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Bélgica investiga rede russa suspeita de pagamentos a eurodeputados

Primeiro-ministro belga Alexander de Croo
Primeiro-ministro belga Alexander de Croo Direitos de autor Geert Vanden Wijngaert/Copyright 2024 The AP. All rights reserved
Direitos de autor Geert Vanden Wijngaert/Copyright 2024 The AP. All rights reserved
De  Mared Gwyn Jones
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Artigo publicado originalmente em inglês

O procurador federal belga abriu uma investigação para averiguar sobre informações de que uma rede de influência russa terá pago a eurodeputados para divulgarem a sua propaganda.

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Os serviços de informação belgas confirmaram a "existência de uma rede de ingerência pró-russa com atividades em vários países europeus", disse o primeiro-ministro da Bélgica, Alexander De Croo, à imprensa, na sexta-feira. O chefe de governo disse, ainda, que a rede está a ser alvo de "um processo judicial" no país.

Uma investigação recente conduzida pelos serviços secretos da Chéquia revelou que alguns eurodeputados terão recebido dinheiro de uma rede de influência política apoiada pelo regime de Moscovo para "promover" a sua propaganda no bloco europeu.

"Os pagamentos em dinheiro não tiveram lugar na Bélgica, mas a interferência sim", afirmou Alexander De Croo.

"Como a Bélgica é a sede das instituições da UE, temos a responsabilidade de defender o direito de todos os cidadãos a um voto livre e seguro", acrescentou o primeiro-ministro.

A pouco mais de dois meses da ida às urnas (6 a 9 de junho) para eleger 720 deputados do Parlamento Europeu, aumenta o receio de que representantes do governo de Vladmir Putin possam estar a recorrer a mecanismos de manipulação de informação e de interferência no processo democrático.

As bancadas de centro-esquerda, liberal e dos verdes apelaram a uma investigação rápida e os serviços de imprensa do Parlamento Eurpeus confirmaram à Euronews que estão a "analisar" as alegações.

Embora o primeiro-ministro De Croo não tenha podido especificar quantos eurodeputados poderão vir a ser integrados no processo, os meios de comunicação social checos, citando funcionários dos serviços secretos, afirmaram que as alegações envolvem políticos da Alemanha, França, Polónia, Bélgica, Países Baixos e Hungria.

A investigação checa resultou na sanção de dois indivíduos e da agência de notícias "Voz da Europa", através da qual os investigadores dizem que a operação russa foi canalizada.

O eurodeputado Maximilian Krah, do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), pronunciou-se depois de ter sido associado à "Voz da Europa", afirmando que, apesar de ter dado entrevistas à empresa, não beneficiou financeiramente.

"Não há nenhuma alegação específica de que eu tenha sido pago para qualquer uma delas", disse Krah no X. "Isto mostra o que pensar da atual campanha: Nada!"

Bélgica apela à UE para intervir

De Croo disse ter discutido a investigação com a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, e com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pediu à Eurojust, a agência do bloco para a cooperação em matéria de justiça criminal, para "convocar e discutir este assunto com urgência".

O primeir-ministro belga também quer examinar se os mandatos da Procuradoria Europeia (EPPO) e do Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF) podem permitir uma "ação penal" neste caso.

"Se não for esse o caso, devemos alargar esses mandatos", acrescentou.

As autoridades belgas estão, ainda, a investigar um escândalo de corrupção que envolve eurodeputados e outros funcionários do Parlamento, acusados de receberem dinheiro em troca de exercerem a sua influência política a favor de funcionários do Qatar, Marrocos e Mauritânia (caso que eclodiu no final de 2022).

Mas a investigação tem enfrentado turbulências e posto à prova os serviços judiciais belgas, com o anterior procurador a ser forçado a demitir-se, após alegações de que não era imparcial.

Os numerosos fracassos da investigação belga levaram muitos a classificar o caso como "Belgium-gate".

De Croo afirmou que as autoridades continuam "dedicadas" ao seu papel de "construtoras de consensos" e que continuarão a trabalhar "não apenas no interesse da Bélgica, mas de toda a UE".

O chefe de governo apoiou a proposta da Chéquia de aplicar sanções a nível da UE a indivíduos ligados à rede de propaganda, mas disse que as pessoas que "recebem" subornos também têm de ser analisadas no âmbito da investigação belga.

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