Fuga da batalha por Mossul: O reencontro de familiares que não se viam há anos

Fuga da batalha por Mossul: O reencontro de familiares que não se viam há anos
De  Francisco Marques com RUDAW, AP, ONU
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Mais de 30 mil pessoas já fugiram dos combates para recuperar o controlo do último grande bastião do "Daesh" no norte do Iraque e algumas tiveram uma pequena alegria.

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Duas semanas e meia após o início pelas forças iraquianas da ofensiva para recuperar Mossul ao grupo terrorista autoproclamado Estado Islâmico (“Daesh”/ ISIL), milhares as pessoas continuam a fugir todos os dias daquele que se diz ser o derradeiro grande bastião dos “jihadistas” no norte do Iraque.

Os refugiados partem em busca de abrigo nos acampamentos levantados por entidades humanitárias a algumas dezenas de quilómetros de Mossul. Ao drama de largarem tudo para salvar a vida, por vezes junta-se a felicidade de reencontrarem familiares há muito perdidos.

Moving scenes of family reunification at Hasansham camp. 5K+ people from outskirts of #Mosul arrived over the last two days. #MosulAidpic.twitter.com/bZcap79XvD

— UNICEF Iraq يونيسف (@UNICEFiraq) 5 de novembro de 2016

Foi o caso de Souad Mohammed, que reencontrou a mãe dois anos e meio depois e acusa o grupo Estado Islâmico de não seguir de facto o Islão ao proibi-los de verem a família.

“Os meus irmãos, a minha mãe, os meus tios e tias. Não os via há dois anos e meio. O ‘Daesh’ alega seguir o Islão, mas no Islão a família é importante. Como podem eles valorizar a família, se eu não via a minha mãe há dois anos e meio? Eles não valorizam, eles separam famílias”, sublinha esta deslocada.

Cameras capture moments in Mosul as families separated by ISIS finally see each other again for the first time in two years pic.twitter.com/rdxnJ78r6p

— Iraqi PMU English (@pmu_english) 5 de novembro de 2016

Souad Mohammed admitiu sentir “um misto de emoções” à chegada ao acampamento de Khazer, um dos campos das Nações Unidas (ONU) levantado a leste de Mossul. “Sinto-me feliz e com medo. Estou nervosa. Tenho medo pelos meus filhos que um morteiro nos possa atingir. Ao mesmo tempo, estou feliz por termos escapado. Esperava reencontrar a minha família. Era importante para mim ver a minha mãe”, acrescentou.

Só durante o dia de sexta-feira mais de três mil refugiados deram entrada num outro campo gerido pela ONU, o de Hasansham. Fugiram dos intensos combates pela reconquista de Mossul entre as forças iraquianas e os “jihadistas.”

More than 3,300 displaced #Iraqis fleeing #Mosul offensive spent last night in new UNHCRIraq</a>&#39;s Hasansham camp; 1k + more on way <a href="https://t.co/SXWy4F947E">pic.twitter.com/SXWy4F947E</a></p>&mdash; Caroline Gluck (carogluck) 5 de novembro de 2016

As notícias deste sábado, adiantadas pela agência de notícias curda, a Rudaw, dão conta da entrada das forças iraquianas em Hamam al-Alil e de já ter sido inclusive hasteada a bandeira do Iraque no centro desta cidade situada 15 quilómetros a sul dos limites de Mossul. Ainda assim, os combates ali mantêm-se intensos.

Inside Mosul: Satellite imagery reveals ISIS defences #MosulOffensivehttps://t.co/D5Ioupr5pA

— Rudaw English (@RudawEnglish) 5 de novembro de 2016

Recorrendo a civis como escudos humanos (há relatos de que a população de Hamam al-Ali terá triplicado nas últimas semanas como os civis para ali transferidos), o “Daesh” resiste e contra-ataca com recurso a motos, alegadmente para evitar os raides aéreos.

A nordeste de Mossul, entretanto, Al-Zahra já foi recuperada aos “jihadistas”, mas muitos dos residentes desta localidade nem hesitaram perante a possibilidade de fugir. Desde o início da batalha por Mossul cerca de 30 mil pessoas já terão fugido dos combates naquela região.

#UNHCR latest flash update for Iraq Situation 3 November pic.twitter.com/XhExjKZX3X

— UNHCR Iraq (@UNHCRIraq) 5 de novembro de 2016

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