Se o Irão concordar, a proposta de Washington porá formalmente fim à guerra e reabrirá o Estreito de Ormuz antes do início das negociações sobre questões mais controversas, entre as quais se inclui o programa nuclear iraniano.
O Irão respondeu finalmente à proposta de paz dos Estados Unidos, mas os detalhes da mensagem iraniana enviada a Washington através das autoridades paquistanesas ainda não são conhecidos.
Até agora, sabemos apenas o que foi dito na televisão estatal iraniana, isto é, que a resposta de Teerão está focada em "assegurar a paz em todas as frentes", incluindo no Líbano, onde Israel tem intensificado os ataques, e "garantir a segurança da navegação", em particular no Estreito de Ormuz.
A resposta do Irão surge na sequência de notícias divulgadas pela imprensa, segundo as quais o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e o secretário de Estado, Marco Rubio, se reuniram com o primeiro-ministro do Qatar no sábado para debater o conflito.
A proposta de Washington porá formalmente fim à guerra e reabrirá o Estreito de Ormuz, caso o Irão a aceite antes do início das negociações sobre questões mais controversas, entre as quais se inclui o programa nuclear iraniano.
Ataques com drones contra navios por todo o Golfo
Informações que chegam também no mesmo dia em que drones iranianos atacaram diversos pontos no Golfo Pérsico, incluindo um cargueiro que se encaminhava para o Qatar e ficou danificado, ao passo que Teerão advertiu os Estados Unidos de que deixaria de se abster de ataques de retaliação.
"Qualquer ataque a petroleiros e navios comerciais iranianos resultará num ataque violento contra um dos centros norte-americanos na região e contra navios inimigos", terá afirmado a Guarda Revolucionária Islâmica, segundo reporta a comunicação social iraniana.
De acordo com o Ministério da Defesa do Qatar, deflagrou um pequeno incêndio no navio comercial, mas não houve vítimas, ao passo que no Kuwait, as forças armadas afirmaram ter repelido um ataque com drones ao amanhecer.
Já os Emirados Árabes Unidos acusam o Irão de estar também por detrás de um ataque ao seu território.
"Nunca nos curvaremos perante o inimigo e, se falamos de diálogo ou negociação, isso não significa rendição nem recuo", afirmou o presidente iraniano Masoud Pezeshkian numa publicação no X.
O chefe militar do Irão, Ali Abdollahi, esteve reunido com o líder supremo Mojtaba Khamenei e terá recebido "novas diretrizes e orientações para a continuação das operações de combate ao inimigo", segundo a televisão estatal iraniana.
Anteriormente, a Coreia do Sul tinha afirmado que um dos seus navios de carga, danificado há alguns dias no Estreito de Ormuz, tinha sido atingido por "duas aeronaves não identificadas", e que estavam a ser realizadas análises aos destroços e a fragmentos do motor para determinar a origem do ataque. O Irão nega qualquer responsabilidade pelo ataque de 4 de maio.
No entanto, na altura, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irão tinha "disparado alguns tiros" contra o navio de carga.
Numa conversa telefónica no sábado, o primeiro-ministro do Qatar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, disse ao principal diplomata iraniano, Abbas Araghchi, que usar o Estreito de Ormuz como "moeda de troca" só irá agravar a crise no Médio Oriente, informou o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar.