"Por que não podemos ter um Médio Oriente Unido?", diz sobrevivente do Holocausto

Irene Shashar, uma sobrevivente do gueto de Varsóvia, segura um livro escrito sobre o Holocausto
Irene Shashar, uma sobrevivente do gueto de Varsóvia, segura um livro escrito sobre o Holocausto Direitos de autor Virginia Mayo/Copyright 2024 The AP. All rights reserved
De  Isabel Marques da Silva
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Com o seu recente livro “Eu ganhei contra Hitler”, a mensagem da judia Irene Shashar sobre o Holocausto é que “nunca mais” haja genocídio. A euronews falou com a sobrevivente do gueto de Varsóvia, convidada do Parlamento Europeu para a cerminónia do Dia Internacional em Memória do Holocausto.

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Irene Shashar nasceu na Polónia, em 1937, e recebeu o nome Ruth Lewkowicz, mas a Segunda Guerra Mundial mudaria para sempre a sua vida, quando tinha cinco anos, com a experiência de “criança escondida” no Gueto de Varsóvia, estabelecido pelos nazis.

"Os sobreviventes vão para um sítio melhor, lenta mas seguramente, não vamos viver para sempre. Penso que temos de deixar testemunho para as próximas gerações", disse Irene Shashar à euronewes, sobre a razão que a levou a escrever as suas memórias.

O Parlamento Europeu convidou a antiga professora universitária para assinalar o Dia Internacional em Memória do Holocausto (celebrado a 27 de janeiro), numa cerimónia na sessão plenária, quinta-feira, em Bruxelas.

Residente em Israel com a sua família, Irene Shashar disse que o ataque do Hamas, a 7 de outubro passado, foi uma “grande tragédia” e que “sonha com um Médio Oriente pacífico” e unido, inspirado na União Europeia.

“Estamos a defendermo-nos. Fomos surpreendidos, fomos mortos de surpresa. Mas para haver paz temos que poder viver na nossa terra, que nos foi dada pela ONU. A terra é nossa, queremos que ela floresça, queremos desfrutar da liberdade, da igualdade, da compreensão, da vida como tal”, disse.

Não só dois, mas vários Estados no "Médio Oriente Unido"

Questionada sobre apoia a solução de dois Estados, um para Israel e outro para a Palestina, a sobrevivente considera que é possível desde que os vizinhos de Israel reconhecçam o direito à existência deste Estado.

"Se eu tiver um vizinho, como na Europa, uma Europa unida, ao meu lado, posso viver com esse vizinho em paz, podem ser 2, 3 , 5, 7 ou 10 (vizinhos). Exatamente como na Europa, como uma Europa unida. Por que não podemos ter um Médio Oriente Unido?", questionou.

A operação de Israel contra o Hamas, na Faixa de Gaza, já causou mais de 25 mil mortos palestinianos. O Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), em Haia, está a julgar a queixa de genocídio, apresentada pela África do Sul contra Israel, que Irene Sashar não aceita.

“Depois do que vivemos no 7 de Outubro, vêm acusar-nos? Estamos a defender-nos, a tentar evitar que isto aconteça novamente. Acusar-nos de uma coisa assim... simplesmente não é compreensível”, disse.

O TIJ emitiu medidas provisórias, esta sexta-feira, pedindo a Israel que impeça e puna o incitamento direto ao genocídio, evite a destruição de provas e garanta o acesso humanitário  na Faixa de Gaza, mas não ordenou um cessar-fogo.

O pai de Irene foi morto pelos nazis e, depois da experiência no gueto, a mãe conseguiu fugir com ela para Paris. Ainda adolescente, ficaria órfã e foi acolhida por família alargada no Peru. Mais tarde, estudou nos EUA e, aos 25 anos, mudou-se para Israel, tornando-se a mais jovem professora da Universidade Hebraica e constituiu família.

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