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ONU cria primeiro painel global de segurança da IA apesar da oposição dos EUA

ARQUIVO - Secretário-geral da ONU, António Guterres, é recebido pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, em 10 Downing Street, Londres, sexta-feira, 16 jan. 2026
ARQUIVO - Secretário-geral da ONU, António Guterres, é recebido pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, em 10 Downing Street, Londres, 16 jan. 2026 Direitos de autor  Henry Nicholls/Pool Photo via AP
Direitos de autor Henry Nicholls/Pool Photo via AP
De Anna Desmarais with AP
Publicado a Últimas notícias
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António Guterres, secretário-geral da ONU, afirmou que o painel é um passo fundamental para uma compreensão científica global da inteligência artificial.

A ONU nomeou esta semana um painel científico global de 40 membros para estudar os riscos da inteligência artificial (IA), apesar da forte oposição dos Estados Unidos. A decisão surge numa altura em que antigos funcionários de empresas de IA fazem soar o alarme sobre a tecnologia.

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A Assembleia-Geral da ONU aprovou o painel por 117 votos contra 2, com os Estados Unidos e o Paraguai a votarem contra e abstenções da Tunísia e da Ucrânia. A Rússia, a China e os aliados europeus votaram a favor.

Os peritos do Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial (IA) irão publicar um relatório anual que sintetiza e analisa os riscos, oportunidades e impactos da IA naquele que a ONU descreve como o "primeiro organismo científico global do género".

A criação do painel é "um passo fundamental para uma compreensão científica global da IA", afirmou António Guterres, secretário-geral da ONU.

"Num mundo em que a IA avança a grande velocidade", disse Guterres, "este painel fornecerá o que tem faltado: uma análise científica rigorosa e independente que permite a todos os Estados-membros, independentemente da sua capacidade tecnológica, participar em pé de igualdade."

A votação na ONU acontece numa altura em que trabalhadores deixam empresas de inteligência artificial devido a preocupações com as suas práticas.

Mrinank Sharma, antigo investigador de segurança da Anthropic, alertou, numa carta aberta, que "o mundo está em perigo", com o desenvolvimento da IA e outras crises.

Já a antiga principal investigadora da OpenAI, Zoe Hitzig, disse ao New York Times que tem "profundas reservas" quanto à estratégia seguida pela sua antiga empresa.

Algumas das figuras mais proeminentes da IA a nível mundial, como Dario Amodei, CEO da Anthropic, Sam Altman, da OpenAI, e Steve Wozniak, cofundador da Apple, também têm alertado para os riscos da IA.

'Uma intromissão significativa no mandato da ONU'

Os 40 membros da ONU foram escolhidos de entre mais de 2.600 candidatos, após uma avaliação independente por vários organismos das Nações Unidas e pela União Internacional das Telecomunicações, segundo Guterres. Os mandatos terão duração de três anos.

A Europa dispõe de 11 lugares à mesa: Joelle Barral, de França, Melahat Bilge Demirkoz, da Turquia, Anna Korhonen, da Finlândia, Aleksandra Korolova, da Letónia, Andrei Neznamov, da Rússia, Maximilian Nickel e Bernhard Scholkopf, da Alemanha, Roman Orus, de Espanha, Johanna Pirker, da Áustria, Piotr Sankowski, da Polónia, e Silvio Savarese, de Itália.

Lauren Lovelace, representante dos Estados Unidos, classificou o painel como "uma intromissão significativa no mandato e nas competências da ONU" e afirmou que "a governação da IA não é uma questão sobre a qual a ONU deva ditar regras".

Em alternativa, Lovelace pediu à ONU que se concentre nas suas "missões centrais", como a paz e segurança internacionais, os direitos humanos e a assistência humanitária, em vez de "tentar regulamentar ou travar o desenvolvimento de tecnologias transversais ... que irão determinar a concorrência económica e estratégica no século XXI".

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem defendido uma regulamentação mínima da IA, procurando reduzir a burocracia federal e evitar um "mosaico" de leis estaduais que possa travar a inovação. Os Estados Unidos e a China são considerados rivais diretos na corrida pela adoção da IA.

Apesar da oposição dos Estados Unidos, o país conta ainda com dois representantes no painel: Vipin Kumar, professor na Universidade do Minnesota, e Martha Palmer, professora aposentada da Universidade do Colorado e especialista em linguística.

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