Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Irão saúda progressos alcançados na primeira ronda de conversações diretas com EUA

Ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão Abbas Araghchi e o homólogo suíço Ignazio Cassis apertam as mãos em conversações bilaterais perto de Lucerna, Suíça 21 de junho 2026
Ministro iraniano Abbas Araghchi e homólogo suíço Ignazio Cassis apertam as mãos em conversações bilaterais perto de Lucerna, Suíça, domingo, 21 junho 2026 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Malek Fouda
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

O chefe da diplomacia iraniana saudou os esforços de mediação do Paquistão e do Qatar, falando em “progressos importantes” para travar a ofensiva israelita no Líbano, apesar da frágil trégua. As declarações surgem após Irão e EUA abrirem seis dias de negociações para pôr termo definitivo à guerra.

Terminaram na madrugada de segunda-feira, na Suíça, as negociações de alto nível que visavam assegurar um fim permanente à guerra no Irão, prevendo-se para o resto da semana conversações de nível mais baixo, depois de o Irão e os Estados Unidos terem acordado criar uma “célula de desconflitualização” para lidar com os combates no Líbano.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Segundo um comunicado dos mediadores, Paquistão e Qatar, essa célula incluiria o governo libanês e “garantiria o respeito pelo fim das operações militares no Líbano”.

Continua, no entanto, a não ser claro se isso bastará para pôr termo aos combates entre o Hezbollah, apoiado pelo Irão, e Israel, que ocupa o Líbano e insiste em manter liberdade de ação para atacar militantes que lançam ataques contra o norte de Israel.

Os EUA não comentaram de imediato o conteúdo do acordo-quadro inicial, enquanto o Irão elogiou o trabalho dos mediadores, que os meios de comunicação estatais descreveram como um “avanço notável”.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, reúne-se com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, durante negociações de alto nível para avançar com um acordo para pôr fim à guerra no Irão, Lucerna, Suíça, 21 de junho de 2026
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, reúne-se com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, durante negociações de alto nível para avançar com um acordo para pôr fim à guerra no Irão, Lucerna, Suíça, 21 de junho de 2026 AP Photo

Vance e os negociadores norte-americanos, entre os quais Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump, reuniram-se com Qalibaf e Araghchi durante cerca de 80 minutos, segundo a comunicação social estatal iraniana.

Mais tarde, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, escreveu na X que a “incansável mediação paquistanesa e qatarense permitiu grandes progressos para pôr fim à guerra no Líbano”. Disse que o primeiro “verdadeiro teste” das negociações será saber se a célula de desconflitualização consegue travar os combates no Líbano.

As conversações assinalaram o início de um processo diplomático de 60 dias que procura chegar a um acordo permanente para pôr fim à ofensiva norte-americano-israelita contra Teerão, iniciada em 28 de fevereiro e sujeita a uma frágil trégua desde 8 de abril.

Os combates no Líbano continuam a ser um dos principais pontos de bloqueio do acordo, já que o Irão passou a associar as hostilidades em curso no Líbano a um elemento central de qualquer cessar-fogo que venha a conseguir com os EUA.

Entretanto, o Irão voltou a encerrar, durante o fim de semana, o estreito de Ormuz, a estreita entrada do golfo Pérsico por onde, em tempo de paz, passa normalmente um quinto do petróleo mundial, enquanto os EUA garantem que o tráfego continuou.

Um comboio com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, chega ao Bürgenstock Resort, em Obbuergen, perto de Lucerna, na Suíça, domingo, 21 de junho de 2026
Um comboio com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, chega ao Bürgenstock Resort, em Obbuergen, perto de Lucerna, na Suíça, domingo, 21 de junho de 2026 Urs Flueeler/Urs Flueeler/Pool Keystone via AP

As negociações começaram de forma tensa no domingo, na Suíça, depois de Teerão se ter sentido visado pela ameaça de ataque do presidente norte-americano, Donald Trump, e pelo aviso de que o presidente iraniano devia ter cuidado com o que dizia.

“O Irão tem de parar imediatamente os seus ‘proxies’ bem pagos no Líbano de causarem problemas”, disse Trump nas redes sociais. “Se não o fizerem, vamos atingir o Irão com muita força outra vez, tal como fizemos na semana passada, só que mais forte ainda.”

Estas declarações à distância, nas redes sociais e a órgãos de comunicação, complicaram os esforços do vice-presidente dos EUA, JD Vance, e dos mediadores, Paquistão e Qatar, para manter o Irão empenhado nas discussões.

“Fariam melhor em ter cuidado com as suas declarações”, escreveu na X o principal negociador iraniano e presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, após os comentários de Trump.

“As nossas forças armadas estão preparadas para lhes responder de outra forma. Podem continuar a falar, quem age somos nós.”

Um alto diplomata norte-americano envolvido nas conversações, que falou sob anonimato para descrever discussões privadas, afirmou que as reuniões de domingo incluíram esclarecimentos sobre o que o Irão quis dizer com recentes declarações sobre o estreito de Ormuz.

Os negociadores debateram também “mecanismos” para garantir que o estreito permanece aberto e que um cessar-fogo no sul do Líbano é cumprido, bem como discussões “robustas” sobre a questão nuclear.

Outras fontes • AP

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

EUA e Irão trocam ameaças públicas durante negociações na Suíça

Suíça: delegações dos EUA e do Irão chegam para negociações de paz

Irão volta a fechar o estreito de Ormuz após ataques israelitas ao Líbano