O pontífice visitou o cais de Arguineguín, na Gran Canaria, onde se reuniu com migrantes e organizações humanitárias e apelou a uma maior cooperação internacional para fazer face à crise migratória.
O Papa Leão XIV iniciou, esta quinta-feira, a sua visita às Canárias com uma mensagem centrada na crise migratória e na necessidade de uma resposta conjunta a um dos principais desafios que o arquipélago enfrenta. O pontífice chegou a Gran Canária pela manhã, a terceira etapa da sua viagem por Espanha após passar por Madrid e Barcelona, e dirigiu-se diretamente ao cais de Arguineguín, um dos símbolos da rota migratória atlântica.
No seu primeiro ato nas ilhas, Leão XIV reuniu-se com imigrantes, voluntários e trabalhadores humanitários ligados aos dispositivos de acolhimento. Durante a sua intervenção, alertou que a Europa não pode habituar-se a que o mar Mediterrâneo e o Atlântico se transformem em "cemitérios sem lápides" e defendeu uma maior cooperação entre os países de origem, de trânsito e de destino para proteger os direitos dos imigrantes. "A dignidade humana não tem passaporte", afirmou.
Durante o evento, intitulado "Entre as duas margens", o líder da Igreja Católica iniciou o seu discurso com palavras contundentes: "Hoje, junto ao mar, a palavra torna-se concreta: chegam aqui tantas vidas feridas, despojadas de quase tudo, mas nunca da sua dignidade". O Santo Padre concluiu a sua mensagem de forma contundente: "Hoje, aqui, junto ao mar, cada vida que chega pergunta-nos o que resta da nossa humanidade. Mais cedo ou mais tarde, saber-se-á se soubemos preservá-la ou se deixámos que a indiferença falasse por nós".
Com este ato comovente, o Papa Leão XIV cumpriu um plano do seu antecessor, o Papa Francisco, que faleceu em abril de 2025 sem ter conseguido visitar as Ilhas Canárias para testemunhar em primeira mão a crise migratória.
O encontro em Arguineguín, considerado um dos momentos mais simbólicos da visita, incluiu testemunhos de migrantes e representantes de organizações humanitárias que trabalham nas Canárias. O Papa insistiu na necessidade de abrir vias seguras e legais, reforçar o acolhimento e combater as redes que lucram com o tráfico de pessoas.
Após a sua passagem pelo sul da Gran Canaria, Leão XIV deslocar-se-á a Las Palmas de Gran Canaria, onde visitará a Catedral de Santa Ana e terá um encontro com membros da Igreja das Canárias. O dia culminará com uma missa multitudinária no Estádio de Gran Canaria, para a qual se espera a presença de cerca de 40.000 pessoas.
A visita às Canárias, a primeira de um pontífice ao arquipélago, constitui a etapa final da viagem apostólica de Leão XIV a Espanha e coloca em destaque a realidade migratória de uma das principais portas de entrada na Europa a partir de África. Na sexta-feira, o Papa continuará a sua viagem em Tenerife, antes de regressar a Roma.