UE falhou nas munições para a Ucrânia, mas promete aumentar montante

Militares ucranianos preparam munições antes de disparar contra posições russas perto de Bakhmut, Ucrânia, 7 de julho de 2023.
Militares ucranianos preparam munições antes de disparar contra posições russas perto de Bakhmut, Ucrânia, 7 de julho de 2023. Direitos de autor AP Photo/Evgeniy Maloletka
De  Alice TideyIsabel Marques da Silva (Trad.)
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Artigo publicado originalmente em inglês

A União Europeia (UE) não conseguirá fornecer à Ucrânia um milhão de munições até março, como tinha prometido, mas o chefe da diplomacia diz que vai haver condições para aumentar a capacidade da indústria de defesa do bloco até ao final do ano.

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Até março de 2024, Josep Borrell espera que o bloco tenha atingido cerca de 52% do seu objetivo, com mais de meio milhão de entregas à Ucrânia, e que o objetivo de um milhão só seja atingido no final do ano.

"Toda a maquinaria da indústria de defesa europeia está a funcionar e os Estados-membros estão a dar ordens. E, até ao final do ano, as entregas planeadas atingirão mais de um milhão, porque os números na calha ascendem a 630 mil", disse aos jornalistas, quarta-feira, após uma reunião informal dos ministros da Defesa, em Bruxelas.

"Penso que devemos estar bastante satisfeitos com o que conseguimos alcançar, aumentando a capacidade de produção da indústria em 40%", acrescentou.

Os Estados-membros da UE aprovaram, em março do ano passado, um plano de dois mil milhões de euros para aumentar as entregas de munições à Ucrânia, comprometendo-se a enviar um milhão de cartuchos de 155 mm, no prazo de 12 meses, para que o país se pudesse defender da invasão em larga escala da Rússia.

Mas, a menos de dois meses do prazo, Josep Borrell admitiu que apenas 330 mil munições tinham sido entregues até agora, principalmente a partir das reservas existentes nos países da UE.

O que é positivo é o facto de a produção de munições ter triplicado na Europa - claro que não é suficiente. O que também demonstrou é que a prontidão de defesa dos países europeus está muito aquém do que deveria estar.
Kaja Kallas
Primeira-ministra, Estónia

O comissário europeu para o Mercado Interno, Thierry Breton, também preferiu concentrar-se mais no aumento da capacidade de produção do que no objetivo de entrega.

"Em março passado, assumi o compromisso de poder aumentar a nossa capacidade de produção de munições, principalmente de 155 mm, para um milhão por ano", afirmou na quarta-feira.

"Hoje já estamos a esse nível. Por outras palavras, estamos dois meses adiantados em relação à nossa capacidade de produzir mais munições na Europa", acrescentou.

A primeira-ministra da Estónia, Kaja Kallas, foi mais cautelosa na sua avaliação, descrevendo o fracasso em atingir o objetivo como "uma chamada de atenção para fazer mais", reconhecendo, no entanto, que "sem este objetivo ambicioso, estaríamos numa situação pior".

"O que é positivo é o facto de a produção de munições ter triplicado na Europa - claro que não é suficiente. O que também demonstrou é que a prontidão de defesa dos países europeus está muito aquém do que deveria estar. Por isso, definitivamente, envia uma mensagem clara a toda a gente de que todos devemos fazer mais".

De acordo com a Bloomberg, as forças ucranianas estão a enfrentar uma escassez "crítica" de munições e têm apenas duas mil munições para disparar, por dia, ao longo dos 1.500 km da linha da frente, contra os sete mil que disparavam no verão.

Mais dinheiro para ajudar a economia

De acordo com o acordo alcançado na manhã de quinta-feira, os líderes da UE realizarão um debate anual sobre o Mecanismo Ucrânia, no valor de 50 mil milhões de euros (até 2027), e a forma como o dinheiro é gasto pela Ucrânia. Os líderes europeus poderão também solicitar uma revisão da Comissão Europeia ao fim de dois anos.

Este ano, o governo de Kiev precisa de cerca de 35 mil milhões de euros de ajuda internacionalpara manter em funcionamento os serviços essenciais, incluindo os cuidados de saúde, a educação, a proteção social e as pensões.

Os líderes europeus também debateram a inclusão de um fundo especial para a Ucrânia no âmbito do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz (MEAP) - o instrumento extra-orçamental ao abrigo do qual os Estados-membros forneceram armas à Ucrânia e que lhes permitiu serem reembolsados por algumas das suas contribuições.

No ano passado, Borrell propôs que os Estados-membros afectassem pelo menos 5 mil milhões de euros, por ano, durante os próximos quatro anos, à assistência militar à Ucrânia através do MEAP, mas vários Estados-membros - incluindo a Alemanha - opuseram-se a este número. 

Os Estados-membros solicitaram que as suas doações bilaterais à Ucrânia também fossem contabilizadas.

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