Kallas afirma que "a Europa não está a enfrentar um apagamento civilizacional" na Conferência de Segurança de Munique, em resposta à administração norte-americana, após Marco Rubio ter manifestado preocupação com o futuro de uma civilização ocidental partilhada.
Kaja Kallas rejeitou as afirmações de que a Europa está a enfrentar um declínio civilizacional que poderá levar ao seu desaparecimento, em resposta às críticas dos EUA sobre a trajetória do continente.
A principal diplomata da UE rejeitou a premissa de que a "Europa acordada e decadente" está a enfrentar o apagamento civilizacional. Os seus comentários surgem depois do Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ter dito na Conferência de Segurança de Munique que o Ocidente coletivo precisa de ser renovado após décadas de políticas mal concebidas, desde a migração em massa ao culto do clima.
Durante um painel de discussão organizado pela Euronews na Conferência de Segurança de Munique, a eurodeputada lamentou o facto da Europa estar constantemente a ser "criticada" nos círculos internacionais, apesar do que descreveu como excelentes padrões de vida e conquistas sociais.
No ano passado, um controverso relatório de segurança nacional dos EUA afirmou que a Europa enfrenta uma ameaça existencial, a menos que inverta o rumo de algumas das suas políticas de referência, citando a migração como um fator de desestabilização. Sugeriu também que a administração dos EUA daria apoio aos partidos políticos que resistissem às políticas de Bruxelas a partir do seu interior.
Rubio fez eco destas preocupações em Munique, ao mesmo tempo que sublinhou que os EUA e a Europa estão interligados por um património comum e laços históricos. No entanto, criticou a migração de "fronteiras abertas", uma abordagem "de culto" às políticas climáticas e aquilo a que chamou uma estratégia deliberada de desindustrialização que empobreceu e enfraqueceu o Ocidente.
Durante o debate, Kallas disse à editora da Euronews, Maria Tadeo, que as declarações de Rubio eram dirigidas a "nós, mas também a um público doméstico".
A mensagem de unidade transatlântica é importante, mas há questões em que os dois lados não podem estar de acordo, defendendo os valores europeus.
"A mensagem de que a América e a Europa estão interligadas, estiveram no passado e estarão no futuro, é importante", afirmou no domingo. "Também é claro que não estamos de acordo em todas as questões e que assim continuará a ser".
"Vindo de um país que ocupa o 2º lugar no Índice de Liberdade de Imprensa, ouvir críticas de um país que ocupa o 58º lugar no mesmo índice... É interessante", acrescentou Kallas, referindo-se aos EUA, que muitas vezes retrataram a UE como politicamente correta e próxima da censura.
Kallas defendeu ainda que a UE continua a ser um projeto político atrativo para muitos países que pretendem aderir, desde a Ucrânia até aos Balcãs Ocidentais, o que indica o contrário do declínio.
"Ao contrário do que alguns podem dizer, a Europa acordada e decadente não está a enfrentar o apagamento civilizacional. De facto, as pessoas continuam a querer juntar-se ao nosso clube", sublinhou.
Nas suas observações, a eurodeputada alertou também para a necessidade de não recompensar a Rússia na mesa das negociações, uma vez que uma nova ronda de conversações bilaterais entre Kiev e Moscovo, mediada pelos Estados Unidos, para pôr fim à guerra, deverá ter lugar na próxima semana em Genebra.
"A maior ameaça que a Rússia apresenta neste momento é ganhar mais na mesa de negociações do que conseguiu no campo de batalha", afirmou. "Atualmente, a Rússia está destroçada".