Este resumo fornece uma vis\u00e3o da economia. Vamos conhecer outro ponto de vista, o de Angel Gurria, secret\u00e1rio-geral da OCDE, em Paris. euronews: \u0022Lan\u00e7\u00e1mos-lhe um desafio: trazer um ou dois objetos que simbolizem os desafios do crescimento econ\u00f3mico na Europa. Pode explicar-nos o que significam?\u0022 Angel Gurria: \u0022\u00c9 f\u00e1cil subestimar a Europa mas \u00e9 necess\u00e1rio olhar para o que est\u00e1 debaixo do andaime. Uma pessoa poupa dinheiro durante tr\u00eas anos para ir \u00e0 Europa visitar a catedral de Notre Dame em Paris, o Duomo de Mil\u00e3o ou a catedral de Col\u00f3nia e, quando chega, as catedrais est\u00e3o cobertas de andaimes. Mas, quando regressa, tr\u00eas anos depois, as obras terminaram. \u00c9 essa a vis\u00e3o da Europa que se reinventa e refor\u00e7a em perman\u00eancia, sempre a trabalhar de capacete e esp\u00e1tula na m\u00e3o\u0022. O caso irland\u00eas Em Dublin por todo o lado h\u00e1 gruas. Uma paisagem bem diferente da dos anos desoladores da crise financeira importada dos Estados Unidos em 2008. O setor da constru\u00e7\u00e3o est\u00e1 em alta. \u0022No pico, a constru\u00e7\u00e3o representou 25% do PIB. Quando est\u00e1vamos em queda esse valor desceu at\u00e9 aos 3%. Atualmente estamos nos 6 ou 7%. Mas os economistas acreditam que dever\u00edamos estar nos 12 ou 15%, por isso, ainda h\u00e1 um caminho a percorrer para atingir um n\u00edvel sustent\u00e1vel\u0022, considerou Frank Kelly, vice-presidente da Federa\u00e7\u00e3o da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o. Na Irlanda, a retoma faz-se sentir ao n\u00edvel das exporta\u00e7\u00f5es, que bateram recordes no ano passado, e ao n\u00edvel do consumo. O desemprego baixou para os n\u00edveis anteriores \u00e0 crise. Para o setor da constru\u00e7\u00e3o, o papel do setor p\u00fablico \u00e9 fundamental. \u0022Reconhece-se que \u00e9 importante haver um equil\u00edbrio entre o desenvolvimento do setor privado e o setor p\u00fablico. As infraestruturas s\u00e3o absolutamente necess\u00e1rias para sustentar tudo o resto\u0022, acrescentou Frank Kelly. A Irlanda serve frequentemente de exemplo para outros pa\u00edses, mas, a economia irlandesa possui algumas especificidades que a tornam incompar\u00e1vel. \u0022Os n\u00fameros relativos ao crescimento da Irlanda s\u00e3o distorcidos pela presen\u00e7a de grandes multinacionais que se instalaram no pa\u00eds por motivos fiscais. Mas, mesmo subtraindo o valor dos contratos industriais que as multinacionais realizam fora do pa\u00eds, a taxa de crescimento do PIB irland\u00eas \u00e9 o dobro da m\u00e9dia europeia\u0022, sublinhou Giovanni Magi, rep\u00f3rter da euronews. A Irlanda enfrenta agora um novo desafio: o Brexit. \u0022Estamos perante o desconhecido com o Brexit, que \u00e9 a maior fonte de incerteza e risco para a Irlanda. Se houver uma vers\u00e3o dura do Brexit, as consequ\u00eancias econ\u00f3mica ser\u00e3o mais negativas. Mas, mesmo tendo em conta o impacto do Brexit no m\u00e9dio e no longo prazo, a economia irlandesa dever\u00e1 continuar a crescer\u0022, afirmou Simon Barry, economista do Ulster Bank, na Irlanda. O futuro do trabalho face \u00e0 robotiza\u00e7\u00e3o Menos certo \u00e9 o futuro do trabalho. A robotiza\u00e7\u00e3o pode por em causa empregos e aumentos salariais. A vis\u00e3o de Angel Gurria, secret\u00e1rio-geral da OCDE, em Paris: euronews: \u0022No m\u00e9dio prazo, n\u00e3o se v\u00ea crescimento dos sal\u00e1rios devido ao efeito da infla\u00e7\u00e3o. \u00c9 um problema que se vai colocar?\u0022 Angel Gurria: \u0022A quest\u00e3o dos sal\u00e1rios tem sido um problema no Jap\u00e3o, nos Estados Unidos, no M\u00e9xico e na Europa. Porque a tecnologia vai sempre contra a cria\u00e7\u00e3o de empregos. E porque as empresas tentam criar um clima favor\u00e1vel aos neg\u00f3cios quando h\u00e1 m\u00e3o-de-obra qualificada que se adequa a essa procura. Nos pr\u00f3ximos dez a quinze anos, entre 10 a 14% dos trabalhadores poder\u00e3o ser obrigados a mudar de trabalho e 30% ser\u00e3o confrontados com altera\u00e7\u00f5es na forma como trabalham no dia-a-dia\u0022. euronews: \u0022Estamos a ver o surgimento de guerras comerciais. Considera que \u00e9 um risco? A Europa deve depender mais da procura interna?