Os embaixadores da UE não conseguiram chegar a acordo sobre os próximos passos a dar no que diz respeito às sanções contra os colonatos israelitas – e, na ausência de uma maioria a favor de qualquer opção, os diplomatas admitiram que não existe um caminho claro a seguir.
Os Estados-membros voltaram a debater opções para medidas restritivas contra os colonatos ilegais de Israel, mas nenhuma maioria apoiou uma linha de ação específica, e continua a não haver uma orientação clara.
Na quarta-feira, a delicada questão das relações com Israel voltou a ser debatida pelos embaixadores da UE, que discutiram os próximos passos relativamente a uma série de opções para sancionar os colonatos do país nos Territórios Palestinianos Ocupados.
As opções — que vão desde uma aplicação mais rigorosa das regras de rotulagem existentes para os produtos dos colonatos, passando por tarifas proibitivas, até uma proibição total do comércio — foram debatidas na última reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE.
Segundo a responsável pela política externa da UE, Kaja Kallas, "a opção que obteve maior apoio foi a proibição do comércio com os colonatos ilegais". Foi ela própria quem lançou a ideia de convocar uma reunião extraordinária dos ministros dos Negócios Estrangeiros para fazer avançar o dossiê.
No entanto, o debate entre os embaixadores, destinado a dar orientação política à presidência irlandesa do Conselho da UE, não produziu qualquer indicação clara. Quatro diplomatas afirmaram à Euronews que não havia apoio suficiente para sustentar nenhuma das opções propostas.
"Não há um sentido de orientação concreto", afirmou um diplomata da UE à Euronews sob condição de anonimato. "Os Estados-membros não quiseram avançar por enquanto."
Nos termos dos tratados da UE, o Conselho pode solicitar, por maioria simples, que a Comissão apresente uma proposta. Até ao momento, o executivo da UE tem-se mostrado relutante em avançar com sanções contra os colonatos israelitas, considerando que o apoio político é insuficiente.
Israel continua a ser um tema controverso entre as capitais da UE. Enquanto países como os Países Baixos, a Suécia e França têm pressionado para que se tomem medidas contra as importações provenientes dos colonatos israelitas, a Alemanha e a Chéquia têm resistido a iniciativas que possam afastar o governo israelita.
"Alguns Estados-membros procuram uma via a seguir, mas outros não avançam em nenhuma direção", afirmou um segundo diplomata. "Não conseguimos perceber o que se estava a passar."
O apoio a uma proibição comercial não está longe de atingir a maioria simples, mas o limiar de 14 Estados-membros ainda não foi alcançado. Cerca de sete países opõem-se, alegadamente, a qualquer uma das propostas, enquanto outros ainda não tomaram uma posição.
Sem nada que incline a balança para um lado ou para o outro, os diplomatas concordam que não há uma ideia clara do que se seguirá. O panorama é complicado ainda mais pelas próximas eleições parlamentares em Israel, no final de outubro, o que torna ainda menos provável qualquer iniciativa da UE, por receio de ser vista como uma interferência na política interna.
A Presidência irlandesa encerrou a reunião anunciando que se realizarão novas consultas bilaterais durante o verão. A reunião extraordinária do Conselho dos Negócios Estrangeiros proposta por Kallas parece agora improvável, com a urgência política a concentrar-se noutros dossiês, nomeadamente o recrudescimento das hostilidades entre os EUA e o Irão.
A próxima discussão de alto nível atualmente prevista é a reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros na Irlanda, no início de setembro. Mesmo assim, não é claro se haverá tempo para abordar a questão, uma vez que a atenção se deslocou para outros assuntos.
"Todos sabemos que é complicado, mas não se pode forçar", disse o primeiro diplomata à Euronews. "É preciso mais tempo."