Rússia: Líderes das instituições da UE indignados com morte de Navalny

O líder da oposição russa Alexei Navalny, que morreu na prisão na sexta-feira
O líder da oposição russa Alexei Navalny, que morreu na prisão na sexta-feira Direitos de autor Alexander Zemlianichenko/Copyright 2021 The AP. All rights reserved
De  Mared Gwyn JonesIsabel Marques da Silva (Trad.)
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Artigo publicado originalmente em inglês

Os líderes das instituições da União Europeia (UE) teceram elogios ao opositor russo Alexei Navalny, que morreu na prisão, sexta-feira, e acusaram o presidente da Rússia, Vladmir Putin, de responsabilidade pelo seu falecimento.

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"Não há nada que Putin tema mais do que a dissidência do seu próprio povo", afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, num post na rede digital X, acrescentando que a morte de Alexei Navalny, aos 47 anos, é "um lembrete sinistro do que Putin e o seu regime são". 

Para Ursula von der Leyen, este momento deve ser um impulso para "nos unirmos na nossa luta para salvaguardar a liberdade e a segurança daqueles que se atrevem a enfrentar a autocracia".

"A UE considera o regime russo (unicamente) responsável por esta morte trágica", afirmou o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, na mesma rede social.

As palavras de Michel foram repetidas por Josep Borrell, o chefe da diplomacia da UE: "Sejamos claros: a responsabilidade é exclusiva de Putin".

"A Rússia tirou-lhe a liberdade e a vida, mas não a dignidade", disse, por seu lado, Roberta Metsola, presidente do Parlamento Europeu.

Os líderes de vários Estados-membros da UE prestaram as suas homenagens a Navalny e criticaram o Kremlin.

"Alexei Navalny não morreu na prisão, foi morto pela brutalidade do Kremlin e pelo seu objetivo de silenciar a oposição a qualquer custo", disse o presidente da Lituânia, Gitanas Nausėda.

"A morte de Alexei Navalny é mais um lembrete sombrio do regime desonesto com que estamos a lidar - e por que razão a Rússia e todos os responsáveis devem responder por cada um dos seus crimes", disse Kaja Kallas, primeira-ministra da Estónia.

A líder estónia foi, recentemente, colocada na lista oficial russa de procurados por crimes, alegadamente por terem sido retiradas estátuas da era soviética de espaços públicos naquele país.

"O regime de Putin prendeu e agora torturou até à morte um dos últimos símbolos da democracia na Rússia", afirmou a primeira-ministra da Letónia, Evika Silina. "Apelo à Rússia para que deixe de reprimir a oposição política e liberte todos os presos políticos", acrescentou Silina.

Os três Estados bálticos da UE (que foram ocupados pela União Soviética) são dos mais ferverosos apoiantes do governo da Ucrânia e apelam, amiúde, à aprovação de medidas duras da UE contra a Rússia, na sequência da invasão de há dois anos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, João Gomes Cravinho, também recorreu ao X: "Presto homenagem a Alexei Navalny, que resistiu ao regime de Putin e lutou pela democracia na Rússia. Putin usou os seus poderes arbitrários para o prender em condições cada vez mais draconianas e é responsável pela sua morte. As minhas condolências à sua família e ao povo russo".

A esperança da oposição para uma era pós-Putin

Navalny era visto como o mais feroz opositor político do presidente russo e uma alternativa à era pós-Putin.

O dissidente foi galardoado com o Prémio Sakharov do Parlamento Europeu para a Liberdade de Pensamento, em 2021, pela sua luta contra a corrupção e as violações dos direitos humanos na Rússia, apesar de vários atentados do Kremlin contra a sua vida, através de tortura e evenenamento, e da perseguição judicial para o isolar.

O prémio foi recolhido por Daria Navalnaya, filha de Alexei, numa cerimónia, em Bruxelas, quando o pai já estava a cumprir pena de prisão numa colónia russa de trabalhos forçados.

Navalny enviou a seguinte mensagem ao Parlamento Europeu: "Quero dizer que ninguém se deve atrever a equiparar a Rússia ao regime de Putin. A Rússia faz parte da Europa e nós esforçamo-nos por fazer parte dela".

"Mas também queremos que a Europa se esforce por si própria, por essas ideias fantásticas que estão no seu cerne. Lutamos por uma Europa de ideias, a celebração dos direitos humanos, da democracia e da integridade", acrescentou.

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Em 2020, Navalny foi evacuado com urgência de um hospital na Sibéria para a Alemanha, onde foi tratado depois de ter sido envenenado com um um gás do tipo Novichok.

Apesar da aparente tentativa de assassinato por parte do regime russo, regressou à Rússia em 2021, onde foi condenado a 19 anos de prisão numa colónia penal, acusado de extremismo.

Inicialmente, estava a cumprir a pena numa prisão no centro da Rússia, mas foi transferido, no final do ano passado, para uma colónia penal de "regime especial" acima do Círculo Polar Ártico.

Novas sanções contra a Rússia?

Navalny era uma pessoa que "admirávamos e apreciávamos muito" e cuja luta o bloco tinha "acompanhado durante anos", disse um alto funcionário da UE, sob condição de anonimato.

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Mas a sua morte também mostra a incapacidade do bloco, nos anos anteriores à guerra na Ucrânia, de exercer pressão diplomática suficiente sobre a Rússia para cumprir as suas obrigações em matéria de direitos humanos.

Em 2021, o bloco impôs sanções, incluindo a proibição de viajar e o congelamento de bens, aos funcionários russos responsáveis pela detenção de Navalny, ao abrigo da chamada lei Magnitsky.

Outras sanções foram impostas a indivíduos envolvidos no envenenamento químico de Navalny, em novembro de 2022, oito meses após a invasão da Ucrânia.

A sua morte será discutida quando os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE se reunirem em Bruxelas, na segunda-feira. O funcionário acrescentou que o bloco estava "pronto para ver se podemos listar (sancionar) mais pessoas envolvidas neste assassinato".

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