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Hungria pronta a sancionar o chefe da Igreja Ortodoxa russa, o patriarca Cirilo

Alta Representante Kaja Kallas quer acelerar ação contra a 'frota sombra'
Alta Representante Kaja Kallas quer acelerar medidas contra a "shadow fleet" Direitos de autor  Vadim Ghirda/Copyright 2017 The AP. All rights reserved.
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De Jorge Liboreiro & Luca Bertuzzi & Sandor Zsiros
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"Mini pacote" de sanções vai ser discutido por embaixadores da UE esta semana, visando cerca de dez pessoas antes protegidas pelo governo de Viktor Orbán e alguns navios russos.

Novo governo húngaro sinaliza disponibilidade para permitir à União Europeia sancionar o patriarca Cirilo, chefe da Igreja Ortodoxa russa, e outras pessoas que o antigo primeiro-ministro Viktor Orbán tinha protegido, pôde confirmar a Euronews.

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A medida pode abrir caminho para que uma das figuras religiosas mais influentes da Rússia seja acrescentada à lista negra do bloco. Esta, e outras, medidas fazem parte de um “mini” pacote de sanções já está a ser preparado, indicaram responsáveis.

A UE tentou pela primeira vez colocar Cirilo na lista negra em 2022, acusando-o de apoiar a invasão em grande escala da Ucrânia e de difundir propaganda revisionista. Mas a Hungria, sob Orbán, bloqueou a iniciativa, alegando tratar-se de uma questão de liberdade religiosa.

Bruxelas espera que o sucessor de Orbán, Péter Magyar, permita agora a decisão. Magyar procura afastar-se do uso notório que Orbán fazia do poder de veto.

“Sanções que comprometam a estabilidade económica da Hungria são completamente inaceitáveis”, afirmou à Euronews Márton Hajdu, aliado próximo de Magyar e presidente da comissão dos Negócios Estrangeiros do parlamento húngaro.

“Mas, nos casos em que o anterior governo usou o poder do Estado húngaro para fechar acordos privados, espero que o novo governo não bloqueie os esforços conjuntos da UE para aumentar a pressão sobre a Rússia a fim de pôr fim a esta guerra.”

Outros cidadãos russos foram inicialmente adicionados à lista de sanções, mas foram depois retirados a pedido de Orbán, nomeadamente o ministro do Desporto, Mikhail Degtyaryov, e o oligarca Viatcheslav Kantor. Os seus nomes podem agora voltar a ser discutidos.

“Rever nomes não é invulgar”, disse uma fonte diplomática da UE à Euronews.

As sanções dependem da unanimidade e a lista de nomes propostos pode mudar à medida que as negociações avançam.

O primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, que também recorreu ao veto para poupar alguns cidadãos russos, não estava no cargo quando a UE tentou colocar Cirilo na lista negra em 2022.

Rússia: “frota sombra” sob escrutínio

Além de sancionar figuras particulares, a proposta em preparação, de alcance limitado, visa um conjunto restrito de navios da “frota sombra” que a Rússia utiliza para contornar as restrições ocidentais às vendas de petróleo.

A “frota sombra” tem sido acusada de navegar com bandeiras falsas e seguros abaixo dos padrões, de se envolver em atos de sabotageme de ameaçar o ambiente.

Nos últimos meses, vários países, como França, Suécia e Polónia, abordaram navios suspeitos, demonstrando maior determinação em reprimir estas evasões.

A alta representante Kaja Kallas instou a UE a agir mais rapidamente contra a “frota sombra”, sem esperar por um pacote de sanções completo.

“Adotámos também a abordagem de trabalhar nas sanções contra a ‘frota sombra’ numa base contínua; não estamos a montar grandes pacotes, mas, assim que temos conhecimento dos navios, vamos colocá-los na lista”, afirmou no mês passado.

Como resultado, a UE começará a visar navios da “frota sombra” e pessoas específicas de forma contínua, uma novidade na forma de trabalhar do bloco.

Os embaixadores têm marcada para sexta-feira uma primeira discussão sobre a proposta, com o objetivo de a adotar no Conselho dos Negócios Estrangeiros de 15 de junho.

O 21.º pacote de sanções económicas deverá ser apresentado em junho, com a ambição de aprovação final até 15 de julho.

Aproveitando o impulso do período pós-Orbán, a UE pondera ainda alterar o período de renovação das sanções de seis meses para um ano, algo a que o primeiro-ministro húngaro se opunha firmemente para manter a sua margem de veto.

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