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O "assassino silencioso" da Europa: Qual é o país com a tensão arterial mais elevada e como podemos evitá-la?

Um médico voluntário da FRIDA Ucrânia examina a tensão arterial de um paciente.
Um médico voluntário da FRIDA Ucrânia examina a tensão arterial de um paciente. Direitos de autor AP Photo/Evgeniy Maloletka
Direitos de autor AP Photo/Evgeniy Maloletka
De  Lauren Chadwick
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Artigo publicado originalmente em inglês

A hipertensão, embora comum, pode levar a doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais se não for gerida, o que leva os médicos a referirem-se frequentemente a ela como um "assassino silencioso".

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A hipertensão, também conhecida como pressão arterial elevada, é uma doença comum que afeta cerca de uma em cada três pessoas em todo o mundo, mas que, se não for tratada, pode levar a ataques cardíacos e derrames.

É um número que duplicou nas últimas duas décadas, sendo que quase metade das pessoas com esta doença não a conhecem, afirmou a Organização Mundial de Saúde (OMS) no ano passado.

"É preocupante porque se trata de uma doença potencialmente fatal e que, em grande parte, passa despercebida porque, quando se tem pressão arterial elevada, raramente se tem sintomas", disse Julie Ward, enfermeira cardíaca sénior da British Heart Foundation (BHF), à Euronews Health.

"Pode haver uma ou outra dor de cabeça, um pouco de tonturas ou uma visão turva, mas isso acontece normalmente se a tensão arterial elevada for muito grave", acrescentou.

Na sexta-feira, assinala-se o Dia Mundial da Hipertensão, em que os especialistas procuram sensibilizar as pessoas para a forma como podem prevenir e gerir a doença.

O que é a hipertensão?

A tensão arterial elevada ocorre quando a "força do sangue a empurrar as paredes dos vasos sanguíneos é consistentemente demasiado elevada", de acordo com a Associação Americana do Coração.

É registada com dois números que medem a pressão sistólica e a pressão diastólica.

A pressão sistólica, o número mais elevado, é a pressão nas artérias quando o coração bombeia sangue, enquanto a pressão diastólica, o número mais baixo, é a força quando o coração relaxa entre os batimentos cardíacos.

Segundo o Serviço Nacional de Saúde de Portugal, a hipertensão arterial (HTA) caracteriza-se por uma pressão sanguínea excessiva na parede das artérias, acima dos valores considerados normais, que ocorre de forma crónica. Define-se hipertensão arterial quando a pressão máxima é maior ou igual a 140 mmHg (vulgo 14), ou a pressão mínima é maior ou igual a 90 mmHg (vulgo 9).

Quais são os fatores de risco da tensão arterial elevada?

Alguns fatores de risco comuns para a hipertensão incluem a idade avançada, a existência de familiares com hipertensão e o excesso de peso.

Também pode ser condicionada por fatores relacionados com o estilo de vida, como fumar, beber demasiado álcool, comer demasiado sal ou não fazer exercício físico suficiente.

Ricardo Ladeiras Lopes, cardiologista e professor auxiliar da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, refere que o stress é outro fator de risco comum para a hipertensão.

As doenças crónicas, como a diabetes e a doença renal, também podem aumentar o risco de hipertensão.

Segundo o National Institute for Health and Care Excellence do Reino Unido, a hipertensão pode afetar de forma desproporcionada as pessoas de origem negra africana ou caribenha.

Que problemas de saúde pode causar?

A maioria das pessoas com tensão arterial elevada não apresenta quaisquer sintomas, mas o excesso de pressão nas artérias pode danificar os órgãos.

"De facto, a pressão arterial elevada é responsável por quase metade dos ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais no Reino Unido. Trata-se de um problema muito significativo", afirmou Ward.

Ladeiras Lopes, médico cardiologista e membro da Sociedade Europeia de Cardiologia, afirma que a hipertensão é "um importante fator de risco para as doenças cardiovasculares, incluindo os ataques cardíacos e os acidentes vasculares cerebrais".

