A Euronews deixou de estar acessível no Internet Explorer. Este navegador já não é suportado pela Microsoft, e os mais recentes recursos técnicos do nosso site não podem mais funcionar corretamente. Aconselhamos a utilização de outro navegador, como o Edge, o Google Chrome ou o Mozilla Firefox.
Última hora

Mediterrâneo: O lixo da vergonha

Mediterrâneo: O lixo da vergonha
Euronews logo
Tamanho do texto Aa Aa

Uma praia com 283 coletes de salvação abandonados

Mais de oito toneladas de lixo tornam as praias do Mediterrâneo impraticáveis. São vestígios de milhares de passageiros clandestinos que por aqui passam à pressa. Em duas praias da ilha de Lesbos, na Grécia, as imagens impressionam.

“Em alguns casos, quando estes barcos insufláveis são interceptados pela guarda costeira, os imigrantes furam a borracha para que a embarcação se afunde obrigando os guardas a resgatá-los”

O custo ambiental deste fenómeno migratório via Mediterrâneo é quantificável. O gráfico abaixo expõe a realidade que os habitantes da ilha de Lesbos conhecem e contra a qual nada podem.

Investigadores no terreno contaram e pesaram o lixo doméstico, bem como os objectos deixados pelos migrantes que chegam pela Turquia à ilha grega, desde coletes salva-vidas a tubos de borracha improvisados pelos clandestinos e barcos destruídos.

Numa área de 100 metros de praia foram descobertos oito embarcações intactas, 48 tubos de borracha, 36 peças de vestuário e calçado. Os dejectos não só impactam diretamente sobre o ecosistema da região como afectam negativamente a paisagem e a atividade turística. Os ambientalistas receiam pela vida marinha e pela atividade piscatória. Os peixes consomem uma parte desses detritos, nomeadamente plásticos, o que representa um perigo real para a saúde pública, na medida em que uma série de substâncias nocivas penetram na cadeia alimentar, segundo os alertas emitidos por investigadores da Universidade de Egeu. Fragmentos maiores também podem prejudicar plantas e os animais marinhos, na eventualidade de esses detritos serem arrastados para alto mar.

Esta realidade não pode, no entanto, sobrepôr-se ao drama humano a que o mundo assiste. Lembramos que mais de 3.000 migrantes morreram ao logo deste ano, tentando atravessar o Mediterrâneo. Os custos económicos para os gregos que apoiam estas pessoas, o impacto ambiental e a perda de tantas vidas humanas são incalculáveis