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Hendrik Ilves:"Como pode o mediador para a paz ser aquele que originou todo o problema?"

Hendrik Ilves:"Como pode o mediador para a paz ser aquele que originou todo o problema?"
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Isabel Kumar: Connosco está o chefe de Estado da Estónia, Toomas Hendrik Ilves. Vladimir Putin é visto como alguém que assume riscos. O que espera do presidente russo este ano?

Toomas Hendrik Ilves: “É muito difícil dizer. Há dois anos tínhamos esta situação inesperada do pós-guerra com a invasão da Ucrânia e a tomada ou a anexação do território. No ano passado, em 2015, assistimos a uma mudança rumo à Síria assumindo, basicamente, uma posição de força até chegar à mesa das negociações. Por isso, tendo em conta os últimos dois anos, não me atrevo a prever nada.”

Kumar: Em relação à Estónia, creio que a determinada altura encarou o presidente Vladimir Putin como uma ameaça militar para o seu país. Sente que ainda é o caso ou isso mudou?

Toomas Hendrik Ilves: “Digamos que a situação no terreno ou mais, concretamente, no ar não mudou. Ao longo dos últimos dois anos assistimos a um aumento exponencial de voos militares que representam uma enorme ameaça para a aviação civil, com danos potenciais elevados, e todo os tipo de manobras e exercícios militares junto à nossa fronteira, de uma forma bastante ameaçadora, não só para nós, mas para a toda região. Não se trata apenas da Estónia. Também a Suécia, a Dinamarca, a Letónia e a Lituânia têm assistido a este aumento exponencial. Em relação ao sentimento de segurança, penso que nos últimos dois anos temos visto a NATO a dar mais atenção à nossa área. Toda a gente estava tranquila e pensava que a ameaça não existia. Agora a NATO mudou de ideias.”

Kumar: E em relação à segurança informática? A Estónia foi alvo de um ataque cibernético massivo em 2007. O país está agora protegido para lidar com este tipo de ameaça?

Toomas Hendrik Ilves: “O ataque cibernético que sofremos foi uma espécie de ataque da “idade da pedra” se compararmos com o que existe agora. Diria que estamos entre os países mais seguros do mundo, mas ao mesmo tempo isso não quer dizer grande coisa.

Kumar: Sei que olha para o presidente russo, Vladimir Putin, como uma ameaça. Mas e enquanto mediador para a paz? Porque essa é uma posição na qual está a tentar colocar-se neste momento. Tem confiança em Putin nessa posição?

Toomas Hendrik Ilves: “A verdade é que invadiu a Ucrânia, bombardeou a Síria e depois assumiu uma posição de força na mesa das negociações. Como pode o mediador para a paz ser aquele que originou todo o problema? Quero com isto dizer, que acaba por se tornar um parceiro obrigatório, desde logo, porque criou o problema. E depois diz: como criei o problema têm de negociar comigo. Por isso, não utilizaria o termo “negociador para a paz.”