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Amnistia Internacional denuncia cerca de 18 mil mortos nas prisões da Síria

Amnistia Internacional denuncia cerca de 18 mil mortos nas prisões da Síria
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De  Isabel Marques da Silva com Lusa e Reuters
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A Amnistia Internacional (AI) denunciou, esta quinta-feira, as "torturas, condições desumanas e mortes" que ocorrem sistematicamente nas prisões da Síria, apontando cerca de 18 mil mortos sentre os de

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A Amnistia Internacional (AI) denunciou, esta quinta-feira, as “torturas, condições desumanas e mortes” que ocorrem sistematicamente nas prisões da Síria, apontando cerca de 18 mil mortos entre os detidos, desde março de 2011.

O relatório cita os testemunhos de 65 sobreviventes de tortura, o que permitiu, também, fazer um filme animado sobre as condições na prisão militar de Saydnaya, uma das mais duras da Síria.

Um dos sobreviventes, Salam Othman, explica que “ao chegarmos, ouvíamos os gritos dos guardas. Estavam muito contentes por dar as “boas-vindas” aos prisioneiros. Assim que se abria a porta do camião, cada um dos guardas agarrava um preso e começava a bater-lhe”.

“I saw the blood, it was like a river” harrowing torture and death in custody in Syria https://t.co/BrEL22fQKppic.twitter.com/3EcwnsE9Ae

— amnestypress (@amnestypress) August 18, 2016

Outro entrevistado, Diab Serrih, contou que “Saydnaya é como uma prisão em silêncio, há um silêncio profundo. As pessoas não podem levantar a voz ou falar livremente, se o fizerem são punidas ou espancadas. De vez em quando, as redes sociais publicam imagens de pessoas que entraram naquela prisão pesando cerca de 100 quilos e que saem a pesar cerca de 40 quilos.”

A organização de defesa dos direitos humanos pede à comunidade internacional que faça deste tema prioridade no diálogo com as autoridades sírias e os opositores.

A coordenadora do projeto, Christina Varvia, refere que “o que pretendemos fazer com este trabalho é tentar construir a história desta prisão. E também falar em nome de todas as pessoas que ainda lá estão, porque é algo que não está terminado”.

Philip Luther, diretor do programa da AI para o Médio Oriente e Norte de África, recorda que durante décadas o Executivo sírio recorreu à tortura como “forma de derrubar os seus opositores” e que atualmente essa prática “faz parte de um ataque sistemático dirigido contra qualquer suspeito de se opor ao Governo, entre a população civil, e equivale a crimes contra a humanidade”.

Mais de 250 mil pessoas morreram em quase cinco anos de guerra na Síria, com mais de 11 milhões de pessoas deslocadas pelo conflito, segundo as Nações Unidas.

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