Comissário para o Comércio Maroš Šefčovič, está a pressionar os eurodeputados para que o acordo comercial entre a UE e os EUA seja aprovado - mas a recente decisão do Supremo Tribunal dos EUA de anular as tarifas de Trump levanta dúvidas.
O comissário para o Comércio da UE, Maroš Šefčovič, instou os legisladores na terça-feira a avançar com o pacto comercial UE-EUA, mesmo quando Washington acumula novas tarifas e a incerteza jurídica coloca em dúvida os termos do acordo.
O acordo foi abruptamente congelado na segunda-feira, depois de uma decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos ter declarado ilegal a maioria das tarifas impostas a nível mundial pela Casa Branca em 2025. Pouco depois da decisão, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou novas taxas de 10% sobre as importações de aliados dos EUA, incluindo a UE.
"É imperativo que mantenhamos o processo a avançar na implementação dos nossos compromissos", disse Šefčovič aos eurodeputados. "Uma votação em plenário em março deve continuar a ser o nosso objetivo, sob a condição, é claro, de obtermos mais clareza dos EUA".
Šefčovič disse ainda que os seus homólogos norte-americanos lhe telefonaram no sábado para o "tranquilizar" e garantir que vão "manter" o acordo se a UE "respeitar o acordo".
Comissão pressiona por votação
Mas o acordo, que foi assinado em julho de 2025 por Trump e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, depois de semanas de confrontos comerciais, está agora em suspenso e precisa da aprovação do Parlamento Europeu para entrar em vigor.
A Euronews soube que, durante uma reunião com os negociadores do Parlamento Europeu, na segunda-feira, Šefčovič pressionou os eurodeputados a procederem a uma votação, argumentando que a UE não deve entregar a Washington um argumento que Bruxelas não está a cumprir.
O acordo mantém as tarifas de 15% dos EUA sobre os produtos da UE, enquanto o bloco elimina as suas próprias tarifas sobre os produtos dos EUA e compromete-se a investir centenas de milhares de milhões de euros nos EUA.
Desde a decisão do Supremo Tribunal e as consequências em Washington, a Comissão Europeia instou a Casa Branca a honrar o acordo e procurou esclarecer os próximos passos, bem como a duração e o âmbito das novas tarifas que Trump anunciou após a decisão.
"O que estava abrangido pelo acordo desde julho do ano passado deve continuar a estar abrangido", afirmou a porta-voz da Comissão Europeia, Paula Pinho.