Ao Europe Today da Euronews, Xavier Bettel disse que uma vez confrontou o primeiro-ministro húngaro cessante, Viktor Orbán, sobre a lei que este tinha aprovado contra as pessoas LGBTQ+. Bettel afirmou que disse a Orbán: "Ser gay não é uma escolha, mas ser homofóbico é".
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Luxemburgo, Xavier Bettel, comparou a discriminação das minorias na Hungria sob o governo de Orbán às políticas dos regimes fascistas.
Bettel, que foi também primeiro-ministro do Luxemburgo entre 2013 e 2023, recordou como colocou as suas objeções diretamente ao primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, durante uma reunião de líderes da UE em Bruxelas.
"Não é o facto de ser homossexual que me leva a lutar pelos direitos dos homossexuais, mas sim o facto de lutar pelas minorias e é sempre mais fácil lutar contra o grupo mais pequeno em alguns países", disse à correspondente da Euronews, Shona Murray.
"Como disse a Viktor Orbán naquele momento, não foi uma escolha minha [ser homossexual] e a parte mais difícil foi aceitar-me e depois ser censurado por ser diferente dele, e eu disse: 'Ser homossexual não é uma escolha, mas ser homofóbico é uma escolha'", afirmou Bettel.
Bettel comparou as leis com as que, no passado, visavam minorias como os judeus ou os ciganos em toda a Europa.
"Fazer política culpando alguém faz-me lembrar seriamente como começou com os judeus e depois com os ciganos, etc.", afirmou.
O ministro falava à Euronews durante uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros no Luxemburgo, quando o Tribunal de Justiça Europeu decidiu que as leis húngaras anti-LGBTQ+ violam as regras da UE e infringem a igualdade e os direitos das minorias.
A legislação de Orbán proibia a exibição de conteúdos relacionados com a homossexualidade e a transexualidade a menores, por alegadamente violar as leis de proteção das crianças. Na televisão, estes conteúdos apenas eram transmitidos em horário noturno e com uma classificação para maiores de 18 anos. Já nas livrarias, os livros sobre estas temáticas tinham de ser embrulhados em plástico, embora continuassem disponíveis.
Esta lei húngara foi amplamente criticada pela maioria dos países da UE, bem como por grupos de defesa dos direitos humanos, quando foi introduzida no país, em 2021. Numa ação sem precedentes, a Comissão Europeia e 15 países da UE lançaram uma ação judicial contra Budapeste, argumentando que a legislação infringia vários direitos estabelecidos pelos Tratados Europeus.
O mais alto tribunal da Europa considerou esta semana que a lei "estigmatiza e marginaliza" as pessoas LGBTQ+ e viola o artigo 2.º do Tratado da União Europeia, que garante valores de respeito pela "dignidade humana, liberdade, democracia e igualdade".
Bettel afirmou que Orbán não respondeu quando lhe apresentou as suas queixas perante a reunião de 25 outros Chefes de Estado e de Governo da UE, bem como da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do então presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.
"Foi uma resposta muito clara de Viktor, porque normalmente ele responde sempre e não respondeu", explicou Bettel.
"E na sala de reuniões fez-se silêncio quando tomei a palavra, porque o assunto não estava na ordem de trabalhos", disse Bettel.
Bettel disse a Orbán que a sua lei não impediria as pessoas de serem homossexuais pelo facto de terem nascido homossexuais e que proibir o acesso a conteúdos que mostrem pessoas homossexuais na televisão não funcionaria.
"Disse ao Viktor, naquele momento, que não me tornei homossexual por ver televisão", remata.