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Líder da região separatista da Transnístria quer negociar "divórcio civilizado" da Moldávia

Líder da região separatista da Transnístria quer negociar "divórcio civilizado" da Moldávia
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A Transnístria também quer juntar-se à Rússia.

Não é reconhecida como território independente, juridicamente é uma região da Moldávia mas, de forma unilateral declarou a independência em 1990 e aprovou em referendo a integração do território na Federação Russa em 2006.
O pequeno território tem meio milhão de habitantes, estima-se que cerca de 200 mil têm um passaporte russo e tem 1500 militares russos em permanência.

Quando Yevgeny Shevchuk assumiu o cargo de líder da região separatista, em 2011, os analistas descreveram-nos como um potencial reformista.
A euronews esteve na região e entrevistou Shevchuk.

Hans von der Brelie, euronews:
“Na parede desta sala existe uma fotografia de Vladimir Putin, a atrás de mim temos um quadro do Kremlin em Moscovo.
Estamos em solo russo ou em território da Moldávia?”

Yevgeny Shevchuk, presidente região separatista Transnístria:
“Estamos no território da Transnístria…e aqui existe também a fotografia do patriarca russo…”

Hans von der Brelie, euronews: “Teme, de alguma forma, que a tensão na vizinha Ucrânia possa chegar à Moldávia?”

Yevgeny Shevchuk, presidente região separatista Transnístria:
“Estamos muito preocupados com o que se está a passar na Ucrânia e esperamos que não nos afete.”

Hans von der Brelie, euronews:
“Que mensagem envia ao governo de Kiev?”

Yevgeny Shevchuk, presidente região separatista Transnístria:
“Parem de apelar à força!”

Hans von der Brelie, euronews:
“Dentro de poucos dias, a Moldávia vai assinar um acordo de livre comércio com a União Europeia. Que impacto terá para a região de Transnístria?”

Yevgeny Shevchuk, presidente região separatista Transnístria:
“No geral, a assinatura desse acordo vai ter um impacto negativo na nossa economia porque não participámos nas negociações. É claro que também existem alguns aspectos positivos mas os negativos são maiores.
É por isso que, em termos globais, este acordo de livre comércio vai ter um impacto negativo para nós. Durante as negociações alertámos todos para os problemas. Agora estamos a esforçar-nos para que sejam feitas alterações mas não parecem suficientes.”

Hans von der Brelie, euronews:
“Porque não avançar para a reunificação da Moldávia e da Transnístria de forma a resolver esses problemas?”

Yevgeny Shevchuk, presidente região separatista Transnístria:
“A reunificação poderia ser uma boa ideia se não existissem contradições, se não existissem conflitos entre a Transnístria e a Moldávia. E claro, se o povo da Transnístria quisesse estar unido com a Moldávia, mas esse não é o caso, muito pelo contrário. Acreditamos que a melhor solução seria o chamado “divórcio civilizado” com a Moldávia e depois disso teriamos boas oportunidades e iriamos conseguir desenvolver a economia da região a nível externo.”

Hans von der Brelie, euronews:
“Isso quer dizer que exclui categoricamente a reunificação com a Moldávia? Sim ou não?”

Yevgeny Shevchuk, presidente região separatista Transnístria:
“Acredito que a resposta clara para essa questão deve ser dada pelos cidadãos deste país e pela própria vontade – não pelo líder. E a vontade dos cidadãos foi expressa num referendo. É evidente que o povo não quer a reunificação com a Moldávia.”

Hans von der Brelie, euronews:
“Quer tornar-se parte da Rússia. Ao trabalhar nesse sentido, não se arrisca a reacender o conflito nesta região, não arrisca a que haja um agravamento da situação e se avance para uma guerra sangrenta?”

Yevgeny Shevchuk, presidente região separatista Transnístria:
“O nosso principal objetivo é a independência e o reconhecimento internacional. Esse é o primeiro passo. Queremos que o povo da Transnístria seja tido a consideração. Claro que resto do mundo há países com opiniões diferentes. E entre eles podem existir alguns que pensam em usar a força para resolver este problema.
Mas não acredito que essa seja uma solução, no século XXI. Acredito que neste século deviamos resolver os problemas sentados à mesa das negociações e deviamos respeitar a vontade dos cidadãos, das pessoas deste país.”

Hans von der Brelie, euronews:
“Tenho a informação de que homens armados da Transnístria cruzaram a fronteira com a Ucrânia e participaram nos confrontos em Odessa. Pode confirmar-me esta informação? Teve conhecimento?”

Yevgeny Shevchuk, presidente região separatista Transnístria:
“Essa é uma informação falsa difundida pelos meios de comunicação na Ucrânia e pelas próprias autoridades ucranianas. Tive um encontro com o embaixador da Ucrânia na Moldávia e com representantes ucranianos que estiveram nas negociações entre a Moldávia e a Transnístria- e essa informação sobre a participação de rebeldes da Transnístria nos confrontos de Odessa foi negada.”

Hans von der Brelie, euronews:
“O Parlamento Europeu descreve a Transnístria como um eixo para o crime organizado, para o contrabando e para o tráfico de pessoas – Este relatório foi divulgado durante o mandato de Smirnov, o seu antecessor. Alguma coisa mudou ou a Transnístria continua a debater-se com os mesmos problemas?”

Yevgeny Shevchuk, presidente região separatista Transnístria:
“Falando de contrabando, é preciso dizer que esse tipo de fenómeno existe em muitos países em todo o mundo, incluindo em alguns que têm fronteiras bem equipadas.
Existem acusações contra a Transnístria em matéria de contrabando de armas ou tráfico de seres humanos, ouvimos essas insinuações no passado e continuamos a ouvi-las hoje. Mas tenho de declarar oficialmente que o Estado da Transnístria não está envolvido nessas atividades de contrabando. Esses rumores são espalhados com o objetivo de espalhar o medo nos países da União Europeia e criar a ideia de que é necessário fazer alguma coisa contra a Transnístria, combater a Transnístria para resolver o problema do contrabando.”

Hans von der Brelie, euronews:
“Quantos passaportes russos foram entregues na região durante os últimos anos? E já agora, de onde é o seu passaporte?”

Yevgeny Shevchuk, presidente região separatista Transnístria:
“Existem cerca de 200 mil cidadãos russos a viver na Transnístria e além disso, há quem tenha dupla nacionalidade. O parlamento adotou uma lei que permite aos cidadãos da Transnístria ter multiplas nacionalidades.
Quero ainda acrescentar que sou um cidadão da Federação russsa mas não sou um cidadão da Moldávia.
E se existesse um passaporte de “cidadão do mundo”, teria muito gosto em ter um…”