Agricultores protestam contra políticas comunitárias de ambiente e de comércio

Agricultores em frente a uma vaca de plástico com um esqueleto pintado durante um protesto em frente ao Parlamento Europeu, em Bruxelas, a 24 de janeiro.
Agricultores em frente a uma vaca de plástico com um esqueleto pintado durante um protesto em frente ao Parlamento Europeu, em Bruxelas, a 24 de janeiro. Direitos de autor Virginia Mayo/AP Photo.
De  Aida Sanchez AlonsoMared Gwyn Jones
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Artigo publicado originalmente em inglês

Cerca de uma centena de agricultores manifestaram-se, quarta-feira, em frente ao Parlamento Europeu, em Bruxelas, numa altura em que os protestos contra a legislação ambiental e outras queixas se espalham por todo o bloco europeu.

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Embora tenha tido menor dimensão em comparação com manifestações semelhantes ocorridas, recentemente, na Alemanha, em França e na Roménia, a presença de um punhado de eurodeputadosde grupos de extrema-direita indicou que o descontentamento dos agricultores está a moldar a agenda política.

Os manifestantes queixam-se que as regras de produção são cada vez mais apertadas e que estão a perder rendimentos, sendo uma das políticas mais criticadas o Pacto Ecológico Europdeu, que prevêm uma produção agrícola mas compatível com a conservação ambiental e a luta contras as alterações climáticas.

Os acordos de livre comércio com países de outras regiões tamhém são alvo de crítica devido à importação de bens mais baratos, alegadamente com regras de produção menos estritas.

Em França, os agricultores cortaram as principais estradas, nos últimos dias, em protesto contra a regulamentação ambiental do governo e o aumento dos custos da energia. Manifestações semelhantes foram registadas na Roménia e na Alemanha, onde os agricultores exigem impostos mais baixos e subsídios mais justos.

"Queremos mostrar que, em França como no resto da UE, não são os tecnocratas - que não fazem ideia de como é difícil produzir produtos de qualidade em França - que decidem", disse Patrick Legras, agricultor e membro do sindicato francês Coordination Rurale, à Euronews.

Legras apelou, também, ao fim das importações de produtos agrícolas de baixa qualidade que ameaçam a subsistência dos agricultores europeus.

O eurodputado espanhol Jorge Buxadé, eleito pelo partido Vox, de extrema-direita, e que pertence à bancada Conservadores e Reformistas Europeus (ECR), afirmou que é sua "convicção política" ajudar os agricultores europeus.

"Votámos contra a Política Agrícola Comum, que levou a uma redução da ajuda que os nossos agricultores merecem", explicou, acrescentando que o Partido Popular Europeu (PPE), de centro-direita, está a capitalizar o descontentamento dos agricultores por "puro interesse" e para ganhar pontos políticos.

Diálogo patrocinado pela Comissão Europeia

As manifestações ocorreram na véspera de a Comissão Europeia lançar o chamado "diálogo" sobre agricultura", destinado a "despolarizar" o debate em torno da transição ecológica.

Os ambiciosos objetivos climáticos e as políticas industriais do bloco são apontados como um dos principais mobilizadores do eleitorado da UE nas eleições europeias de 6 a 9 de junho.

Valdis Dombrovskis, comissário europeu responsável pelo Comércio, defendeu o Pacto Ecológico Europeu como uma iniciativa de "longo prazo" do bloco que visa alcançar a neutralidade climática até 2050, acrescentando que é "claramente importante" que o trabalho continue na próxima legislatura.

Nicolas Schmit, responsável pelo Emprego e os Direitos Sociais na Comissão Europeia - e principal candidato dos Socialistas e Democratas (S&D) nas eleições de junho -, afirmou que o bloco tem a responsabilidade de "defender" o Pacto Ecológico e de o implementar "de uma forma justa e equitativa, para que no final todos saiam a ganhar".

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