Os guardas prisionais denunciam um sistema à beira da implosão e organizam bloqueios em várias prisões. A 1 de março, a taxa de ocupação das prisões francesas era de 137,5%. Na Europa, só a Eslovénia e Chipre têm taxas de ocupação mais elevadas.
Pelo menos 14 das 17 prisões da região francesa de Hauts-de-France estão a ser afetadas pela greve dos guardas prisionais organizada pelo sindicato UFAP-UNSa na segunda-feira, 27 de abril.
Estão igualmente a decorrer bloqueios nas prisões das regiões de Oise, Nord e Pas-de-Calais.
As entradas dos estabelecimentos prisionais foram bloqueadas e impediram-se as transferências de prisioneiros.
A UFAP-UNSa apela a um plano de emergência para aliviar a sobrelotação das prisões.
Segundo os dados oficiais, a 1 de março, a taxa de ocupação das 190 prisões era de 137,5% e França tinha 87.126 presos para 63.500 lugares.
No início do ano, o Conselho da Europa condenou a sobrelotação e a falta de higiene nas prisões.
Na Europa, a Eslovénia e Chipre são os únicos países onde as taxas de ocupação são superiores às de França.
O sindicato UFAP-UNSa também denunciou a falta crónica de guardas prisionais, referindo que 5.000 lugares continuam por preencher.
O sindicato FO não aderiu à greve, que considera ser prematura.
Está a ser preparado um projeto de lei para combater a sobrelotação das prisões, mas ainda não foi fixada uma data para a sua apresentação e apreciação pela Assembleia Nacional.
O projeto de lei prevê a proibição da prática de colocar colchões no chão das celas para aumentar o número de reclusos.
O Ministério da Justiça prevê igualmente a abertura de mais 3.000 lugares prisionais, metade dos quais até 2027.
Os novos lugares deverão ser criados em "prisões modulares" para os reclusos em fim de pena ou que cumprem penas curtas.