de 2%, considerado o melhor para a economia.

"Nos últimos anos, a inflação elevada reduziu o salário real, mas agora o crescimento dos salários acelerou e a inflação abrandou. Os salários reais e o poder de compra dos consumidores estão a aumentar. Isto pode implicar uma pressão da procura e dificultar uma redução duradoura da inflação. É por isso que eu antecipo que o BCE não deverá reduzir a taxa de juro tão cedo", explicou Zsolt Darvas,

Nos últimos dias, outros dados sobre a inflação revelaram a mesma tendência. Tanto na Alemanha como em França, as principais economias da União Europeia, a inflação subiu em dezembro.

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