Parte da Europa fecha as suas portas para melhor controlar a emigração

Parte da Europa fecha as suas portas para melhor controlar a emigração
De  Nara Madeira
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Depois da Europa sem fronteiras alguns países fazem marcha atrás mas, desta vez, constroem verdadeiras barreiras, “Muros de Berlim” dos tempos modernos, ou seja, o betão deu lugar, na maioria dos caso

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Depois da Europa sem fronteiras alguns países fazem marcha atrás mas, desta vez, constroem verdadeiras barreiras, “Muros de Berlim” dos tempos modernos, ou seja, o betão deu lugar, na maioria dos casos, ao arame farpado e as motivações são outras.

Na origem destas medidas extremas de segurança está a crise migratória que levou mesmo França, principalmente para serenar os ânimos do outro lado do Canal da Mancha, a iniciar a construção de uma imensa barreira, para tentar controlar a emigração ilegal.

Mas foi a Hungria, aliás muito criticada e ameaçada pelos seus pares na União Europeia, a pioneira nesta corrida ao restabelecimento, efetivo, das fronteiras. Quatro metros de altura de uma cerca que percorre os 175 quilómetros da fronteira com a Sérvia e depois com a Croácia.

O precedente estava aberto. Áustria, Eslovénia e a Noruega seguiram os passos da Hungria.

A Áustria, com 90 000 pedidos de asilo submetidos, o que representa mais de 1% da população do país, sente-se sugada por esta crise. A decisão de construir um muro, na fronteira com a Itália e Alemanha, não tardou. Os italianos mostraram reticências e protestaram, alheios às dúvidas dos vizinhos, a obra já começou, ainda que o governador da província autónoma italiana de Tirol do Sul tente minimizar a situação:

“Tanto quanto sei, o que está a ser construído é uma plataforma de betão, para que possa ser colocado um telhado, o objetivo é que as pessoas que efetuam os controlos de fronteira tenham um teto sobre as cabeças”, afirmou Arno Kompatscher.

Em Calais, França, há também um maior controlo, há já algum tempo. O objetivo é garantir a segurança na estrada nacional, que liga ao Porto e onde nasceu a chamada “Selva de Calais”, onde se amontoam pessoas, de várias origens, que têm como objetivo atravessar para o Reino Unido. Aqui, arrancou, na terça-feira, a construção de uma barreira de 4 metros de altura e um quilómetro de comprimento.

A crise migratória toca também os países mais a norte da Europa, reputados pela sua generosidade. Um mito, talvez, já que a Noruega está a construir uma fronteira física, no Ártico, no lugar onde se encontra com a Rússia, o mesmo através do qual mais 5000 refugiados, maioritariamente sírios, atravessaram em busca de um futuro melhor.

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