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Análise: Conferência de populistas de direita capitaliza "liberdade de expressão"

Dispositivo policial que tentou encerrar o evento naquele que foi o terceiro edifício escolhido
Dispositivo policial que tentou encerrar o evento naquele que foi o terceiro edifício escolhido Direitos de autor Sylvain Plazy/Copyright 2024 The AP. All rights reserved
Direitos de autor Sylvain Plazy/Copyright 2024 The AP. All rights reserved
De  Vincenzo GenoveseIsabel Marques da Silva (Trad.)
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A tentativa fracassada de encerrar a Conferência Nacional do Conservadorismo, em Bruxelas, com oradores populistas e de extrema-direita, suscitou críticas e condenações. O direito à liberdade de expressão acabou por ser o primado numa decisão judicial e foi capitalizado pelos participantes.

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O Conselho de Estado da Bélgica (tribunal superior em matérias administrativas) anulou a ordem de suspensão da conferência emitida pelo presidente da commune (equivalente a junta de freguesia) de Saint-Josse Ten Noode, Emir Kir, que também foi censurado pelo primeiro-ministro belga, Alexander de Croo.

Os oradores da conferência reivindicaram o seu direito de expressão, incluindo o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que disse que “em toda a Europa estamos numa encruzilhaga entre liberdade e a opressão”, comparando este caso controverso à opressão comunista, na Hungria, nos anos 80, e deu um exemplo.

"Alugámos uma casa em Budapeste e, poucas horas antes da reunião, foi dito que, infelizmente, já não estava disponível. Então procuramos outra, e eles disseram que se o responsável pelo lugar nos vendesse cerveja e comida, iria perder o seu negócio. Então, o mesmo tipo de pressão que vocês vivem aqui era muito comum na segunda metade dos anos 80, na Hungria", disse Orbán à imprensa.

Uma ameaça à ordem pública foi o argumento oficial para suspender a Conferência, mas tal começou a ser visto como uma tentativa de boicotar a extrema-direita, pelo que os organizadores capitalizaram o caso como sendo uma violação da liberdade de expressão, segundo um analista político.

"É claro que esta ação pode ser considerada como algo que ajuda a extrema-direita, em vez de a desestabilizar, porque sabemos, claro, que a extrema-direita conduz um discurso de vitimização. Dizem muitas vezes que o sistema estabelecido os quer impedir de dizer o que pensam", disse Dave Sinardet, professor de Ciência Política na Universidade Livre de Bruxelas, em entrevista à euronews.

Na Bélgica francófona, eles vão um pouco mais longe e têm o que chamamos de “cordão mediático”.
Dave Sinardet
Professor de Ciência Política, Universidade Livre de Bruxelas

Tolerar ideias intolerantes

Ete episódio reabriu um antigo debate sobre a possibilidade de tolerar até ideias intolerantes, como as frequentemente promovidas por partidos nacionalistas contra migrantes, muçulmanos e a comunidade homossexual e transgénero.

"Na Bélgica francófona, eles vão um pouco mais longe e têm o que chamamos de “cordão mediático”. Isso ignifica que os representantes da direita radical, da extrema-direita, não estão autorizados a falar nos meios de comunicação clássicos. Isso não existe na parte norte (flamenga) do país", referiu o analista.

Nigel Farage, o famoso político do Brexit (Reino Unido saiu da União Europeia) era outro dos oradores e disse à audiência que “uma nova forma de ideologia maligna” tentou silenciar a conferência.

A NatCon 2024, como o evento é apelidado, atrai muitos dos membros da extrema-direita europeia que os principais partidos moderados mais temem. As sondagens estimam que os partidos centristas, provavelmente, manterão o poder após as eleições eurpeias, em junho, mas possivelmente com uma maioria reduzida face ao aumento de votos nos partidos nacionalistas e eurocéticos.

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