\u0022 Angel Gurria: \u0022As guerras s\u00e3o sempre m\u00e1s. \u00c9 preciso um di\u00e1logo para resolver os problemas, sen\u00e3o s\u00f3 trataremos dos sintomas e n\u00e3o da causa. A cada ano ou a cada dois anos seremos obrigados a lidar com a mesma coisa sen\u00e3o resolveremos os problemas. A Europa n\u00e3o enfrenta uma guerra comercial, neste preciso momento e esperemos que isso n\u00e3o aconte\u00e7a. Mas a quest\u00e3o \u00e9 como planear o futuro\u0022. euronews: \u0022Como pode a Europa faz\u00ea-lo se um dos estados membros mais importantes se vai embora? Quais s\u00e3o os maiores riscos? O Brexit, a rela\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos ou as duas coisas?\u0022 Angel Gurria: \u0022A rela\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos \u00e9 fundamental porque eles s\u00e3o um cliente importante. O Brexit \u00e9 um fator disruptivo. O Reino Unido ser\u00e1 sempre um parceiro comercial importante para a Europa e a economia europeia vai continuar a ser importante. Perdemos uma d\u00e9cada a lutar pela retoma econ\u00f3mica e ainda sentimos os efeitos da crise, como o aumento das desigualdades e a queda da confian\u00e7a nos governos e nas institui\u00e7\u00f5es\u0022. \u0022Real", "dateCreated": "2018-03-30 12:50:09", "dateModified": "2018-04-02 19:14:00", "datePublished": "2018-04-03 18:00:08", "image": { "@type": "ImageObject", "url": "https://static.euronews.com/articles/stories/03/11/55/76/1440x810_cmsv2_369d34a6-8811-5c9d-aba1-d64f8f77a033-3115576.jpg", "width": "1440px", "height": "810px", "caption": "A economia europeia dever\u00e1 continuar a crescer no pr\u00f3ximo ano, mas, a robotiza\u00e7\u00e3o pode por em causa empregos e sal\u00e1rios.", "thumbnail": "https://static.euronews.com/articles/stories/03/11/55/76/385x202_cmsv2_369d34a6-8811-5c9d-aba1-d64f8f77a033-3115576.jpg", "publisher": { "@type": "Organization", "name": "euronews", "url": "https://static.euronews.com/website/images/euronews-logo-main-blue-403x60.png" } }, "author": { "@type": "Person", "name": "Euronews", "url": "https://pt.euronews.com/", "sameAs": [ "https://www.facebook.com/pt.euronews", "https://twitter.com/euronewspt", "https://flipboard.com/@euronewspt", "https://www.linkedin.com/company/euronews" ] }, "publisher": { "@type": "Organization", "name": "Euronews", "legalName": "Euronews", "url": "https://pt.euronews.com/", "logo": { "@type": "ImageObject", "url": "https://static.euronews.com/website/images/euronews-logo-main-blue-403x60.png", "width": "403px", "height": "60px" }, "sameAs": [ "https://www.facebook.com/pt.euronews", "https://twitter.com/euronewspt", "https://flipboard.com/@euronewspt", "https://www.linkedin.com/company/euronews" ] }, "video": { "@type": "VideoObject", "name": "A retoma na Europa: empregos e sal\u00e1rios", "description": "A economia europeia dever\u00e1 continuar a crescer no pr\u00f3ximo ano, mas, a robotiza\u00e7\u00e3o pode por em causa empregos e sal\u00e1rios.", "thumbnailUrl": "https://static.euronews.com/articles/stories/03/11/55/76/385x202_cmsv2_369d34a6-8811-5c9d-aba1-d64f8f77a033-3115576.jpg", "width": "385px", "height": "202px", "uploadDate": "2018-04-03 18:00:08", "duration": "PT8M14S", "contentUrl": "https://video.euronews.com/mp4/med/EN/RB/SU/18/04/03/pt/180403_RBSU_3400518_3400519_494000_170636_pt.mp4", "embedUrl": "/embed/3115590", "publisher": { "@type": "Organization", "name": "Euronews", "legalName": "Euronews", "url": "https://pt.euronews.com/", "logo": { "@type": "ImageObject", "url": "https://static.euronews.com/website/images/euronews-logo-main-blue-403x60.png", "width": "403px", "height": "60px" }, "sameAs": [ "https://www.facebook.com/pt.euronews", "https://twitter.com/euronewspt", "https://flipboard.com/@euronewspt", "https://www.linkedin.com/company/euronews" ] } } }, { "@type": "WebSite", "name": "Euronews.com", "url": "https://pt.euronews.com/", "potentialAction": { "@type": "SearchAction", "target": "https://pt.euronews.com/search?query={search_term_string}", "query-input": "required name=search_term_string" }, "sameAs": [ "https://www.facebook.com/pt.euronews", "https://twitter.com/euronewspt", "https://flipboard.com/@euronewspt", "https://www.linkedin.com/company/euronews" ] } ] }
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A retoma na Europa: empregos e salários

