Euronews is no longer accessible on Internet Explorer. This browser is not updated by Microsoft and does not support the last technical evolutions. We encourage you to use another browser, such as Edge, Safari, Google Chrome or Mozilla Firefox.

Última hora

Última hora

Há venezuelanos a morrer por falta de medicamentos

Há venezuelanos a morrer por falta de medicamentos
Tamanho do texto Aa Aa

Com a grave crise que a Venezuela atravessa até um arranhão na pele pode custar a vida. A falta de antibióticos deixou Ashley, uma menina de três anos, às portas da morte e em risco de ter de amputar uma perna. A mãe refere que tudo começou com uma pequena ferida:

Segundo os dados do governo, em 2015, um em cada três pacientes admitidos nos hospitais públicos acabou por morrer.

“Ela caiu e arranhou-se. Nunca esperámos que a ferida causasse tantos problemas. Duas semanas depois estava com artrite, uma artrite séptica (uma infeção numa articulação)”, relata Oriana Pacheco.

O pediatra de Ashley explica como ocorreram as complicações de saúde da menina: “Maykelis (Ashley) Pacheco é uma menina de três anos que foi admitida no hospital com uma infeção na pele provocada por um germe resistente. O germe chegou à corrente sanguínea e daí atingiu os pulmões, provocando uma pneumonia, que subsequentemente resultou numa infeção cardíaca – uma endocardite, que afeta a membrana interna do coração. Para eliminar ou controlar a infeção, a menina devia ter tomado imediatamente um antibiótico, o Vancomycin. Mas, a criança não recebeu o medicamento porque não o temos aqui”, esclarece o Dr. Richard Rangel.

Só no espaço de uma semana, na primavera passada, o pediatra viu cinco crianças morrerem por falta de antibióticos. Mas, nos hospitais públicos, falta um pouco de tudo, até álcool: desde 2014, o número de camas operacionais foi reduzido em 40%. A associação de farmácias afirma que faltam 85% dos medicamentos. Segundo os dados do governo, no ano passado, um em cada três pacientes admitidos nos hospitais públicos acabou por morrer.

Graças aos esforços dos pais, a pequena Ashley acabou por salvar-se. Os progenitores passaram horas nas filas para conseguirem consulta nas clínicas privadas e para comprarem medicamentos. Para tratar da filha, venderam o frigorífico, a televisão ou ainda o telemóvel. Após dois meses de internamento, Ashley teve alta e regressou a casa, no final de setembro.

A dramática odisseia acabou por terminar bem tendo em conta a gravidade das complicações de saúde que a criança sofreu. Mas, apesar do estado catastrófico da economia venezuelana, o governo continua a não aceitar ajuda humanitária internacional para mitigar o problema da falta de medicamentos.