Contratos de obras adjudicadas à Construbarcelos durante o mandato de Luís Neves estão a ser investigados a nível europeu. Atual diretor nacional da PJ foi convocado para reunião com representantes da Procuradoria Europeia.
A Procuradoria Europeia (PE) contactou a Direção Nacional da Polícia Judiciária (PJ) para fornecer um vasto conjunto de documentos sobre os vários contratos de obras adjudicadas à Construbarcelos durante o mandato de Luís Neves como diretor nacional daquela polícia, avançou a TVI/CNN Portugal na segunda-feira à noite.
O atual diretor da PJ, Carlos Cabreiro, também foi convocado para uma reunião com representantes deste órgão de investigação, que funciona como um Ministério Público europeu independente e que investiga sobretudo suspeitas relacionadas com fraudes, nomeadamente decorrentes da utilização ilegal de dinheiro de fundos europeus.
No centro deste **"**processo de verificação" — uma espécie de averiguação preventiva — eestarão vários contratos de obras adjudicadas entre 2019 e 2025 à Construbarcelos, a mesma empresa que fez obras na propriedade do atual ministro da Administração Interna, Luís Neves, em São Teotónio, concelho de Odemira.
Contactado pela CNN Portugal para comentar o processo de averiguação aberto pela Procuradoria Europeia, Luís Neves disse estar "inteiramente disponível para colaborar com as autoridades e prestar todos os esclarecimentos" que lhe forem solicitados. "Todas as averiguações, investigações, inspecções ou audições são sempre de saudar, porque relevantes para o esclarecimento da verdade", respondeu.
Já o diretor Carlos Cabreiro disse apenas que "a Polícia Judiciária não tem qualquer comentário a fazer sobre as questões colocadas" pela CNN Portugal, sem confirmar a reunião com os procuradores europeus, nem esclarecer que documentos foram solicitados à PJ.
Do mesmo modo, a Procuradoria Europeia indicou que "regra geral, não comenta as investigações em curso, nem confirma publicamente em que casos está a trabalhar, para não pôr em perigo os possíveis procedimentos em curso e o seu resultado".
Ao mesmo tempo, decorre, em Portugal, um inquérito crime da Procuradoria-Geral da República para apurar como um atrelado apreendido pela PJ durante o desmantelamento de um laboratório de fabrico de cocaína apareceu no armazém do empreiteiro João Carvalho, dono da Construbarcelos.
Nesse inquérito aberto pela Judiciária, e cuja investigação está a ser feita diretamente pelo Ministério Público (MP), estão a ser investigados alegados crimes de descaminho e eventualmente de abuso de poder.