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Arménia e Azerbaijão: paz muda a Eurásia, afirmam líderes regionais

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Presidentes da Arménia e do Azerbaijão reuniram-se pela primeira vez desde o acordo de paz histórico. Atores regionais saudaram o impacto da paz no futuro de toda a região

No Fórum Económico Mundial, em Davos, um painel da Euronews juntou os presidentes da Arménia e do Azerbaijão pela primeira vez desde que assinaram um acordo de paz histórico em agosto do ano passado.

Ambas as partes elogiaram o acordo histórico, com Ilham Aliyev, Presidente do Azerbaijão, a afirmar que demonstra vontade política de ambos os países.

"Foi uma conquista histórica em agosto passado, quando os nossos dois países assinaram um acordo de paz, pondo fim a mais de três décadas de guerra e derramamento de sangue", disse. "Com este acordo, estamos a mudar uma vasta área geográfica, parte da Eurásia."

Acrescentou que os líderes de ambos os países tomaram a "decisão responsável e muito importante" de pôr fim a um conflito de 30 anos. "Podíamos ter continuado. Quero ser muito aberto convosco e com o público. Mas isso levaria a guerras sem fim. Levaria a mais sofrimento, mais vítimas."

A posição foi corroborada pelo Presidente da Arménia, Vahagn Khachaturyan, salientando que o futuro depende da paz entre os dois países.

"Vamos conseguir, porque os nossos acordos são muito concretos. Os princípios são muito completos. Respeitamos o território, a integridade, a soberania e a jurisdição de cada um. Seremos guiados por esses princípios", disse Khachaturyan.

Da hostilidade à cooperação

Os dois chefes de Estado destacaram o que a paz já trouxe desde a assinatura do acordo, incluindo benefícios económicos.

"Os benefícios da paz refletem-se no início da cooperação", disse Aliyev, explicando que as primeiras remessas de produtos essenciais e produtos petrolíferos do Azerbaijão estão a ser transportadas para a Arménia.

"Por si só, baixa os preços", disse. "O que foi alcançado é um benefício enorme para a Arménia, para o Azerbaijão e para o Sul do Cáucaso, e dá o exemplo de como países com relações profundamente hostis podem passar a uma fase de cooperação."

Khachaturyan disse que os países vão aprofundar esta relação comercial existente. "Agora, a República da Arménia pode receber carga do Azerbaijão através do território da Geórgia. Estou certo de que, um dia, poderemos receber essa carga diretamente pelos nossos próprios territórios." Aliyev concordou que esse dia "não está muito longe".

Apontou outros exemplos económicos concretos da transformação, referindo que os habitantes de Erevan, capital da Arménia, já podem comprar combustível do Azerbaijão para os seus automóveis.

O Presidente arménio assinalou que a capacidade de Arménia e Azerbaijão fazerem negócios entre si através da fronteira não será apenas benéfica localmente, mas que "como resultado desta cooperação, o Sul do Cáucaso se tornará uma região muito propícia para todo o mundo".

"Nas discussões que estamos a ter sobre a ligação entre a Europa e a Ásia, a melhor forma de o fazer é através do Sul do Cáucaso", disse Khachaturyan.

Concluiu que o processo de estreitar laços entre os dois países terá sucesso, porque há não só interesse político, mas também económico.

"Isto vai reforçar os acordos que alcançámos."

Efeito de contágio das incertezas geopolíticas

Juntou-se o Presidente da Sérvia, Aleksandar Vučić. Deixou uma avaliação sombria sobre a rápida evolução geopolítica no mundo.

"Nunca houve menos paz, estabilidade e tranquilidade no mundo. O ano passado foi o pior desde a Segunda Guerra Mundial quanto ao número de guerras lançadas por diferentes países ou dentro dos próprios países", disse.

"Há quem diga, até nos nossos países, que estamos afastados disto, mas há efeito de contágio. E todos vamos enfrentar as consequências."

Vučić alertou que o efeito de contágio das tensões entre os EUA e a Europa prejudicará significativamente os países mais pequenos. "Este divórcio entre os EUA e a Europa não vai ser apenas temporário; vai durar e, no fim, todos teremos de pagar o preço."

Observou que a Sérvia será particularmente afetada, dado o número de empresas europeias de que depende para produzir peças sobressalentes.

"Se enfrentarem tarifas mais elevadas dos EUA, que são o principal mercado dessas empresas, isso significará que teremos de encerrar fábricas e unidades na Sérvia."

Apelou a uma cooperação forte com o Azerbaijão, a Arménia e a região mais ampla. "Não há dúvida de que vamos ser atingidos. Mas, com o apoio e a ajuda de bons amigos como a Arménia e o Azerbaijão e, esperamos, também a Turquia, conseguiremos ultrapassar todas estas dificuldades."

Khachaturyan corroborou o argumento de Vučić de que "o mapa político do mundo, em mudança", tem um impacto maior nos países pequenos. "Mas ser pequeno também pode ser uma vantagem. Permite-nos agir e decidir de forma independente e implementar essas decisões autonomamente."

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