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Eleições europeias: Tudo o que precisa de saber sobre a campanha em França

Apoiantes do Rally Nacional de extrema-direita francês agitam bandeiras durante uma reunião para as próximas eleições europeias em Henin-Beaumont, no norte de França, na sexta-feira, 24 de maio de 2024.
Apoiantes do Rally Nacional de extrema-direita francês agitam bandeiras durante uma reunião para as próximas eleições europeias em Henin-Beaumont, no norte de França, na sexta-feira, 24 de maio de 2024. Direitos de autor Michel Euler/Copyright 2024 The AP. All rights reserved.
Direitos de autor Michel Euler/Copyright 2024 The AP. All rights reserved.
De  Sophia Khatsenkova
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Artigo publicado originalmente em inglês

Numa altura em que se espera que 50 milhões de pessoas votem nas eleições europeias, analisamos o que está em jogo em França.

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Depois de semanas de campanha, de múltiplos comícios e debates, a corrida para as eleições europeias está a chegar ao fim. Espera-se que mais de 50 milhões de eleitores franceses se dirijam às urnas este fim de semana.

Eis tudo o que precisa de saber sobre a campanha para as eleições europeias em França.

Como é que funciona?

Os eleitores franceses poderão escolher entre 38 partidos diferentes, cada um apresentando 81 candidatos - o número total de deputados que a França enviará para o Parlamento Europeu em 2024.

É o segundo país com maior número de deputados europeus, atrás da Alemanha, que terá 96 lugares nestas eleições.

Os primeiros resultados serão anunciados na noite de 9 de junho, a partir das 20 horas.

Na sexta-feira, a partir das 23h59, até à divulgação dos primeiros resultados, às 20h00 de domingo, os candidatos franceses estão proibidos de falar publicamente sobre o escrutínio e os meios de comunicação social não podem transmitir comentários políticos nem fazer referência a sondagens ou estimativas.

Se um partido tiver obtido menos de 5% dos votos, não poderá enviar nenhum deputado ao Parlamento Europeu.

O que é que está em jogo para os diferentes partidos?

A extrema-direita: este é um duelo contra Macron

Este ano, as questões internas estão em primeiro plano na tomada de decisão de muitos eleitores franceses nas próximas eleições para a UE.

De acordo comvárias sondagens, as principais preocupações dos cidadãos franceses nestas eleições têm sido a imigração, o poder de compra e a segurança.

O partido de extrema-direita Rassemblement Nacional (RN) concebeu a sua campanha como um referendo sobre o Presidente francês Emmanuel Macron.

O candidato francês do RN às eleições europeias, Jordan Bardella, declarou que exigiria eleições legislativas antecipadas se o seu partido ganhasse.

Durante a sua última reunião de campanha em Paris, no domingo, Jordan Bardella apelou aos eleitores para votarem contra Macron.

"No próximo domingo, abster-se equivale a votar em Macron. No próximo domingo, votar noutros partidos [mais pequenos] só irá fortalecer Macron", disseBardella perante uma multidão de 5000 pessoas.

Bardella domina as sondagens com 32% das intenções de voto, de acordo com a última sondagem da Euronews.

O objetivo do partido é manter-se acima da marca dos 30%, um resultado nunca antes visto para o RN, exceto durante a segunda volta das eleições presidenciais francesas.

Mas, historicamente, o partido está habituado a perder alguns pontos no dia das eleições, devido ao facto de alguns eleitores mudarem de ideias à última da hora.

O partido liberal de Macron tenta conter os danos

Valérie Hayer, candidata do partido de centro-direita do Presidente Emmanuel Macron reúne 15,7% das intenções de voto.

A eurodeputada francesa não era muito conhecida até há pouco tempo e foi criticada por ser demasiado académica durante os debates.

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Macron tem-se esforçado para salvar o seu partido da derrota antecipada e decidiu enviar o seu primeiro-ministro Gabriel Attal para enfrentar Jordan Bardella num debate, em vez da candidata Valérie Hayer, causando reações de outros candidatos, bem como dos eleitores.

Uma entrevista televisiva em horário nobre com Emmanuel Macron está agendada para esta quinta-feira à noite, enfurecendo ainda mais os outros candidatos que apresentaram uma queixa ao regulador nacional dos media franceses (Arcom).

"O Presidente tem estado muito envolvido nestas eleições, mas todas as suas ações falharam", considerou Christophe Boutin, cientista político e professor de direito público na Universidade de Caen, na Normandia.

"Tem sido difícil melhorar as sondagens porque os seus argumentos são conhecidos. Os franceses não vêem a eficácia que o Presidente afirma que o seu partido alcançou", sublinhou Boutin numa entrevista à Euronews.

Além disso, Valérie Hayer enfrenta um rival inesperado, o candidato socialista Raphaël Glucksmann que reúne atualmente 14% das intenções de voto.

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O candidato "surpresa" do Partido Socialista

O Partido Socialista (PS-PP) tem esperança de conquistar o segundo lugar, e recuperar o terreno perdido face aos partidos de esquerda La France Insoumise (LFI) e Les Ecologistes (EELV).

Os Ecologistas obtiveram um resultado melhor do que o esperado, nas últimas eleições europeias de 2019, com 13,5% dos votos, mas desta vez, as sondagens são menos favoráveis. O partido reúne apenas 5,8% das intenções de voto, perto do perigoso limiar de 5% necessário em França para enviar deputados para Bruxelas.

O partido La France Insoumise (LFI), representado por Manon Aubry, que obtém 8% das intenções de voto, centrou a campanha em Gaza e no reconhecimento do Estado Palestiniano, na esperança de atrair um eleitorado mais jovem.

Os eleitores indecisos e a abstenção

Vinte e dois por cento dos potenciais eleitores dizem que vão decidir-se esta semana, incluindo 10% na véspera ou no próprio dia, de acordo com uma sondagem da Elabe.

A mesma sondagem indica que a maior percentagem de eleitores indecisos se encontra entre os simpatizantes dos partidos de esquerda.

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Prevê-se que a abstenção em França ronde os 50% este ano. É um pouco menos do que a média dos outros países da UE.

"Não houve uma melhoria, mas ao mesmo tempo não houve uma diminuição da taxa de abstenção em França", afirmou Christophe Boutin.

De acordo com o politólogo, os jovens são os que mais se abstêm de votar, enquanto a geração mais velha, com rendimentos mais elevados, é a que mais vota.

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