Última hora

Última hora

Europa reflete sobre resultados eleitorais em Itália

Em leitura:

Europa reflete sobre resultados eleitorais em Itália

Café italiano em Bruxelas
Tamanho do texto Aa Aa

O resultado das eleições italianas continua a gerar ondas de choque em Bruxelas. Muitas pessoas interrogam-se sobre o que terá levado a uma mudança de atitude tão radical. Apesar de tudo, pelo menos até 2008 Itália contava-se entre os países mais entusiastas quanto ao projeto europeu. Uma das causas para esta mudança de atitude teria sido a forma como os parceiros europeus lidaram com a austeridade e migração. Muitos italianos apontam o dedo a Angela Merkel que, para muitos, é a verdadeira líder da Europa.

"As pessoas falam sobre as migrações e associam-nas a problemas sociais que são o resultado da crise económica"

Cécile Kyenge Eurodeputada italiana, centro-esquerda

"A Sra. Merkel tem uma grande responsabilidade pelo que aconteceu porque tomou uma decisão unilateral quanto à emigração sem uma verdadeira discussão com os parceiros europeus", afirma um italiano residente em Bruxelas. Outro italiano acrescenta "eu não creio que os italianos sejam eurocéticos, penso que os italianos aguardam por respostas por parte dos políticos. Ficaram anos à espera de respostas. As pessoas votam para fazer os políticos reagir".

As explicações podem variar mas o que parece deixar pouco lugar a dúvidas é a relação entre estes resultados e os anos de austeridade. Para esta eurodeputada italiana, muitos eleitores misturam questões distintas como a falta de perspetivas económicas e as migrações.

"Trata-se de uma tendência europeia, tal como o Brexit. Infelizmente, as pessoas falam sobre as migrações e associam-nas a problemas sociais que são o resultado da crise económica" defende Cécile Kyenge, uma eurodeputada italiana de centro esquerda.

Para os eurocéticos, o resultado das eleições italianas representa um marco na agenda antiUE.

"Eles não querem que a UE continue na via em direção a uma Europa federal ou Estados Unidos da Europa, ou maior integração. Espero que esta mensagem seja escutada por Juncker, a chanceler Merkel e o Presidente Macron", afirma Jan Zahradil, eurodeputado conservador da República Checa.

João Ferreira