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De  Euronews
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A retoma na Europa: empregos e salários

A União Europeia e a zona Euro cresceram, no ano passado, ao ritmo mais rápido da última década. A tendência deverá manter-se este ano e no próximo. Será que a retoma veio para ficar?

O PIB é apenas um indicador. Será que todos os cidadãos da União Europeia vão tirar partido desse crescimento? Reunimos alguns elementos que nos poderão ajudar a prever o futuro da economia europeia.

Em primeiro lugar, vamos conhecer a análise da Comissão Europeia. De acordo com Bruxelas, o PIB vai continuar a aumentar no próximo ano. A confiança dos consumidores e das empresas cresce à medida que o PIB aumenta. A inflação global, que inclui o preço da energia e dos alimentos, deverá aumentar, mas, a inflação subjacente, que não inclui esses produtos, deverá manter-se baixa. O consumo deverá continuar a estimular o crescimento em 2018, favorecendo a indústria no conjunto dos setores e países.

O acesso ao crédito deverá ajudar as empresas, favorecendo o aumento do investimento. As empresas poderão exportar mais no mundo inteiro, apesar de o Euro permanecer forte, o que poderá levar, em teoria, ao crescimento do emprego. Em 2018, a riqueza deverá aumentar em todos os países da União Europeia. No entanto, há fatores de risco: o Brexit, as tensões geopolíticas e as mudanças na regulação do setor financeiro, entre 2018 e 2019.

Este resumo fornece uma visão da economia. Vamos conhecer outro ponto de vista, o de Angel Gurria, secretário-geral da OCDE, em Paris.

euronews: "Lançámos-lhe um desafio: trazer um ou dois objetos que simbolizem os desafios do crescimento económico na Europa. Pode explicar-nos o que significam?"

Angel Gurria: "É fácil subestimar a Europa mas é necessário olhar para o que está debaixo do andaime. Uma pessoa poupa dinheiro durante três anos para ir à Europa visitar a catedral de Notre Dame em Paris, o Duomo de Milão ou a catedral de Colónia e, quando chega, as catedrais estão cobertas de andaimes. Mas, quando regressa, três anos depois, as obras terminaram. É essa a visão da Europa que se reinventa e reforça em permanência, sempre a trabalhar de capacete e espátula na mão".

