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RDC, o país jovem e pobre que sonha crescer e ser rico

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De  Serge Rombi  & Euronews
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RDC, o país jovem e pobre que sonha crescer e ser rico
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No coração do continente africano, o maior país da África Subariana, em termos de área, é um dos mais ricos em matérias-primas valiosas, mas também um dos mais pobres, a nível económico e social. Em 2018, a República Democrática do Congo (RDC) tinha, de acordo com o Banco Mundial, a terceira maior população de pobres do mundo, com 73% da população congolesa, equivalente a 60 milhões de pessoas, a viver com menos de 1,90 dólares por dia (a taxa de pobreza internacional).

A vitória de Félix Tshisekedi, nas eleições presidenciais, em dezembro do mesmo ano, viria a marcar o início de uma nova fase na vida do país. Em fevereiro de 2021, Tshisekedi nomeou para o cargo de primeiro-ministro Jean-Michel Sama Lukonde Kyenge. Em funções desde abril, o antigo diretor executivo da empresa mineira estatal Gecamines, tem como prioridades a aposta na educação e na diversificação da economia, de forma a tornar o país mais atrativo ao investimento estrangeiro.

Gostaria realmente que nos mantivéssemos nesta direção ascendente que finalmente vai permitir ao país descolar, de um ponto de vista económico, e melhorar a situação social de todos os congoleses (julho, 2021)
Jean-Michel Sama Lukonde Kyenge
Primeiro-ministro da República Democrática do Congo

As crianças são o futuro

A República Democrática do Congo é um dos países mais jovens do mundo, com 60% da população abaixo dos 20 anos. Desde há ano e meio, a escola primária voltou a ser gratuita para todos. Uma medida que permitiu o regresso às aulas de quatro milhões de crianças.

Só na escola de Gombe, em Kinshasa, as matrículas duplicaram. A educação gratuita melhorou o dia-a-dia das crianças e o otimismo dos jovens alunos, que agora se sentem mais seguros e já ousam sonhar com uma profissão.

Nos últimos meses, um súbito afluxo de estudantes deixou a escola primária sem mãos a medir. Mas, para o diretor, Alphonse Kapata Simba, os resultados são muito encorajadores.

"As crianças iam perder a vida ao ficarem na rua e cometerem erros, agora estão na escola, estão a aprender. E para os pais, o que costumavam gastar na escola, já não gastam mais. Eles poupam um pouco. É bom para a família".

O atual primeiro-ministro, Jean-michel Sama Lukonde Kyenge, tomou posse há 100 dias. Para dar um novo ímpeto ao país, o executivo está a investir na juventude.

"Precisamos deles. A República Democrática do Congo encontra-se verdadeiramente num momento especial da sua história. Com mudanças que nos levam a uma nova direção. Isto permite-nos ter esperança”, afirma o chefe do governo.

A aposta na diversificação da economia

A já precária situação económica do país foi agravada pela covid-19, que afetou os mais diversos setores, incluindo o da extração de minérios, cujas receitas, em 2020, ficaram abaixo das estimativas do governo.

Num esforço para responder à pandemia, o governo aumentou as despesas e, como resultado, o défice fiscal agravou-se para 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2020. Ainda no ano passado, acabou por mobilizar o apoio de emergência do Fundo Monetário Internacional (FMI), que acaba de conceder uma facilidade de crédito de 1,5 mil milhões de dólares ao país.

O primeiro-ministro acredita que esta ajuda vai facilitar a "criação de negócios", como "ponto de partida". Em troca, o governo comprometeu-se a iniciar um vasto processo de reforma. O objetivo é melhorar o clima empresarial e garantir um crescimento económico sustentável.

Mas, para se desenvolver, a RDC, ainda muito dependente do setor extrativo, vai ter de apostar na diversificação da economia e particularmente investir na agricultura.

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Fábrica de óleo de palma, República Democrática do CongoFOCUS/EURONEWS

Kalaa Mpinga é um dos mais emblemáticos investidores congoleses. Vindo do setor mineiro, investiu em plantações e fábricas de óleo de palma. O objetivo, diz-nos, passa por reduzir a dependência externa da região.

"Os 20 milhões de habitantes são alimentados principalmente com produtos agrícolas que são importados. Mas nós temos a terra, temos o clima, temos as pessoas, não há falta de mão-de-obra”, defende o investidor.

Encontrar investidores a longo prazo, alterar de leis ou desenvolver infraestruturas são alguns dos desafios pela frente. No entanto, o país tem uma grande vantagem, o rio Congo, que vai desaguar no Oceano Atlântico, depois de atravessar Angola, ou, como lhe chama Kalaa Mpinga, "a mais bela, mais longa e maior autoestrada do mundo".

Tecnologia ao serviço da economia e da educação

Outro setor em desenvolvimento é o da tecnologia digital. Na escola cristã Le Rocher, como em mais de seis mil em todo o país, as crianças e os professores utilizam o "schoolap", um táblete educativo desenvolvido por uma start-up congolesa, que permitiu manter as aulas durante o confinamento, devido à pandemia de covid-19.

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"Schoolap" a ser usado na sala de aula, República Democrática do CongoFOCUS/EURONEWS

O criador do Schoolap ganhou vários prémios internacionais pela inovação. O conceito, também já vendido às ilhas Seychelles, trouxe mudanças ao ensino na República Democrática do Congo.

"Equipar uma escola pública com um único táblete escolar é como equipar essa escola com uma biblioteca", defende Pascal Kanik, o cofundador e diretor executivo da empresa, que explica ainda que "esta solução pode ser utilizada numa área onde não exista internet, ou onde não exista eletricidade". garantindo que "nenhuma área é excluída".

A RDC estima crescer quase 5% em 2021, e a tendência deixa empresários e governo otimistas. Agora, o seu primeiro-ministro tem como meta tornar-se mais atrativo para os investidores estrangeiros.

"Não nos esqueçamos de que a República Democrática do Congo é este grande país, no centro de África, tem não só um grande mercado interno, porque estamos a falar de quase 100 milhões de habitantes, mas também 9 países vizinhos, portanto, é uma verdadeira ponte entre a África Austral, a África do Norte e a África Ocidental".