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O que sabemos até agora sobre o caso Skripal

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O que sabemos até agora sobre o caso Skripal

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REUTERS/Hannah McKay
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Apesar do estado de saúde ter melhorado, o ex-espião russo Sergei Skripal continua hospitalizado, mais de um mês depois de ser envenenado com um agente neurotóxico na cidade de Salisbury, no sul de Inglaterra.

O que aconteceu?

Às 16h15 de 4 de março, a polícia recebeu um telefone acerca de duas pessoas que agiam de forma estranha, encontrando depois Skripal, de 66 anos, e a filha Yulia, de 33 anos, inconscientes num banco no exterior do centro comercial The Maltings, em Salisbury.

Ambos foram levados para o hospital e as autoridades britânicas disseram que um total de mais de 130 pessoas foram afetadas pelo ataque. Mais de 50, incluíndo três crianças e o sargento detetive Nick Bailey (um dos primeiros na cena), receberam assistência médica.

O que os envenenou?

A 12 de março, Theresa May disse que Skripal e a filha foram envenenados com um agente neurotóxico Novichok, desenvolvido pela União Soviética nos anos 1970 e 80.

A primeira-ministra britânica considerou ser "altamente provável que a Rússia fosse responsável" pelo envenenamento.

O embaixador russo no Reino Unido, Alexander Yakovenko, identificou o suposto veneno como a variante Novichok A-234. Mas a Rússia negou qualquer envolvimento e oficiais russos sugeriram mesmo que os serviços secretos britânicos, possivelmente com a ajuda dos Estados Unidos, envenenaram os Skripal para alimentar a histeria anti-Rússia.

A 18 de março, o presidente russo Vladimir Putin afirmava categoricamente: "A Rússia não tem esses agentes [neurotóxicos]".

Os efeitos diplomáticos

May deu à Rússia 24 horas para oferecer explicações, mas sem obter resposta. A 14 de março, ordenou que 23 russos, que dizia serem espiões sob cobertura diplomática, saíssem do Reino Unido. Na véspera das presidenciais russas, o Kremlin respondeu com a expulsão de 23 diplomatas britânicos e o encerramento do British Council e do consulado do Reino Unido em São Petersburgo.

Líderes dos Estados Unidos, da Alemanha e de França condenaram aquela que foi a primeira utilização de um agente neurotóxico militar na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Na maior vaga de expulsões cruzadas desde o pico da Guerra Fria, os EUA ordenaram a saída de 60 diplomatas russos e Moscovo respondeu com outros tantos norte-americanos. Outros países ocidentais também expulsaram um total de 70 russos, obtendo em larga medida uma resposta semelhante da Rússia.

Como sabemos que se tratou de Novichok?

May disse que um laboratório militar em Porton Down identificou o agente neurotóxico, embora o governo britânico não tenha dito como sabia que vinha da Rússia.

O Kremlin questionou como o Reino Unido chegou à conclusão de que o veneno proveio da Rússia. Peritos em armas químicas afirmam que, para obter um resultado exato, o laboratório britânico teria de ter acesso a uma amostra de Novichok produzida pelos russos.

Outra forma de identificação da fonte seria através de informações dos serviços secretos britânicos ou norte-americanos. Mas nenhuma foi tornada pública.

O diretor-executivo do laboratório de Porton Down, Gary Aitkenhead, afirmou a 3 de abril ser incapaz de dizer se o agente neurotóxico usado foi ou não produzido na Rússia.

O Reino Unido pediu a inspetores da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) para testarem o veneno. A 12 de abril, a OPAQ confirma tratar-se de um agente neurotóxico de tipo militar da família Novichok, de conceção soviética. Moscovo volta a exprimir ceticismo.

Onde ocorreu o envenenamento?

O coordenador nacional para as políticas de contraterrorismo do Reino Unido, Dean Haydon, disse, a 28 de março, que um agente neurotóxico tinha sido deixado em frente à porta de casa dos Skripal em Inglaterra.

Yulia Skripal tinha chegado ao Reino Unido vinda da Rússia na tarde do dia 3 de março. Por volta das 13h40 do dia 4, ela e o pai chegaram de carro ao estacionamento do supermercado Sainsbury, no centro comercial The Maltings.

Ambos passaram pelo pub Bishop's Mill e pelo restaurante italiano Zizzi, de onde sairam por volta das 15h35. Os serviços de emergência foram alertados por um transeunte por volta das 16h15.

Yulia esteve em estado crítico durante quase quatro semanas, mas a 29 de março os médicos disseram que a sua condição tinha melhorado.

A 6 de abril, a equipa hospitalar que acompanha Sergei Skripal informa que o ex-espião também já não se encontra em estado crítico. Três dias depois, Iulia recebe alta do hospital. A 11 de abril, a filha do ex-espião recusa a oferta de assistência da embaixada russa em Londres.