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Milhares de pessoas nas ruas de Lisboa contra o "pacote do patrão"

Manifestação contra o Pacote Laboral pelas ruas de Lisboa, na sexta-feira dia 17 de abril de 2026
Manifestação contra o Pacote Laboral pelas ruas de Lisboa, na sexta-feira dia 17 de abril de 2026 Direitos de autor  Bruno Silva / Euronews
Direitos de autor Bruno Silva / Euronews
De Ana Filipa Palma
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O protesto foi organizado pela CGTP, que ficou de fora das negociações com o governo sobre o novo pacote laboral, com início no Saldanha.

Milhares de pessoas, de norte a sul do país, não faltaram à chamada da CGTP para uma marcha de protesto contra as propostas do novo pacote laboral.

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Com início às 14h30, no Saldanha, a manifestação foi convocada após a central sindical ter afirmado que ficou de fora da reunião marcada para hoje pelo Governo com patrões e UGT.

Milhares desfilaram pelas ruas de Lisboa, entoando cânticos de protesto e hasteando faixas com mensagens como “Abaixo o pacote laboral!”, também apelidado de “pacote do patrão” ou “pacote sem direitos”.

Manifestação contra o Pacote Laboral pelas ruas de Lisboa, na sexta-feira dia 17 de abril de 2026
Manifestação contra o Pacote Laboral pelas ruas de Lisboa, na sexta-feira dia 17 de abril de 2026 Bruno Silva / Euronews

Na marcha estiveram representadas várias gerações, com destaque para jovens, reformados e trabalhadores com salários mínimos, que dizem ser os mais prejudicados pelo pacote laboral.

“Quem, durante estes dois anos de mandato, tem seguido a política que tem seguido; quem, durante estes dois anos de mandato, apresenta este pacote laboral ao país, aos trabalhadores, não faz a mínima ideia do que custa a vida de quem trabalha”, disse Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP, aos jornalistas no final da marcha.

A CGTP tem sido muito crítica das medidas apresentadas, afirmando que estas “agravam as condições dos trabalhadores” e potenciam a precariedade.

“Contratação sim, caducidade não” foram algumas das palavras de ordem que ecoaram pelas ruas e avenidas de Lisboa, ao mesmo tempo que a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, estava reunida com a UGT e as quatro confederações patronais (CIP, CCP, CAP e CTP) para “pequenas afinações” após o encontro de ontem.

Mário Mourão, secretário-geral da UGT, afirmou aos jornalistas presentes, no final do encontro, que “ainda não houve acordo”, mas que “os patrões deram luz verde à proposta da UGT”, aguardando-se agora um novo documento atualizado pelo Governo.

“Não sendo a versão que gostaríamos que fosse, é aquela que achamos que está a ser consensualizada”, afirmou também Armindo Monteiro, presidente da CIP — Confederação Empresarial de Portugal.

Também a ministra do Trabalho falou à comunicação social informando que mesmo sem um parecer favorável da UGT ao documento de hoje "o documento que o governo apresentará ao Parlamento será este".

A ministra disse que o projeto “não é aquele que o Governo gostaria” mas que será "uma coisa a meio entre o anteprojeto de verão e a versão que chegámos hoje", diz reforçando que teve aberto ao longo dos tempos aos "contributos muito relevantes das corporações sindicais, das corporações patronais e também da sociedade civil".

A manifestação pacífica terminou em São Bento, em frente à Assembleia da República.

O dia ficou também marcado por uma greve na função pública, com escolas, serviços de saúde e repartições encerrados, e por uma forte adesão no setor privado, deixando o país a meio gás.

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