O antigo ministro britânico das Forças Armadas, Al Carns, afirmou que Burnham conta com o seu "total apoio" e que "mereceu plenamente esta vitória".
Andy Burnham deu mais um passo importante para se tornar o próximo primeiro-ministro do Reino Unido, depois de o último potencial rival à liderança do Partido Trabalhista ter afastado a hipótese de entrar na corrida.
Antigo ministro das Forças Armadas, Al Carns disse à Sky News que uma disputa prolongada e divisiva pela liderança "não seria a melhor forma de o Partido Trabalhista usar o seu tempo" e apelou ao partido para "se unir em torno" de Burnham.
Com esta decisão, Burnham fica como único candidato ainda em jogo. As candidaturas à liderança deverão abrir na quinta-feira. Se não surgir mais nenhuma declaração de candidatura, Burnham deverá assumir a liderança trabalhista e o cargo de primeiro-ministro ainda este mês.
Num texto publicado na rede social X, Carns afirmou que Burnham tinha o seu "total apoio" e que "fez por o merecer".
"A nossa função agora, enquanto equipa do Partido Trabalhista, é ajudá-lo a ter sucesso, porque o país precisa disso", acrescentou.
Darren Jones, secretário-de-Estado principal junto do primeiro-ministro e chanceler do Ducado de Lancaster, também chegou a ser apontado como candidato à liderança, mas anunciou no mês passado que se afastaria, questionando de que forma o país e o partido beneficiariam com a realização de uma disputa interna.
A situação surge depois de o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, ter anunciado que deixará o cargo em junho.
Starmer, sob crescente pressão desde os resultados desastrosos do Partido Trabalhista nas eleições autárquicas de maio, manter-se-á em funções até que o partido anuncie um sucessor.
Burnham anunciou que se candidataria à liderança depois de vencer, em junho, as eleições intercalares em Makerfield, onde obteve cerca de 55% dos votos e superou os candidatos do Reform UK, de Nigel Farage, e do Restore Britain, partido de extrema-direita de Rupert Lowe.
Antes disso, Burnham foi deputado por Leigh entre 2001 e 2017, antes de se tornar presidente da câmara da Grande Manchester, cargo em que supervisionou um período de forte crescimento económico e cultural na região.
Desde o regresso a Westminster, tem centrado a atenção nas questões internas ao definir a sua agenda política, prometendo pôr fim ao modelo económico do trickle-down e ao neoliberalismo e comprometendo-se a criar um "número 10 do Norte", que, afirma, ajudará a descentralizar o poder para outras partes do Reino Unido.
No plano internacional, Burnham já defendeu o regresso do Reino Unido à União Europeia, mas durante a campanha em Makerfield refreou as expetativas de que pudesse tentar essa reentrada, afirmando que, embora continue a considerar que o Brexit foi prejudicial para o Reino Unido, não acha que seja o momento certo para reabrir esse debate.
"Na minha opinião, o Brexit foi prejudicial", afirmou em maio. "Mas também acredito que a última coisa de que precisamos agora é voltar a reeditar esses argumentos".