"Também pode levar a outros problemas de saúde graves, como insuficiência renal, perda de visão, insuficiência cardíaca. O problema da hipertensão é que também é vulgarmente designada por "assassina silenciosa", porque pode existir sem sintomas visíveis durante anos e pode levar a complicações graves se não for tratada", acrescentou.

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Quantas pessoas na Europa têm tensão arterial elevada?

Cerca de um quarto das pessoas na União Europeia sofre de tensão arterial elevada, de acordo com os dados do Eurostat, o serviço de estatística do bloco.

De acordo com os últimos dados disponíveis, o número de pessoas com tensão alta varia consoante os países da UE, oscilando entre 37% das pessoas na Croácia e 12% na Irlanda.

De acordo com os dados, para além de ser o país mais atingido, a Croácia também registou um grande aumento no número de pessoas com hipertensão entre 2014 e 2019.

"Embora não possamos ter a certeza das razões exatas para o aumento dos dados de hipertensão comunicados para a Croácia entre 2014 e 2019, a hipertensão é um dos problemas de saúde pública mais significativos na Croácia", disse Ana Ivičević Uhernik, do Instituto Croata de Saúde Pública, referindo-se ao aumento da pressão arterial elevada comunicada, mostrado no Inquérito Europeu de Saúde por Entrevista.

Um estudo liderado por Ivičević Uhernik e publicado no ano passado concluiu que havia uma elevada prevalência de hipertensão na Croácia e "uma proporção significativa, embora menor do que o esperado, de hipertensão não diagnosticada".

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"Devido ao envelhecimento da população croata e ao aumento da prevalência da obesidade, esperamos que a prevalência da hipertensão aumente ainda mais no futuro", disse à Euronews Health.

Entretanto, de acordo com a Blood Pressure UK, cerca de um em cada três adultos tem pressão arterial elevada em Inglaterra, o que corresponde à média mundial.

O que é que as pessoas podem fazer para tratar ou prevenir a hipertensão?

"Há muitas coisas que se podem fazer e, normalmente, estão relacionadas com o estilo de vida", diz Ward, acrescentando, no entanto, que as pessoas "não podem evitá-la totalmente porque todas as pessoas com mais de 65 anos podem potencialmente ter pressão arterial elevada porque é uma doença do envelhecimento".

Mudanças no estilo de vida, como não fumar, reduzir o consumo de álcool, não adicionar mais sal aos alimentos e adotar uma dieta saudável com alimentos frescos podem ajudar.

Estudos demonstraram também que uma dieta de estilo mediterrânico, rica em legumes frescos, gorduras saudáveis e peixe, pode reduzir o risco de hipertensão. Os especialistas dizem que as pessoas também devem fazer exercício e manter um peso saudável.

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"A gestão do stress na nossa vida quotidiana agitada é muito importante", acrescentou Ladeiras Lopes, bem como a monitorização regular.

Capacitar os doentes

Ward, que também responde a perguntas como parte da linha de apoio da British Heart Foundation, disse que recebem uma "quantidade muito significativa de perguntas sobre a tensão arterial elevada".

"Tentamos dar aos doentes a possibilidade de a gerirem eles próprios em casa", disse ela, por exemplo, adquirindo um aparelho de medição da tensão arterial e mantendo um diário para ver quando sobe, bem como falando com um médico para falar sobre possíveis mudanças no estilo de vida.

Existem também medicamentos disponíveis para ajudar as pessoas a gerir a tensão arterial elevada.

O mais importante é "conhecer os seus números", afirmou.

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Ladeiras Lopes afirma que se trata de uma "preocupação global", acrescentando que as directrizes sobre hipertensão da Sociedade Europeia de Cardiologia deverão ser actualizadas este ano.

"O envelhecimento é um fator de risco. É também importante considerar a urbanização e as alterações do estilo de vida. Porque conduzem a uma redução da atividade física e a um aumento do consumo de alimentos processados, bem como a níveis mais elevados de stress", disse, que devem ser abordados.

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