O caso irlandês

Em Dublin por todo o lado há gruas. Uma paisagem bem diferente da dos anos desoladores da crise financeira importada dos Estados Unidos em 2008. O setor da construção está em alta.

"No pico, a construção representou 25% do PIB. Quando estávamos em queda esse valor desceu até aos 3%. Atualmente estamos nos 6 ou 7%. Mas os economistas acreditam que deveríamos estar nos 12 ou 15%, por isso, ainda há um caminho a percorrer para atingir um nível sustentável", considerou Frank Kelly, vice-presidente da Federação da Indústria da Construção.

Na Irlanda, a retoma faz-se sentir ao nível das exportações, que bateram recordes no ano passado, e ao nível do consumo. O desemprego baixou para os níveis anteriores à crise. Para o setor da construção, o papel do setor público é fundamental.

"Reconhece-se que é importante haver um equilíbrio entre o desenvolvimento do setor privado e o setor público. As infraestruturas são absolutamente necessárias para sustentar tudo o resto", acrescentou Frank Kelly.

A Irlanda serve frequentemente de exemplo para outros países, mas, a economia irlandesa possui algumas especificidades que a tornam incomparável.

"Os números relativos ao crescimento da Irlanda são distorcidos pela presença de grandes multinacionais que se instalaram no país por motivos fiscais. Mas, mesmo subtraindo o valor dos contratos industriais que as multinacionais realizam fora do país, a taxa de crescimento do PIB irlandês é o dobro da média europeia", sublinhou Giovanni Magi, repórter da euronews.

A Irlanda enfrenta agora um novo desafio: o Brexit.

"Estamos perante o desconhecido com o Brexit, que é a maior fonte de incerteza e risco para a Irlanda. Se houver uma versão dura do Brexit, as consequências económica serão mais negativas. Mas, mesmo tendo em conta o impacto do Brexit no médio e no longo prazo, a economia irlandesa deverá continuar a crescer", afirmou Simon Barry, economista do Ulster Bank, na Irlanda.

O futuro do trabalho face à robotização

Menos certo é o futuro do trabalho. A robotização pode por em causa empregos e aumentos salariais. A visão de Angel Gurria, secretário-geral da OCDE, em Paris:

euronews: "No médio prazo, não se vê crescimento dos salários devido ao efeito da inflação. É um problema que se vai colocar?"

Angel Gurria: "A questão dos salários tem sido um problema no Japão, nos Estados Unidos, no México e na Europa. Porque a tecnologia vai sempre contra a criação de empregos. E porque as empresas tentam criar um clima favorável aos negócios quando há mão-de-obra qualificada que se adequa a essa procura. Nos próximos dez a quinze anos, entre 10 a 14% dos trabalhadores poderão ser obrigados a mudar de trabalho e 30% serão confrontados com alterações na forma como trabalham no dia-a-dia".

euronews: "Estamos a ver o surgimento de guerras comerciais. Considera que é um risco? A Europa deve depender mais da procura interna?"

Angel Gurria: "As guerras são sempre más. É preciso um diálogo para resolver os problemas, senão só trataremos dos sintomas e não da causa. A cada ano ou a cada dois anos seremos obrigados a lidar com a mesma coisa senão resolveremos os problemas. A Europa não enfrenta uma guerra comercial, neste preciso momento e esperemos que isso não aconteça. Mas a questão é como planear o futuro".

euronews: "Como pode a Europa fazê-lo se um dos estados membros mais importantes se vai embora? Quais são os maiores riscos? O Brexit, a relação com os Estados Unidos ou as duas coisas?"

Angel Gurria: "A relação com os Estados Unidos é fundamental porque eles são um cliente importante. O Brexit é um fator disruptivo. O Reino Unido será sempre um parceiro comercial importante para a Europa e a economia europeia vai continuar a ser importante. Perdemos uma década a lutar pela retoma económica e ainda sentimos os efeitos da crise, como o aumento das desigualdades e a queda da confiança nos governos e nas instituições".

Real Economy - Economic Forecast 2018