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Candidatos divergem pouco sobre política externa dos Estados Unidos

Candidatos divergem pouco sobre política externa dos Estados Unidos
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O último debate televisio, constituiu a derradeira oportunidade para os candidatos à Casa Branca de se dirigirem a milhões de eleitores…

Na mesa, a política externa norte-americana, algo muito esperado por Obama para passar à ofensiva e “driblar” o adversário com humor, em resposta à promessa de que iria investir mais na construção naval.

Barak Obama, presidente cessante, candidato democrata:
“Creio, governador, que não estudou bem o funcionamento do Exército. Afirmou que temos menos navios do que em 1916. Bem, governador, também temos menos cavalos e menos baionetas porque a natureza do Exército evoluiu. Temos estas coisas chamadas porta aviões, onde os aparelhos aterram. Temos uns barcos que navegam debaixo de água e que se chamam submarinos nucleares”

Mitt Romney contra-atacou, criticando Obama pela incapacidade em impedir a ameaça da Al Qaeda no norte e no ocidente de África e na Síria.

O senador e candidato republicano mostrou de novo que a ignorância é muito atrevida e grande desconhecimento de noções essenciais de geografia:

“A Síria constitui uma oportunidade para nós porque tem um papel determinante no Médio Oriente, especialmente nesta conjuntura. A Síria é o único aliado do Irão no mundo árabe, por ser a única saída para o mar. É a via para armar o Hezbollah no Líbano, que ameaça os nossos aliados israelitas. Por isso, remover Al Assad do poder é uma prioridade para nós.”

Mas, não só a Síria não faz fronteira com o Irão como Teerão tem a via aberta para a própria costa marítima…
Assim, Romney tentou esgrimir argumentos em economia:

“Todos os anos assisto ao encerramento de empresas e à perda de postos de trabalho por causa da China não estar sujeita às mesmas regras do que os outros países, nomeadamente por desvalorizar artificialmente a própria moeda. É o que mantém baixos os preços das mercadorias chinesas e faz com que os nossos não sejam competitivos. Há que acabar com esta situação.”

Mas Obama defendeu a sua gestão com unhas e dentes:

“Nomeei um grupo de trabalho para perseguir os que fazem batota no comércio internacional. Por esta razão conseguimos muitos mais processos contra a China, por violar as regras comerciais, do que foi conseguido nos dois mandatos da anterior administração. E ganhámos praticamente todas as denúncias que fizémos.”

A duas semanas das eleições, e apesar dos três debates, nenhum candidato conseguiu verdadeiramente descolar nas sondagens..

Christiane Amanpour, da norte-americana ABC News analisou o resultado do debate para a euronews.

Não ficou claro se o debate de ontem à noite vai fazer mudar a opinião de muitos eleitores, mas que diferenças se notaram no programa de política externa dos candidatos?

Christiane Amanpour – Realmente, não. Aqui nos Estados Unidos os títulos enchem-se sobre quem ganhou, e Obama ganhou claramente em substância e pontos.

Tem havido poucas análises sobre o que disse o presidente, que se recandidata, e o seu rival, Mitt Romney, que não explicou o que pretende no futuro.

Se analisarmos os temas importantes abordados, desde o Irão até à postura norte-americana no mundo, passando pela primavera árabe e se ela é causa de esperança ou de pessimismo, na maioria, incluindo Israel, os dois mantiveram-se praticamente lado a lado.

euronews – Romney é conhecido pelas gafes nas viagens ao estrangeiro. Salvou a face neste debate?

CA – Isso aconteceu no verão, na primeira viagem ao estrangeiro, e as pessoas compararam imediatamente com a primeira viagem ao estrangeiro de Obama, quando era candidato, em julho de 2008.

O governador Romney foi a Inglaterra, depois a Israel, e fez conferências de imprensa polémicas sobre Israel e o que defendia em relação ao Irão.

Mas neste debate, já não defendeu uma política externa tão conservadora e posicionou-se muito mais ao centro. Afirmou apenas que não concordava com as sanções contra o Irão e que ia endurecê-las.

Quando falaram do Afeganistão e do Paquistão também não se constataram diferenças. Obama repetiu que 2014 era um prazo não negociável, tal como Mitt Romney. A questão é se Mitt Romney pretende algumas alterações a esse princípio.

euronews – Os eleitores importam-se mais com o país do que com o estrangeiro….quem é que lhes pareceu melhor?

CA – Em muitos momentos do debate, os dois defenderam os assuntos internos, nomeadamente quando foram questionados sobre o lugar de Estados Unidos no mundo…falaram de economia, educação e preparação da força laboral para o futuro.

Mas repito, distanciaram-se pouco, o que demonstra uma verdade sobre a diplomacia norte-americana: não importa o que se diga na campanha para as primárias ou na reta final, a política externa dos Estados Unidos segue a mesma linha traçada há décadas.

Uma das oportunidades de se diferenciarem foi na questão da Síria. Romney, num prévio e único discurso sobre política externa, afirmou que seria mais duro com a Síria e no debate não o reafirmou.

euronews – Não se falou muito nos palestinianos, mas, na verdade, a questão palestiniana pode influir em como o mundo árabe vê os Estados Unidos. Foi um erro não falar nisso?

CA – Na realidade, a questão não foi colocada e considero um erro enorme.

Porque, obviamente, nenhum dos candidatos quer falar da crise israelo-palestiniana.

Mitt Romney disse que não houve negociações de paz entre israelitas e palestinianos nos últimos dois últimos anos e, para haver alguma esperança, é necessária a pressão dos Estados Unidos.

Não há outro modo de lidar com o problema, tanto israelitas como palestinianos pensam que é necessária uma liderança norte-americana sólida, sem a qual não há resolução possível.

Mas nenhum dos candidatos proferiu uma palavra sobre o assunto, não lhes interessava falar pois não ganhavam nada com isso.