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Relatório: IA gera 'violações infinitas' com aumento de imagens graves de abuso infantil

A Internet Watch Foundation afirmou que a pornografia infantil gerada por IA é mais extrema e violenta do que a produzida no passado.
A Internet Watch Foundation afirma que a pornografia infantil gerada por IA é mais extrema e violenta do que a produzida até agora. Direitos de autor  Canva
Direitos de autor Canva
De Anna Desmarais
Publicado a Últimas notícias
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A Internet Watch Foundation afirma que o conteúdo gerado por IA é mais explícito, extremo e complexo do que outros tipos de pornografia infantil vistos no passado.

As imagens geradas por inteligência artificial que retratam abusos sexuais de menores aumentaram 14% em 2025, numa altura em que os investigadores enfrentam cada vez mais dificuldades em distinguir conteúdos sintéticos de fotografias reais, indica um novo relatório.

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A Internet Watch Foundation (IWF), organização britânica sem fins lucrativos dedicada à remoção de material de abuso sexual de menores (CSAM) da internet, identificou mais de 8.000 imagens e vídeos gerados por IA a partir de denúncias de utilizadores no último ano.

Os investigadores da IWF classificam o conteúdo como gerado por IA sempre que detetam erros óbvios nas imagens, quando a própria vítima afirma tratar-se de IA ou quando existe informação do criador original sobre a forma como a IA foi utilizada.

Embora o conteúdo sexual gerado por IA ainda represente uma fatia relativamente pequena do que a organização encontra online, a IWF alerta que está a crescer a um ritmo preocupante.

Do total de conteúdos gerados por IA, mais de 3 400 diziam respeito a vídeos de "full motion" gerados por IA, hiper-realistas e que permitem a interação de várias pessoas nas cenas.

Mais de 65% destes vídeos retratavam as formas mais graves de abuso, incluindo violação, tortura sexual e bestialidade, classificadas como a categoria mais elevada de conteúdo sexual envolvendo menores ao abrigo da lei britânica.

Já no conteúdo sexual não gerado por IA, apenas 43% se enquadravam nas categorias mais extremas. Segundo a IWF, isto sugere que os agressores recorrem a ferramentas de IA para produzir conteúdos mais explícitos, extremos e complexos do que anteriormente.

“Enfrentamos hoje um panorama tecnológico capaz de gerar violações sem fim com uma facilidade sem precedentes”, afirmou Kerry Smith, diretora-executiva da IWF, no relatório.

Como utilizam os agressores a IA

O estudo mostra também como os ofensores desenvolvem e partilham ativamente ferramentas.

Os investigadores observaram discussões na dark web em que os agressores trocam e colaboram no desenvolvimento de modelos de IA e bases de dados personalizados para gerar material abusivo.

Numa das situações, os investigadores identificaram um anúncio que oferecia “cursos personalizados” para ensinar utilizadores a criar imagens geradas por IA de adolescentes.

“Uma única aplicação consegue hoje gerar imagens abusivas com um esforço mínimo, eliminando a necessidade de conhecimentos técnicos e reduzindo significativamente as barreiras de entrada”, conclui o relatório. Em muitos casos, basta aos modelos uma única imagem de referência para produzirem conteúdo sexual envolvendo menores.

Embora a IA esteja a tornar mais fácil para qualquer pessoa criar conteúdos CSAM simples, o relatório indica que existem alguns criadores bem conhecidos, com competências mais avançadas, que produzem material mais longo e sofisticado. Um deles recebeu, por exemplo, mais de 3 000 mensagens de agradecimento por ter criado um vídeo de 30 minutos de abuso sexual gerado por IA.

A IWF salientou que o material que conseguiu recolher oferece apenas “uma visão parcial” da quantidade total de conteúdo sexual envolvendo menores que circula online, sendo provável que seja “significativamente maior” do que aquilo que foi encontrado.

Isto porque os analistas da IWF estão limitados nos locais onde podem procurar, já que não conseguem ultrapassar paywalls ou aceder a espaços encriptados, refere o relatório.

União Europeia: proibição alargada pode ser considerada "padrão mínimo"

Smith apelou à União Europeia para que considere implementar uma proibição em todo o bloco tanto de conteúdos de abuso sexual de menores gerados por IA como das ferramentas usadas para os criar.

Qualquer proibição tornaria também ilegal que os utilizadores criassem conteúdos personalizados, mesmo que não fossem partilhados, acrescenta o relatório.

“Os avanços tecnológicos nunca devem fazer-se à custa da segurança e do bem-estar das crianças”, afirmou Smith, defendendo que a proibição deve ser encarada como um “padrão mínimo, sem exceções”.

O relatório surge pouco depois de os legisladores europeus terem aprovado (fonte em inglês) uma extensão temporária da Diretiva ePrivacy, legislação que permite às plataformas de internet detetar conteúdos CSAM.

A extensão, que expira a 3 de abril, pretende dar tempo aos legisladores para chegarem a acordo sobre um quadro jurídico de longo prazo para combater o abuso sexual de menores online.

Num comunicado de imprensa, os legisladores afirmaram que quaisquer medidas futuras devem manter-se “proporcionadas” e aplicar-se apenas a conteúdos já sinalizados como potencial material sexual envolvendo menores, em vez de abrirem a porta à vigilância de todas as conversas encriptadas.

A IWF afirma que quer também que a Lei da Inteligência Artificial da UE (AI Act) seja alterada para classificar os sistemas de IA que possam ser usados para gerar conteúdo sexual envolvendo menores como de “alto risco”. Nos termos da lei, essa designação implica que os sistemas tenham de ser submetidos a testes mais rigorosos antes de serem disponibilizados na UE.

Segundo o relatório, esta classificação levaria a uma redução de conteúdos CSAM, já que as ferramentas seriam testadas de forma mais exaustiva.

O recurso à IA para exploração sexual de crianças e pornografia infantil é já ilegal (fonte em inglês) ao abrigo da Lei da Inteligência Artificial da UE, que impede que qualquer sistema explicitamente concebido para esse fim seja disponibilizado no bloco.

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