O programa de regularização de Madrid tem sido um terreno fértil em desinformação desde que foi anunciado no início deste ano.
A imagem da primeira página de um jornal que circula amplamente na Internet, afirmando que o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, vai dar aos imigrantes recentemente regularizados 2.800 euros por mês e por família, durante dois anos, até encontrarem um emprego, é falsa.
O artigo, que supostamente pertence a um jornal chamado "El Diario de España", refere-se à recente medida de Madrid que concedeu a cerca de 500.000 imigrantes indocumentados um estatuto legal, permitindo-lhes requerer uma autorização de residência renovável por um ano, desde que comprovem que vivem em Espanha há pelo menos cinco meses.
No entanto, a primeira página e as suas afirmações são falsas. O jornal El Diario de España nem sequer existe, não havendo qualquer indício de que tenha um site.
A suposta data de publicação do artigo é 24 de maio de 2024, mas isso não corresponde à cronologia real: o governo espanhol só anunciou o seu plano de regularização em janeiro de 2026 e este entrou em vigor em abril.
O artigo falso apresenta uma fotografia de Sánchez atrás de um púlpito, onde se lê "Plano de Inclusão e Coesão Social 2024-2026", mas uma pesquisa na Internet também não revela a existência desta iniciativa.
O texto do decreto real que estabelece o programa de regularização não faz referência ao facto de os imigrantes receberem 2.800 euros por mês.
Madrid negou que vá distribuir tal quantia, reiterando que os beneficiários da medida poderão residir e trabalhar legalmente em Espanha.
Devem ter um registo criminal limpo e têm até 30 de junho para pedir um visto de trabalho renovável.
O plano de regularização tem sido objeto de muita controvérsia e desinformação desde que foi anunciado.
O Cubo já desmascarou casos de políticos franceses que afirmam que os imigrantes regularizados em Espanha poderão instalar-se em França, bem como outros que alegam falsamente que lhes será concedido automaticamente o direito de voto.
Os funcionários da Comissão Europeia mostraram-se hesitantes em relação a esta medida, por recearem que possa pôr em causa as fronteiras abertas do Espaço Schengen e entrar em conflito com o desejo da UE de reforçar os controlos da imigração.
No entanto, a ministra espanhola das migrações, Elma Saiz, disse recentemente numa entrevista à Euronews que se trata de um "modelo para a Europa", que permitirá que os imigrantes que já vivem e trabalham no país adquiram os direitos e obrigações adequados perante o Estado.