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"Ninguém me pode pressionar", disse o eurodeputado alemão Bernd Lange

Bernd Lange, deputado europeu (Socialistas e Democratas)
Bernd Lange, deputado europeu (Socialistas e Democratas) Direitos de autor  Euronews
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De Peggy Corlin
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O eurodeputado alemão Bernd Lange disse ao Europe Today que vai resistir às pressões da Comissão Europeia para aprovar o acordo comercial com os EUA.

O eurodeputado alemão Bernd Lange (S&D) deixou claro que não vai ceder a pressões para salvar o acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos. Refere que Washington já quebrou o acordo, na sequência da decisão do Supremo Tribunal da semana passada e da nova salva de tarifas do presidente Donald Trump.

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"Ninguém me pode pressionar. Sou um representante do Parlamento Europeu e um representante do povo", disse Lange ao programa matinal Europe Today, da Euronews.

"Para nós, é absolutamente claro que os EUA estão a quebrar o acordo", acrescentou. "Se na próxima semana não acontecer nada, então teremos de refletir sobre as contramedidas, por exemplo, as tarifas".

Os seus comentários colocaram-no em desacordo com o comissário europeu para o comércio, Maros Sefcovic, que esta semana exortou os legisladores a avançar com o pacto assinado em julho de 2025 na Escócia pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e Trump.

O acordo estabeleceu tarifas de 15% dos EUA sobre os produtos da UE, enquanto o bloco se comprometeu a reduzir as suas próprias tarifas para zero.

Essa trégua frágil está agora sob tensão. Apesar do acordo, os novos direitos aduaneiros americanos de 10% entraram em vigor na terça-feira, o que levou os eurodeputados a suspender o acordo na segunda-feira.

A Comissão Europeia está a tentar obter esclarecimentos de Washington, mas espera que os legisladores avancem com legislação em março para eliminar as tarifas da UE, tal como previsto no acordo.

Lange, no entanto, afirma que este é o terceiro incumprimento por parte dos EUA e defende que o pacto deve ser suspenso para restaurar a segurança das empresas europeias.

"A rutura está realmente do lado dos EUA e tem de ser travada, caso contrário teremos incerteza", afirmou.

"Falo com o embaixador Jamieson Greer, o representante comercial dos EUA, e é claro que temos uma boa relação, podemos falar e posso confiar nele", acrescentou Lange.

"Mas a situação e a tomada de decisões nos EUA não se baseiam num processo democrático. No final do dia, o presidente está a decidir sozinho e esta não é uma situação estável".

Os legisladores europeus já tinham congelado o acordo uma vez, depois de Trump ter ameaçado aplicar tarifas aos países da UE que não lhe permitissem adquirir a Gronelândia.

Posteriormente, o Parlamento Europeu inseriu salvaguardas que permitem que o acordo seja suspenso em caso de novas ameaças territoriais e que expire em março de 2028, se não for renovado.

Lange afirmou que os trabalhos só serão retomados quando os EUA suspenderem as novas tarifas impostas à UE e eliminarem os direitos de 50% impostos a mais de 400 derivados de alumínio e aço, em violação do acordo de Turnberry.

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