UE lança a missão Áspide para proteger os navios do Mar Vermelho

A fragata "Hessen" deixa o porto de Wilhelmshaven, na Alemanha, rumo ao mar vermelho, a 8 de fevereiro de 2024.
A fragata "Hessen" deixa o porto de Wilhelmshaven, na Alemanha, rumo ao mar vermelho, a 8 de fevereiro de 2024. Direitos de autor Sina Schuldt/(c) Copyright 2024, dpa (www.dpa.de). Alle Rechte vorbehalten
De  Mared Gwyn JonesIsabel Marques da Silva (Trad.)
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Artigo publicado originalmente em inglês

A União Europeia aprovou, na segunda-feira, uma missão naval específica para proteger os navios comerciais no Mar Vermelho dos ataques dos rebeldes Houthi, apoiados pelo Irão. Denominada Áspide, terá fragatas de cinco países e a sede de coordenação será na Grécia.

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A missão "Aspide" - escudo em grego - foi aprovada na reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros, em Bruxelas, e terá como objetivo preservar a liberdade de navegação no Mar Vermelho e no Golfo de Aden, uma região assolada pela instabilidade, desde novembro, quando os rebeldes Houthi começaram a atacar as embarcações com drones e foguetes.

Este grupo rebelde é apoiado pelo Irão e controla uma parte do Iémen, tendo alegado que os ataques são uma retaliação à guerra de Israel em Gaza, que até agora já custou a vida a cerca de 29 mil palestinianos.

Com 12% do comércio mundial e cerca de 30% do tráfego mundial de contentores a passar por esta via fluvial vital, os ataques ameaçam perturbar gravemente os fluxos comerciais para a Europa.

Até à data, a França, a Alemanha, a Itália e a Bélgica confirmaram que tencionam contribuir com navios para a missão da UE. A Grécia fornecerá também um navio e o quartel-general operacional, que será na cidade de Larissa. A Itália fornecerá o comandante da força e a França o vice-comandante.

Josep Borrell, chefe da diplomacia da UE disse se trata de "uma ação corajosa para proteger os interesses comerciais e de segurança da UE e da comunidade internacional".

"Para além da resposta a crises, é um passo em direção a uma presença europeia mais forte no mar para proteger os nossos interesses europeus", afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na rede social X.

Um diplomata de alto nível da UE afirmou que a Áspides tem um mandato exclusivamente "defensivo" e "só actuará quando houver uma ameaça, com o mínimo de força".

O diplomata acrescentou que a missão estará totalmente operacional dentro de "algumas semanas", com duração de um ano e poderá ser prorrogada.

Missão estritamente "defensiva"

Os países da UE estavam relutantes em apoiar a Operação Prosperity Guardian (OPG), uma missão naval liderada pelos EUA, lançada em dezembro, por recearem que o bloco estivesse a contribuir para uma escalada do conflito no Médio Oriente.

A OPG contou inicialmente com o apoio de seis Estados-membros da UE, três dos quais se distanciaram mais tarde da missão.

Desde então, os Estados Unidos e o Reino Unido têm conduzido ataques de retaliação contra alvos Houthi em território iemenita, mas o bloco europeu distanciou-se dessa ação militar.

"Não vamos neutralizar ofensivamente uma ameaça em terra", disse um segundo diplomata sénior da UE, "as regras da operação são estritamente de autodefesa".

Alguns Estados-membros da UE, tais como a Dinamarca e os Países Baixos, contribuíram para a ação militar liderada pelos EUA e pelo Reino Unido, no mar e em solo do Iémen, apoiando um maior envolvimento da UE na região para proteger a segurança e os interesses europeus.

Outros Estados-membros, nomeadamente a Espanha, preferiram uma postura mais defensiva e vetaram os planos para reorientar a missão antipirataria da UE "Atalanta" para a região.

O lançamento da missão da UE surge na sequência de uma trégua nos ataques dos Houthi. O governo do Irão deslocou a sua própria fragata para as águas do Mar Vermelho, num sinal de escalada das tensões.

Nos últimos dias, tem havido sinais de um aumento da atividade dos Houthi, com um ataque a um navio com bandeira do Belize, na segunda-feira, horas depois de o exército dos EUA ter dito que tinha atingido uma embarcação submarina não tripulada destacada pelos Houthis.

Embora os Houthis tenham inicialmente afirmado que os seus ataques visavam navios de propriedade israelita, muitos navios operados por agenets euroepus foram alvo de ataques nos últimos quatro meses.

Esta situação levou muitas das principais empresas de transporte marítimo a evitar a zona, optando pelo desvio alternativo em torno do Cabo da Boa Esperança, o que representa um acréscimo de um mês no tempo de viagem.

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Em janeiro, o comissário europeu para a Economia, Paolo Gentiloni, alertou para um potencial aumento dos preços da energia na Europa, a menos que as empresas de navegação recebessem garantias de defesa.

Um diplomata de alto nível da UE afirmou que o bloco tinha conseguido chegar a acordo e lançar rapidamente a missão para fazer face à ameaça aos fluxos comerciais, apesar das persistentes divergências entre as posições dos Estados-membros da UE sobre o conflito no Médio Oriente.

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