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Moçambique aposta nos burros para transportar doentes

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Moçambique aposta nos burros para transportar doentes

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Uma nova forma de transporte de pacientes foi criada há semanas em Moçambique. O serviço de ambulâncias de Chibabava, um distrito da província de Sofala, em Moçambique, conta agora com a ajuda de 15 burros.

O distrito de Chibabava tem mais de cem mil habitantes e poucos recursos logísticos. Os 15 burros ficam assim incumbidos de suprir a escassez de veículos de emergência e transportar os pacientes das zonas mais remotas aos centros médicos de Panja, Muxúnguè e Chibabava.

Com a ajuda de uma organização austríaca, a comunidade pôde comprar 30 burros à província vizinha, Tete, pelo valor de 400euros cada. Os burros começaram entretanto a reproduzir-se e já são mais de 40.

O transporte de passageiros e ambulâncias fica dificultado pelo mau estado das estradas na região, palco de conflitos recentes entre o exército de Moçambique e os ex-guerrilheiros da Residência Nacional Moçambicana, e pela tensão política entre os adversários de guerra civil, a Renamo e a Frelimo. Os asnos são o transporte alternativo.

Além disso, “uma ambulância motorizada não é rentável. Precisa de um motorista, de gasolina e manutenção. A comunidade não tem como suportar esses altos custos”, afirma Maria de Lourdes Mboana, coordenadora da associação de mulheres, ComuSanas.

“O serviço é para todos os tipos de pacientes, embora a prioridade seja a saúde materno-infantil… grávidas ou mulheres com complicações de parto, mas também para pessoas com doenças crónicas”, acrescenta Maria de Lourdes.

Os animais foram treinados para, dois a dois, realizarem uma espécie de maca capaz de transportar os doentes deitados até ao centro de saúde mais próximo.

Este serviço de ambulância feito pelos burros facilita o acesso aos centros e evita os partos não assistidos, feitos em casa. Um serviço gratuito para as mulheres, que pode colocar um ponto final a um dos principais motivos da mortalidade pós-parto, em Moçambique.

Foto: Flickr CC @jbdodane