Mohammed Ibrahim está prestes a completar sete anos de idade, tal como o conflito na Síria
Mohammed ainda não tinha completado dois meses quando o conflito na Síria começou. Vivia, na altura, com a família perto da cidade histórica de Palmira, no centro do país, mas não teve a oportunidade de conhecer a terra onde nasceu. A violência obrigou-o a procurar refúgio no Líbano onde vive, atualmente, com os pais e com milhões de sírios que continuam sem saber quando vão poder regressar a casa. Faz este mês sete anos que tudo começou. O pai recorda um dos momentos mais difíceis no país de origem que acabaria por mudar para sempre a vida de Mohammed.
"Não conseguimos levá-lo para o hospital por causa dos bombardeamentos e tiveram de lhe amputar a mão" refere Hussein Ibrahim, pai da criança.
Em 2016, depois de várias tentativas falhadas pagaram a traficantes para chegar ao Líbano. Demasiado tarde, para resolver o problema de deficiência auditiva de Mohammed detetado com um ano e meio de idade. Hoje, é acompanhado por especialistas nesta escola, em Beirute.
"Não temos fundos suficientes para acolher mais refugiados. Se tivéssemos ajuda podíamos receber mais crianças sírias" defende ladys Shawish, diretora da escola.
Mohammed é uma das 20 crianças sírias inscritas nesta escola. Além de aulas em árabe e em inglês, os alunos são também seguidos por um conjunto de profissionais, entre eles terapeutas da fala, psicólogos e assistentes sociais.
"Gosto de desenhar borboletas" afirma Mohammed.
A vontade de voar de Mohammed salta aos olhos dos que rodeiam esta criança. O passado pode ter deixado marcas, mas os pais acreditam que a força de vontade de Mohammed é que vai determinar o futuro.