De históricos do PSD a deputados liberais e figuras do CDS-PP, multiplicam-se as declarações de voto no candidato socialista, justificadas pela defesa da Constituição, da democracia liberal e da moderação face à candidatura de André Ventura.
Luís Montenegro, Luís Marques Mendes, João Cotrim de Figueiredo e Gouveia e Melo recusaram-se a endossar ou recomendar o voto a qualquer candidato na noite eleitoral, mas isso não tem impedido várias figuras à direita de concederem o seu apoio ao candidato socialista António José Seguro.
Entre as várias personalidades de direita que já disseram que vão votar em Seguro na segunda volta a 8 de fevereiro, contam-se nomes históricos do PSD, mandatários de outras candidaturas, deputados da Iniciativa Liberal e até figuras incontornáveis do CDS-PP.
Do lado dos sociais-democratas, Miguel Poiares Maduro e Pedro Duarte foram os primeiros a chegarem-se à frente, logo na noite de domingo.
Na noite eleitoral da RTP, o antigo ministro do PSD e membro da comissão política de Marques Mendes defendeu que o candidato apoiado pelo PS seria "mais importante" e melhor para o PSD do que André Ventura, anunciando que vai votar em Seguro.
"Eu apoiarei claramente e votarei em António José Seguro", afirmou, sublinhando que "do ponto de vista dos princípios, da função presidencial, do entendimento fundamental do regime político" está "mais próximo de António José Seguro do que André Ventura".
Já o Presidente da Câmara do Porto manifestou o seu apoio em direto no programa "Princípio da Incerteza", na CNN Portugal.
"Não tenho a mais pequena dúvida em quem vou votar. É absolutamente claro e inequívoco. Vou votar em António José Seguro. Não tenho qualquer hesitação em dizê-lo", revelou o autarca e ex-ministro dos Assuntos Parlamentares do primeiro governo de Luís Montenegro.
No mesmo programa, José Pacheco Pereira, historiador e militante social-democrata, que apoiou Marques Mendes, adiantou que iria votar em António José Seguro na segunda volta das presidenciais, embora "sem entusiasmo".
"Na segunda volta, a votação vai ser contra Ventura, contra o Chega", disse em declarações à CNN Portugal.
Também José Miguel Júdice, que foi mandatário nacional da candidatura de João Cotrim de Figueiredo, declarou na CNN Portugal o seu apoio a Seguro.
"O meu mandato [como mandatário] terminou. Vou votar com total determinação, sem qualquer preocupação, em Seguro", disse o advogado, justificando que, se Cotrim não tivesse sido candidato, "teria apoiado António José Seguro na primeira volta".
Por seu lado, José Eduardo Martins classificou Seguro como um moderado e uma escolha de "clareza democrática" que faz "todo o sentido" para um social-democrata.
O antigo secretário de Estado do PSD, que apoiou Luís Marques Mendes na primeira volta, explicou numa publicação no Facebook que vai votar no candidato de centro-esquerda por considerar que é impossível conciliar um voto em André Ventura com o "respeito pela Constituição, a defesa da democracia liberal, a dignidade da pessoa humana como valor central da ordem política e o reconhecimento do Estado social como pilar essencial de uma democracia saudável".
Também o presidente da Câmara Municipal de Cascais, António Capucho, que apoiou Henrique Gouveia e Melo na primeira volta, anunciou, em declarações à TSF, que votará Seguro na segunda volta.
O antigo secretário-geral do PSD referiu que "não hesita nem um milímetro" no apoio a Seguro, considerando que o socialista já se mostrou "constante e confiável". Quanto à alternativa representada por Ventura, defendeu que seria "um terror para o país a eleição de um homem de extrema-direita, uma pessoa próxima de um imbecil como o Trump".
O deputado social-democrata e presidente do PSD/Algarve, Cristóvão Norte, também fez saber, através das redes sociais, que depositará o seu voto em António José Seguro na segunda volta. "Fá-lo-ei sem pestanejar, sem hesitação ou reserva mental", escreveu numa publicação no Facebook, argumentando que optará "pela moderação" e que "o futuro da coesão nacional depende desta escolha".
"Perante um candidato que representa um projeto iliberal, marcado por retórica inflamada, confrontação sistemática e uma visão que exclui e estigmatiza, é imperativo apoiar quem interprete a moderação", frisou.
O ex-presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, que foi mandatário nacional de Marques Mendes, também anunciou na segunda-feira que apoiará António José Seguro na segunda volta.
"Sem nenhum desprimor para com André Ventura, ele disse que não queria ser presidente de todos os portugueses, e eu quero um presidente que seja de todos, os que pensam como eu e os que pensam de forma diferente", referiu o antigo autarca na SIC Notícias.
Entre os liberais, o líder parlamentar da Iniciativa Liberal, Mário Amorim Lopes, foi o primeiro arevelar que votará no candidato apoiado pelo PS, invocando a "ameaça ao Estado de direito" que considera estar representada por André Ventura e pelo Chega.
"Voto segundo a minha consciência, à frente de interesses pessoais e partidários", afirmou, ressalvando que a sua posição não vincula o partido.
No programa Entre Políticos, da Antena 1, o deputado liberal e vice-presidente da Assembleia da República, Rodrigo Saraiva, também anunciou, na segunda-feira, que irá apoiar Seguro na segunda volta.
"Enquanto pessoa reformista, exigente e com ambição, entre alguém que quer, pelo menos, manter a previsibilidade e a estabilidade e alguém que quer tudo destruir, não tenho dúvida nenhuma de que, na segunda volta, só posso votar António José Seguro", justificou o antigo dirigente da IL.
Ainda na ala liberal, o antigo presidente da IL, Carlos Guimarães Pinto, também declarou apoio ao candidato socialista no programa "Linhas Vermelhas", da SIC Notícias.
"Não vou votar em António José Seguro como um mal menor. Estas são umas eleições presidenciais em que a personalidade, o carácter, o respeito pelas instituições, pela separação de poderes são tão ou mais importantes do que o partido de origem. E, por isso, parece-me claro que é esta a escolha, até porque Seguro já demonstrou em circunstâncias particularmente difíceis que consegue colocar o país à frente do seu ego e à frente dos interesses partidários. Por trás daquela serenidade aparente, eu vejo bastante coragem", considerou o deputado liberal.
No mesmo programa, Cecília Meireles, ex-deputada do CDS-PP, também revelou que o seu sentido de voto na segunda volta das presidenciais iria passar por Seguro.
"Tendo ponderado as duas escolhas que temos, acho que tomei a minha decisão. Acho que António José Seguro será mais árbitro do que jogador", declarou.
Ainda no campo dos democratas-cristãos, Francisco Rodrigues dos Santos, que liderou o CDS-PP entre 2020 e 2022, assumiu o seu apoio ao candidato apoiado pelo PS, na noite eleitoral da CNN Portugal.
"Não pode haver contemplações, hesitações quando está em causa um consenso matricial de valores fundacionais e civilizacionais do nosso continente e do nosso país", defendeu o centrista, que, na primeira volta, apoiou Henrique Gouveia e Melo.
Até ao momento, André Ventura não colhe ainda apoios declarados publicamente de personalidades políticas fora da esfera do Chega.