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Netanyahu enfrenta luta renhida nas eleições em Israel

De  Isabel Marques da Silva
Netanyahu enfrenta luta renhida nas eleições em Israel
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Benjamin Netanyahu é um veterano de guerra mas também das campanhas eleitorais, já que foi eleito três vezes primeiro-ministro de Israel.

O primeiro-ministro chegou ao fim da campanha muito desligado dos temas que interessam aos israelitas, tais como alimentação, educação e saúde.

Mas desta vez tenta a reeleição a meio do mandato – iniciado em 2013 – depois de uma luta política interna que culminou com o fim da coligação governamental, em dezembro passado.

Em causa esteve a tentativa de aprovar uma lei que designava o país como “Estado Judaico”.

Dois ministros consideraram-na anti-democrática e alienadora dos 20% de cidadãos de Israel que são árabes.

Netanyahu, que lidera o Likud (partido de centro-direita), espera que as eleições antecipadas, marcadas para 17 de março, lhe reforcem a autoridade, mas a corrida está renhida.

As sondagens projetam um empate com a União Sionista: uma coligação de centro-esquerda, entre o Partido Trabalhista de Isaac Herzog e a centrista Tzipi Livni.

A União Sionista centra as promessas eleitorais na economia, marcada atualmente pelo alto custo de vida e uma bolha imobiliária.

A coligação promete também retomar o processo de paz no Médio Oriente, enquanto que Netanyahu tem apostado numa posição de força a nível da segurança interna.

Este mandato foi marcado por mais uma devastadora guerra no território palestiniano de Gaza, no verão de 2014.

Essa posição de falcão é também visível na forma como o primeiro-ministro antagonizou o governo norte-americano, que se esforça por obter um acordo sobre o programa nuclear do Irão.

Netanyahu discursou recentemente no Congresso dos Estados Unidos da América, controlado pelos republicanos, para criticar a política do Presidente democrata, Barack Obama, nesta matéria.

“Netanyahu projeta uma imagem de pessoa distante”

Para analisar os desafios destas eleições, o correspondente da euronews em Bruxelas, James Franey, entrevistou a repórter de política e bloguista Tal Schneider, numa ligação via satélite com Israel.

James Franey/euronews (JF/euronews): “Passaram apenas dois anos desde que os israelitas foram chamados às urnas. Como se sentem com esta nova ida a votos?”

Tal Schneider/jornalista em Israel (TS/jornalista em Israel): “Em Israel estamos habituados a convocar eleições antecipadas, não é nada de novo. Mas um governo de apenas 24 meses não é bom, devia haver mais estabilidade. O público israelita está incomodado com o facto dos governos serem tão instáveis e de haver novas eleições ao fim de tão pouco tempo”.

JF/euronews: “Face a esse sentimento de frustração com a classe política, qual é a questão mais debatida pelos eleitores?”

TS/jornalista em Israel: “Tem-se sentido um aumento dos preços ligados à habitação e aos bens essenciais nos últimos cinco ou seis anos, pelo que as pessoas falam muito sobre isso. Não falam sobre terrorismo, sobre a ameaça do Irão – o que é algo curioso. Às vezes discutem um pouco sobre terrorismo, até porque passaram apenas oito meses desde a última guerra devastadora. Falam sobre segurança, mas raramente mencionam a questão do Irão, que é um tema realçado pelo primeiro-ministro. Ele não deu muita atenção aos temas que preocupam as pessoas”.

JF/euronews: “Então, as questões económicas explicam a queda de popularidade de Benjamin Netanyahu?”

TS/jornalista em Israel: “Netanyahu tem projetado, nos dois últimos anos, uma certa imagem de pessoa distante do público. É como se dissesse: “não me interessam os problemas económicos, só quero saber do Irão”. O Irão é obviamente uma grande ameaça, mas não é uma preocupação do dia-a-dia. O primeiro-ministro chegou ao fim da campanha muito desligado dos temas que interessam aos israelitas tais como alimentação, educação, saúde; tal como acontece num qualquer país ocidental”.

JF/euronews: “O que pode dizer-nos sobre os principais adversários de Netanyahu, isto é, Isaac Hertzog e Tzipi Livni, líderes da União Sionista, de centro-esquerda? Deram sinais de quererem uma diálogo diferente com os palestinianos?”

TS/jornalista em Israel: “Netanyahu está a terminar seis anos de mandato em que não tomou iniciativas nesse sentido. Mesmo depois da guerra em Gaza – quando os especialistas diziam que havia uma oportunidade para fazer algum tipo de acordo regional de paz – Netanyahu não fez nada a esse respeito. Isaac Herzog não tem experiência executiva ao nível da segurança de Estado – trabalhou como ministro dos Assuntos Sociais -, mas sabemos que nos últimos dois anos teve reuniões com Abu Mazen e visitou Ramallah várias vezes. O partido de Herzog mantém contactos com o partido palestiniano Fatah e prepara planos ao nível económico. Isso porque é um tema que está no topo da agenda desse partido e dos seus apoiantes. Uma das coisas que Herzog teria de resolver em primeiro lugar é melhorar a relação com o governo dos Estados Unidos da América. Será talvez uma das primeiras chamadas telefónicas a fazer na semana que vem, de forma a consertar os erros feitos nos últimos meses e que foram devastadores, do nosso ponto de vista”.