Têm-se multiplicado os apelos à suspensão do sistema, enquanto os aeroportos são pressionados a reforçar as medidas de segurança para controlar as filas.
Os aeroportos de Roma podem ser obrigados a suspender os controlos fronteiriços do novo Sistema de Entrada/Saída (EES) da União Europeia para evitar o caos nas viagens este verão, alertou o diretor da empresa que gere os aeroportos da cidade.
Marco Troncone, presidente executivo do Aeroportos de Roma, disse ao jornal britânico The Financial Times que os aeroportos de Fiumicino e Ciampino podem ter de permitir que os passageiros dispensem os controlos biométricos para evitar um “desastre”.
O EES entrou plenamente em funcionamento a 10 de abril, mas a implementação tem sido atribulada, com pedidos para que o sistema seja suspenso e aeroportos a necessitarem de reforço de segurança para gerir as filas.
Com os novos controlos, os carimbos nos passaportes são substituídos por registos digitais das entradas e saídas, bem como das recusas de entrada de viajantes de curta duração de países não pertencentes à UE.
Também são registadas informações biométricas, como imagens faciais e impressões digitais, e ainda os dados pessoais constantes do documento de viagem utilizado.
"Incompatível com os picos de afluência"
Cresce o receio de um verão de caos nas viagens à medida que aumenta o número de passageiros abrangidos pelo EES.
“O processo revela-se incompatível com os volumes de pico que vamos enfrentar. Por isso, a única forma é abrir a torneira. Não há maneira de conseguirmos fazer o registo de 100% dos passageiros”, afirmou Troncone.
Acrescentou que os aeroportos de Roma estão “muito preocupados com o verão”, situando o seu nível de apreensão em “oito ou nove”, numa escala de um a 10.
"O que tira o sono aos presidentes dos aeroportos europeus"
Roma não é o único destino apreensivo em relação ao verão.
Portugal anunciou que vai destacar centenas de agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) para os aeroportos nacionais no início de julho, de modo a ajudar a agilizar os procedimentos de controlo de fronteira.
A Grécia chegou a anunciar que tinha praticamente suspendido os controlos para cidadãos britânicos, mas acabou por recuar, com o Ministério dos Negócios Estrangeiros a afirmar não ter informação de que “determinadas nacionalidades estejam temporariamente isentas do procedimento em causa”.
Stefan Schulte, presidente da Airports Council International Europe (ACI Europe) e líder da empresa que detém o aeroporto de Frankfurt, afirmou que o EES é “o que me tira o sono a mim e a muitos outros responsáveis de aeroportos em toda a Europa”.
As preocupações parecem justificar-se, tendo em conta o reconhecimento recente da UE de que o sistema pode demorar até dois anos a estabilizar totalmente.
A Frontex, a Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira, admitiu que a recolha de dados biométricos é um dos principais fatores por detrás dos problemas iniciais do sistema.
Uku Särekanno, diretor executivo adjunto da Frontex, afirmou que recolher as impressões digitais de viajantes de países terceiros na primeira entrada no Espaço Schengen é “provavelmente a parte mais difícil” da implementação.
“Esperamos que a situação estabilize dentro de um a dois anos porque a parte mais difícil é o primeiro registo”, disse Särekanno, numa conferência organizada em Londres pela ABTA, associação britânica de agências de viagens e operadores turísticos.
Em resposta, o diretor-geral da ABTA, Mark Tanzer, classificou o alerta como “muito doloroso”.